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Rio Branco - Acre, domingo, 19 de janeiro de 2003

Cedida

Juventus, 1970. Em pé, da esquerda para a direita: Pope, Deca, Antônio Maria, Milton, Nelcirene e Vute. Agachados: Carlos Mendes, Elízio , Nemetala, Eliésio e Nilson

Elízio: “Eu não conseguiria vestir outra
camisa que não fosse a do Juventus”

Ponteiro de drible fácil e cruzamento perfeito, Elízio
fez parte do primeiro time formado pelo Clube do Povo

Francisco Dandão

Ambidestro, o brasileense Elízio Pinheiro Mansour jogava com igual desenvoltura tanto na ponta-direita quanto na esquerda. Mas foi pelo lado canhoto do campo que ele exercitou mais vezes as suas grandes qualidades: o drible fácil sobre os laterais atônitos, a velocidade rumo à linha de fundo e o cruzamento perfeito na cabeça dos companheiros de ataque.

Nascido em 27 de março de 1949, a primeira camisa de um clube de futebol na vida de Elízio foi a dos juvenis do Rio Branco, em 1965, pouco depois dele completar 16 anos. Quem o levou para o Estrelão foi o hoje veterano radialista Pedro Paulo Menezes de Campos Pereira, depois de vê-lo tentar uma chance no Independência sem muitas oportunidades.

A estada no Rio Branco durou somente um ano. Em 1966, com a fundação do Juventus, clube do qual o maior mentor foi o seu irmão, Elias Mansour Simão Filho, Elízio mudou de ares em caráter definitivo, até encerrar a carreira, em 1973, quando estourou os meniscos do joelho direito. “Eu não saberia vestir outra camisa, não conseguiria jogar contra o Juventus”, explica.

Os oito anos no Clube do Povo, apesar de ter sido campeão estadual apenas duas vezes (1966 e 1969), foram de muitas alegrias para Elízio. A começar pela estréia, no dia 13 de março de 1966, contra o extinto Botafogo, quando ele fez três gols. Airton (2), Ernani, Touca e Carreon fizeram os outros. “O Juventus sempre montou grandes equipes”, afirma o ex-craque.

Dono de uma memória prodigiosa, Elízio lembra praticamente todos os detalhes da sua carreira futebolística. Até a escalação do time que conquistou o primeiro título estadual para o Juventus. “Zé Augusto; Carlos Mendes, Pedro Louro, Júlio D’Anzicourt e Estevão; Carreon e Romeu; Elízio, Touca, Airton e Ernani”, recita sem qualquer vacilo.

Cedida

Juventus, 1969. Em pé, da esquerda para direita: Cleber, Pingo, Arnaldo, Escurinho, Antônio Maria e Deca. Agachados: Pedro Feitosa, Vanglésio, Dadão, Elízio e Zé Carlos

O título que escapou por entre os dedos

Mesmo contabilizando mais alegrias do que tristezas enquanto jogador de futebol, Elízio faz questão de lembrar de uma passagem frustrante da sua carreira: a perda do título do campeonato acreano de 1972.

O Juventus jogava por uma vitória simples na final contra o Independência e conseguiu ficar na frente (2 a 1) até aos 44 minutos do segundo tempo. Aí veio o desastre. Bico-Bico foi lá e empatou.

A decisão ficou para uma partida extra, que terminou novamente empatada (1 a 1). Nos pênaltis os jogadores do Juventus, provavelmente com os nervos ainda abalados pelo resultado anterior, desperdiçaram várias cobranças. O troféu foi parar nas vitrines do Tricolor.

“Acho que essa foi a minha maior frustração no futebol”, fala ainda desconsolado.

Cedida

Juvenil do Rio Branco, 1965. Em pé, da esquerda para a direita: Campos Pereira (técnico), Dinaldo, Zé Augusto, Rômulo, Dadá, Stélio e Romeu. Agachados: Rui, Klerman, Ernani, Babá e Elízio

“Impossível escalar os onze melhores”

Os melhores técnicos que conheceu, Elízio não tem nenhuma dificuldade para citar. “Tinoco e Té. O primeiro pela audácia de lançar jogadores jovens. O segundo, pelo conhecimento avançado das estratégias do futebol. Não tenho dúvidas que esses dois foram os melhores”, diz convicto.

Quanto à melhor seleção acreana de todos os tempos, Elízio se recusa a escalar. “O máximo que eu posso fazer é citar os nomes de vários bons jogadores, por posição. Escalar onze, com certeza seria cometer muitas injustiças. O futebol acreano não teve somente onze craques”, afirma.

Goleiros: Tinoco, Pedrito e Zé Augusto.

Laterais: Mauro, Chico Alab e Antônio Maria.

Zagueiros: Escurinho, Mozarino, Campos Pereira e Mustafa.

Meias: Dadão, Romeu, Boá, Zé Agusto “Passada Larga”, Nostradamus, Mariceudo e Escapulário.

Ponteiros: Bico-Bico, Nilson e Otacílio.

Atacantes: Touca, Pedro da Burra, Eliézio, Nemetala, João Carneiro, Jangito e Julião.

Cedida

Desvendando partituras

Prestes a completar 54 anos, aposentado como comerciante, Elízio mora em Presidente Prudente (interior de São Paulo), onde aproveita o tempo estudando teoria e prática musical no Conservatório Maestro Julião.

A música sempre esteve no seu sangue. Tanto que ele, além de jogador de futebol, foi famoso nas décadas de 60 e 70 no Acre como guitarrista do conjunto “Os Bárbaros”, na companhia do irmão Dadinho e dos amigos Tufic, Edu, Quininha e Maury.

“Mas eu só tocava de ouvido. Agora estou desvendando os segredos das partituras. A idéia é montar uma escola de música na volta a Rio Branco”, conclui.

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