
Fábricas de grande porte não são inviáveis no Acre. Não por falta de potencial. Minerais como ouro e argila, vegetais como a mandioca, o cupuaçu, o buriti e o ouricuri, além de recursos minerais consideráveis através da piscicultura, pecuária, avicultura, ovinocultura, caprinocultura e dezenas de outras culturas, colocam o Acre entre os primeiros lugares no ranking de produção estimada do país.
Estimada, só. Todos esses produtos podem ser comercializados, mas, por enquanto, os contratos são poucos e as indústrias de transformação, inexistentes ou incipientes. Parece um quadro negativo, considerando os avanços recentes do setor produtivo acreano. Mas o fato de que não há indústrias suficientes para atender a enorme demanda empregatícia da zona urbana demonstra que a economia rural atravessa algum tipo de crise estrutural.
Por isso, a questão demanda um investimento, sim, em educação e reabilitação socioeconômica, como vem fazendo o governo do Estado. Mas também necessita de reconhecimento e apoio ao esforço que já vem sendo realizado, algumas vezes de forma autônoma, nos mais diversos rincões acreanos.
É o caso, por exemplo, das exportações. Parece incrível, mas alguns empresários acreanos já exportam para mega-gigantes do consumismo, como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, sem contar entrepostos localizados em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Como? Metendo a cara. Tentando. Ninguém alcança o sucesso só planejando, analisando, pesquisando. É preciso tentar. Se não der certo, paciência. Assume-se o prejuízo, parcelam-se os débitos, sacode-se a poeira e tenta-se novamente - agora, com o benefício da experiência, embora fracassada.
Portanto o que falta é prática. O que é um absurdo, diante de tanto potencial econômico. E de parceiros internacionais (Bolívia, Peru, Cuba etc.), que nem assinaram o tratado do Mercosul com o Brasil, mas já perceberam e se interessaram pelo potencial acreano.