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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 22 de janeiro de 2003
Volta às aulas começa a aquecer
mercado da educação no Estado

Setor das malharias perdeu o vigor do passado, mas
empresários investem em máquinas e mão-de-obra

O período de volta às aulas é sempre acompanhado por uma série de mudanças estruturais em vários setores da vida escolar. No Acre, quem primeiro sente a aproximação do ano letivo é o setor de malharia. Atualmente, existe aproximadamente uma dezena de empresas do tipo que abastecem todo o estado com as camisetas escolares. Há dez anos, o mercado acreano vivia uma espécie de centralização desse setor. Só havia três grandes empresários do ramo.

Hoje, o número de escolas aumentou significativamente (tanto na rede privada como na rede estadual) e, em igual proporção aumentou o número de empresas com atuação voltada especificamente para a malharia escolar. Há 16 anos no mercado de malharia, Abraão Alves Figueredo não esconde a saudade do consumo de camisetas escolares que era feito no passado pelos estudantes. “Hoje, as pessoas deixam para gastar só no último momento e compram somente o necessário”.

Mesmo em um panorama de aumento da concorrência e diminuição do consumo e da margem de lucro, Figueredo não deixou de investir: comprou duas máquinas japonesas que fazem o bordado de forma computadorizada e com uma rapidez muito maior do que no passado. “A capacidade de produção do maquinário é muito maior do que a demanda”, diz. Isso explica o leque quase incomum de clientes da empresa. São mais de cem escolas que fazem os pedidos para boa parte dos estudantes da capital.

Além disso, os empresários do setor da malharia atendem às pequenas fabriquetas da cidade fazendo a comercialização de insumos fracionados: são golas, pontas de mangas de camisa que aumentam a receita das empresas. A matéria prima do setor de malharias é toda comercializada com indústria têxtil de São Paulo e de Curitiba. Os preços das camisetas variam hoje em

Outro empresário tradicional na malharia acreana é Egiudo Carneiro. A empresa que administra emprega diretamente 30 pessoas. Herdeiro da tradição do falecido “Primo Líbio”, Carneiro também se lembra com saudade dos tempos passados. “Vendíamos mais, mas essa mudança faz parte de todo processo de crescimento”, afirmou.

Novo mapa de matrículas para 2003

O ano letivo de 2003 inicia com uma série de mudanças no processo de realização de matrículas. A Secretaria de Estado de Educação reuniu os principais setores do órgão durante toda a manhã de ontem para decidir as mudanças estratégicas das matrículas desse ano na rede estadual de ensino.

Na prática, só a cidade de Rio Branco, por exemplo, foi dividida em cinco regionais. Com essa divisão, os pais poderão saber em qual escola irão matricular os filhos, quais as turmas existentes em uma determinada escola e quantas vagas estão disponíveis. Ao todo, são 68 escolas e aproximadamente 4 mil turmas que estão disponíveis para todos os alunos.

A assessoria técnica da Secretaria informou que a idéia é agilizar os processos de matrícula e melhorar a transparência em relação às informações sobre as matrículas. “Amanhã divulgaremos uma lista das escolas e divulgaremos nos meios de comunicação para que todos tenham acesso às informações”, afirmou o secretário adjunto de políticas educacionais, Sérgio Roberto.

Outra mudança em andamento se refere ao processo denominado “dependência”. Trata-se de inserir o aluno reprovado em um processo de aprovação automática para série seguinte, com a obrigatoriedade de a escola e o aluno reverem a carga teórica das matérias em que houve a reprovação, sem prejuízo no avanço da escolaridade do estudante.

“Isso está previsto em Lei e é um processo que ainda encontra resistência por parte de alguns diretores de algumas escolas, mas, com o diálogo, nós vamos resolver esse problema o mais rápido possível”, afirmou Sérgio Roberto. “O que a sociedade não pode mais admitir é insistirmos no antigo método da ‘recuperação’ que se mostrou ineficiente”, analisou.

O método da recuperação lembrado pelo secretário adjunto consistia no fato de o aluno não ter sido aprovado nas quatro médias bimestrais e nem na “prova final”. Uma vez não alcançados os pontos mínimos para a provação, o aluno revia todo o conteúdo programático em 30 dias e fazia a “prova de recuperação”. De acordo com especialistas, esse método não possui nenhum benefício do ponto de vista didático e educativo porque condiciona o aluno a apenas ser aprovado em um exame para ser incluído na série seguinte.

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