
Ninguém sabe o que calado quer. O adágio, tão popular quanto verdadeiro, resume precisamente o perigo da omissão diante de determinados posicionamentos do poder público. Um perigo que, exercitado ao longo dos anos, vira indolência. Incapacidade de argumentação.
Com políticas voltadas ao populismo, e, mais precisamente, ao fisiologismo partidário, os governos acreanos das décadas de 80 até meados de 90 investiam pesado na “mordaça branca” aos mecanismos de ação social. Provam isso as surras aos funcionários públicos, os milhões de reais desviados para contas particulares e a ausência absoluta de projetos públicos que de fato levassem em conta a opinião dos setores representativos da sociedade.
A manifestação e o exercício da crítica (positiva ou negativa, tanto faz) a “tudo isso que aí está” são direitos recentes dos acreanos, conquistados a duras penas. Quando o assunto é sugestão, participativa e direta, para políticas públicas, a novidade é ainda maior.
Daí se entende, por exemplo, a estática social percebida em alguns setores da sociedade organizada. Como nas cadeias produtivas, por exemplo. A “aquisição” do direito à mobilidade deu às cooperativas, associações e federações de produtores acreanos influência, participação e status no aparelho governamental.
Claro que a lentidão é uma pedra nesse caminho de recuperação social, mas até ela já começa a desaparecer. Sugestões para o governo reeleito aparecem diariamente. Vindas de quem realmente entende do Acre, da acreanidade, são sempre bem vindas. E absolutamente necessárias.