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Rio Branco - Acre, terça-feira, 21 de janeiro de 2003
O primeiro grito, de socorro, do carnaval

Um dos maiores patrimônios de um povo é a sua cultura. Gerações se passam, governos se sucedem, a economia melhora e declina, guerras se superpõem. Mas se um povo tiver cultura suficientemente forte, não apenas como mecanismo simplista de perpetuação, mas para mantê-lo arraigado aos seus valores primordiais, o conceito de sociedade tende a se fortalecer cada vez mais.

O carnaval integra essa cultura popular brasileira. Cultura que o acreano comunga, do fundo do coração. A dança errante, o barulho, a cuíca, a cerveja e os desfiles fazem parte de uma estrutura bem brasileira, criada para promover a união e transbordar a alegria tão conhecida desses habitantes dos trópicos.

O Acre, com seus descendentes nordestinos e imigrantes oriundos de várias partes do país, faz parte desse contexto. Como já percebeu e magistralmente expôs o historiador e escritor Márcio Souza, a alma acreana reluz a irreverência, o charme e a espontaneidade de todos os brasileiros.

Por isso mesmo é que não dá pra entender e muito menos aceitar o desrespeito à cultura secular do carnaval de rua, hoje transformado num espetáculo de “pum-pã, pum-pã” eletrônico. Nada contra a chamada música de computador, mas, verdade seja dita, ela nada tem a ver com a arte secular brincada e saudada por gerações inteiras de acreanos.

Ademais, deve-se acrescentar o potencial econômico e turístico de festas regionalizadas, como o boi-bumbá amazônida, o frevo nordestino e o samba carioca. Não precisa dizer mais nada. O desrespeito recente à pouca identidade cultural que o Acre conseguiu mostrar ao mundo é sem dúvida gritante.

Como testemunha, pode-se chamar o Barracão do Quinze. O antigo “Sambão” está lá. É uma testemunha fidedigna. É ver e crer.

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