
APASM usa arte plástica
como terapia para tratar
de seus pacientes e mostra ao público que método é eficiente
A Associação de Pacientes e Amigos da Saúde Mental (APASM), esteve em exposição ontem no Memorial dos Autonomistas. A exposição durou o dia inteiro e teve como objetivo mostrar quadros feitos pelos próprios pacientes. A exposição terminará na sexta-feira.
Segundo o terapeuta ocupacional da APASM Geison Lopes, 28, o projeto estava em andamento há seis meses e os pacientes foram ensinados pelo artista plástico Paulo Félix. O estabelecimento hoje possui uma boa quantidade de pacientes, tanto que a exposição teve a participação de 240 deles. Foram 23 quadros expostos para a apreciação do público, que foram escolhidos pela sua história.
“Cada quadro tem uma história. Muitos deles foram pintados em um momento de crise e isso é, para nós, de grande importância”, ressalta.
Geison também afirma que os quadros foram bem aceitos pelas pessoas que compareceram na exposição, tanto que estão analisando a possibilidade de vender todos eles no último dia.
“O objetivo, a princípio, era só mostrar os quadros. Mas como as pessoas estão demonstrando bastante interesse em adquiri-los, estamos estudando a possibilidade de vendê-los na sexta-feira. Os preços vão ser baseados no custo que tivemos para realizarmos o evento”, explica.
Todo o trabalho foi desenvolvido pelos pacientes. Os quadros foram feitos com tinta guache, sucatas e discos, entre outras coisas mais. Até as telas foram preparadas por eles.
O projeto foi aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura e ao Desporto, da Fundação Elias Mansour.
Arte é usada como terapia em pacientes
Segundo Geison, vários são os métodos pesquisados pela psicologia para encontrar explicações para determinados comportamentos e formas de tratar cada um. A arte foi uma delas, que surgiu no final da década de 80 e que agora a APASM decidiu adotar.
Ele ainda explica que a idéia de adotar o método, surgiu como uma forma de ajudar cada vez mais aqueles pacientes que entram em crise com mais freqüência.
“Quando decidimos usar o método como uma terapia, nos preocupamos em encontra alguém que tivesse experiência em ensinar, até porque seria algo diferente então teria que ser mesmo alguém com criatividade e paciência”, afirma.
Além de um simples tratamento, Geison esclarece que é também uma forma dos médicos descobrirem mais ou menos o que se passa dentro de cada paciente, e assim fica mais fácil saber o que podem fazer em prol de cada um.
“Os pacientes têm a oportunidade de expor o que se passa dentro de si. Todos eles, quando estão pintando, estão entrando em uma crise, ou já estão em uma, ou até mesmo é uma forma de mostrar que venceram um crise”, finaliza.