
Toda revolução é fruto de um processo, por mais radical e abrupta que sejam as mudanças concretizadas. Não seria exagero afirmar que toda revolução encerra em si mesma um “processo revolucionário” quase sempre pensado, esquematizado e sentido pelos protagonistas muitos anos antes. Historicamente, portanto, a divisão periódica e sistematizada não encontra respaldo nos fatos do cotidiano. Divide-se a História em datas e marcos importantes para efeito meramente didático. Hoje, por exemplo é uma data que passou para a história com um significado importante para todo o povo acreano.
O dia 24 de janeiro marca a vitória de Revolução Acreana. A consolidação de um processo iniciado na segunda metade do século XIX e concluído no início do século passado. O palco da vitória foi Puerto Alonso, nome espanhol que magoava a vontade de um povo que escolheu e lutou para ser brasileiro. Porque ser acreano é isso: antes de tudo, uma vontade de decidir cantar o hino em verde e amarelo e lá no fundo a lembrança guardada de uma estrela vermelha que não se cansa de balançar a nossa luta.
Puerto Alonso transformou-se em Porto Acre em uma batalha que comemora 100 anos hoje. A homenagem feita pelo governador Jorge Viana aos heróis de nossa revolução reflete uma preocupação importante de um governo que valoriza a história local não apenas nos discursos. Há mais de quatro anos, a “acreanidade” vem sendo trabalhada de forma sistemática para que se tenha o orgulho das lutas dos heróis hoje glorificados.
A vitória em Puerto Alonso é um marco que deveria ser comemorado de forma sincera por todos. Não se faz referência aqui às comemorações banais. O 24 de janeiro é, antes de qualquer coisa, um chamado à reflexão. Porque é por meio dela que enxergaremos todas as mudanças que vieram com a vontade de ser acreano.