
Intimação pode deixar
140 famílias sem renda nos
próximos dias, mas município garante resolver tudo
Os camelôs da praça Eurico Dutra têm até 30 de janeiro para bater em retirada. O prazo foi estabelecido na reunião que ocorreu esta semana entre a prefeitura e o Sindicato dos Camelôs, capítulo final do impasse criado pela ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). A ação exige que a prefeitura retire os camelôs, em até 72 horas, os 140 camelôs do local.
A ação prevê multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. Diante da intimação, a prefeitura não teve dúvidas: passou a batata quente para os comerciantes de bugigangas, que agora devem sair o quanto antes: a ação civil pública dá direito ao município o uso até de força policial para seu cumprimento.
O assessor de comunicação da prefeitura de Rio Branco, Luís Carlos Moreira Jorge, disse que “a mudança acontecerá sem traumas”. E finaliza: “Ganha a população, que terá o espaço antes ocupados pelos barraqueiros liberado para transitar livremente”.
A prefeitura e os camelôs vinham polemizando sobre a ocupação da praça Plácido de Castro por camelôs desde maio do ano passado. Os comerciantes ocuparam a praça pública alegando prejuízos com perdas das lojas no incêndio que destruiu a Praça dos Catraieiros e do pouco movimento nas lojas construídas pelo governo ao lado do Banacre, na rua Benjamin Constant.
“Os camelôs acataram a decisão sem maiores problemas. Entenderam que houve uma determinação legal”, comentou o chefe de gabinete da prefeitura, Zezé Gouveia, admitindo que a categoria passa a trabalhar com a expectativa de ter um local permanente para o trabalho, saindo de vez da economia informal. Os camelôs podem, segundo Zezé, se tornarem permissionários da prefeitura.
Comerciantes apresentam projeto
de galpão atrás do Terminal
Os camelôs aproveitaram a reunião para apresentar o projeto de um galpão para a concentração dos boxes. O local escolhido localiza-se atrás do Terminal Urbano, atualmente tomado pelo mato e lixo.
A prefeitura prometeu dar a licença para a construção e elaborar o projeto urbanístico. Os camelôs, por outro lado, reivindicariam junto ao governo do Estado os recursos necessários para a obra, previamente avaliada em R$ 150 mil.
Prefeitura e camelôs reuniram-se esta semana, longe do assédio da imprensa, para discutir o assunto. Há rumores de que as alternativas de relocação vinham sendo debatidas desde o ano passado, quando se intensificou o processo de ocupação da praça pública.
“Prefeitura, governo e sindicatos se encontraram no ano passado”, revelou Zezé Gouveia. “Discutiram alternativas de relocação. Na época o governo se ofereceu para construir um galpão no terreno localizado ao lado do prédio do Banacre, mas os camelôs não aceitaram, afirmando que o movimento no local é pequeno”.