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Rio Branco - Acre, sábado, 18 de janeiro de 2003
Prefeitura dá até o dia 30 para
camelôs abandonarem praça no centro

Intimação pode deixar 140 famílias sem renda nos
próximos dias, mas município garante resolver tudo

Os camelôs da praça Eurico Dutra têm até 30 de janeiro para bater em retirada. O prazo foi estabelecido na reunião que ocorreu esta semana entre a prefeitura e o Sindicato dos Camelôs, capítulo final do impasse criado pela ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE). A ação exige que a prefeitura retire os camelôs, em até 72 horas, os 140 camelôs do local.

A ação prevê multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. Diante da intimação, a prefeitura não teve dúvidas: passou a batata quente para os comerciantes de bugigangas, que agora devem sair o quanto antes: a ação civil pública dá direito ao município o uso até de força policial para seu cumprimento.

O assessor de comunicação da prefeitura de Rio Branco, Luís Carlos Moreira Jorge, disse que “a mudança acontecerá sem traumas”. E finaliza: “Ganha a população, que terá o espaço antes ocupados pelos barraqueiros liberado para transitar livremente”.

A prefeitura e os camelôs vinham polemizando sobre a ocupação da praça Plácido de Castro por camelôs desde maio do ano passado. Os comerciantes ocuparam a praça pública alegando prejuízos com perdas das lojas no incêndio que destruiu a Praça dos Catraieiros e do pouco movimento nas lojas construídas pelo governo ao lado do Banacre, na rua Benjamin Constant.

“Os camelôs acataram a decisão sem maiores problemas. Entenderam que houve uma determinação legal”, comentou o chefe de gabinete da prefeitura, Zezé Gouveia, admitindo que a categoria passa a trabalhar com a expectativa de ter um local permanente para o trabalho, saindo de vez da economia informal. Os camelôs podem, segundo Zezé, se tornarem permissionários da prefeitura.

Comerciantes apresentam projeto
de galpão atrás do Terminal

Os camelôs aproveitaram a reunião para apresentar o projeto de um galpão para a concentração dos boxes. O local escolhido localiza-se atrás do Terminal Urbano, atualmente tomado pelo mato e lixo.

A prefeitura prometeu dar a licença para a construção e elaborar o projeto urbanístico. Os camelôs, por outro lado, reivindicariam junto ao governo do Estado os recursos necessários para a obra, previamente avaliada em R$ 150 mil.

Prefeitura e camelôs reuniram-se esta semana, longe do assédio da imprensa, para discutir o assunto. Há rumores de que as alternativas de relocação vinham sendo debatidas desde o ano passado, quando se intensificou o processo de ocupação da praça pública.

“Prefeitura, governo e sindicatos se encontraram no ano passado”, revelou Zezé Gouveia. “Discutiram alternativas de relocação. Na época o governo se ofereceu para construir um galpão no terreno localizado ao lado do prédio do Banacre, mas os camelôs não aceitaram, afirmando que o movimento no local é pequeno”.

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