
Senador petista inclui a Universidade
Federal do Acre,
onde se formou, em seus projetos futuros
A torcida vermelha e branca esteve em festa na manhã
de ontem, pois o senador Sibá Machado recebeu o seu diploma de conclusão
do curso de geografia na Ufac. O evento teve início com uma breve palavra
do reitor da instituição e logo em seguida houve um juramento
dos três alunos que estavam terminando o curso.
O fechamento foi feito pelo próprio senador que falou da importância
do curso não só para os estudantes, mas para ele mesmo. Sibá,
quando não está na sua cadeira no prédio do Diretório
Regional do PT, está na faculdade, sentado numa carteira com papel
e caneta na mão estudando.
Sebastião Machado, mais conhecido como Sibá, tem uma trajetória bem interessante: é natural do Piauí e quando ainda estava cursando a sexta série, abandonou os estudos. Quando tinha 16 anos foi para o Pará trabalhar com o pai no campo.
“Logo cedo tive que largar os estudos. Como a situação estava um pouco apertada, vi que havia necessidade de arranjar um emprego o mais rápido possível. Como ainda era muito novo, decidi começar ajudando meu pai”, explica.
Aos 20 anos, foi para São Paulo trabalhar em uma empresa de ônibus, onde fez de tudo: foi cobrador e até mecânico da empresa. Em 1986 decidiu se filiar ao PT, pois afirma que desde criança tem uma grande admiração pelo partido.
“Sempre simpatizei com a política e sempre admirei as pessoas do PT, pois sempre mostraram garra e sinceridade quanto aos planos que têm para a população”, afirma.
Em 1991, foi eleito presidente da CUT estadual e reeleito em 1994. Depois foi vice-presidente do PT no Estado em dois mandatos. Atual presidente do DR do PT, ele afirma que tudo isso deve somente às pessoas que confiam no seu trabalho.
Planos futuros quanto à política e aos estudos
Hoje, aos 44 anos, Sibá conseguiu terminar o curso superior e agradece em especial aos amigos da CUT, que em um debate decidiu incentivar todos os seus funcionários a voltar aos estudos.
“Fiquei até 1997 sem saber o que era uma sala de aula. Em um debate na CUT decidiram incentivar todos a voltar para a escola para fazer um curso superior, pois isso seria importante para a carreira política”, diz.
Em maio daquele ano, terminou o primeiro grau no DSU e logo em seguida o segundo grau.
Em 1998, fez o vestibular para Geografia e tirou em primeiro lugar. Foi tão dedicado ao curso, ele conta, que em uma monografia para ser feita em seis meses conseguiu concluir em apenas dois.
“Quando resolvi fazer o vestibular, decidi me dedicar totalmente à faculdade, pois, com tudo o que está acontecendo hoje, vi que havia uma necessidade de fazer um curso superior. Não estava pensando apenas na minha carreira política, mas estava tendo uma visão mais ampla sobre o futuro”, ressalta.
Ao receber o seu diploma, Sibá teve uma leve visão do que pode fazer de hoje em diante com todo o conhecimento que procurou reter enquanto estava estudando.
“Comecei a sonhar em criar na universidade um laboratório para, pelo menos, o curso de Geografia, pois as pessoas terminam um curso de física e vão ser professores de matemática; o outro sai do curso de biologia para ensinar biologia, ou seja, é algo bastante limitado. Temos que capacitar pessoas para fazerem pesquisas e levarem o nome do nosso Estado para todo o Brasil e também para o exterior.”
O senador ainda diz que passa horas na internet observando sites de outras faculdades e pensa em adotar o mesmo procedimento para a Ufac, e lamenta pelo Acre não adotar sistemas de ensino mais dinâmico e prático.
“Os nossos estudantes deveriam estar estudando para fazer pesquisas, pois as empresas de fora vêm aqui para estudar o que temos de riquezas aqui, fazem planos para tirar o que é nosso, ou fazem um planejamento de melhora no Estado, sendo que não sabem do que realmente temos e do que precisamos”, finaliza.