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Rio Branco - Acre, domingo, 19 de janeiro de 2003
Religião e resgate cultural no Acre

Em qualquer sociedade, a religião define um modo de ser no mundo em que transparece a busca de um sentido para a existência. Nos momentos em que a vida mais parece ameaçada, o apelo religioso se torna mais forte. As crenças religiosas e as mágicas são, para os que as adotam, formas de conhecimento e teorias da natureza do universo e do homem.

No Acre não ocorre diferente. As práticas religiosas e mágicas estão relacionadas com a procura de verdades que, segundo se imagina, os homens devem conhecer para seu próprio bem e que estão acima do conhecimento comum ou da dedução puramente racional.

O homem religioso esforça-se por permanecer o máximo do tempo possível num universo sagrado, ao contrário do homem privado de sentimento religioso, que deseja viver ou vive num mundo dessacralizado.

É preciso lembrar, porém, que o cosmo totalmente dessacralizado, o mundo inteiramente profano, é uma descoberta recente na história da humanidade, embora não ocorra uma abolição completa do comportamento religioso. Além disso, num Estado com uma forte fragmentação de valores simbólicos, este certamente não é o melhor caminho a seguir - muito menos, a melhor ideologia a defender.

Até porque mesmo a existência mais dessacralizada ainda conserva traços de uma valorização religiosa do mundo. Com a experiência do sagrado, as coisas que compõe esse mundo tornam-se mais ricas de significado simbólico. Por isso mesmo os caminhos da religião são grandes parceiros no processo de resgate sociocultural da memória acreana.

Resta apenas torcer para que o processo dê certo. E que todos os líderes, religiosos, civis e militares, nos forneçam, finalmente - e gratuitamente -, o caminho da paz.

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