
Elson Martins *
O que é ser um excluído do esporte e do lazer? Ou da cultura e comunicação? Ou dos direitos do cidadão? Ou da renda necessária para sobreviver? Ou da alimentação? Ou da saúde? O que é ser excluído da moradia?
Com o objetivo de responder a estas perguntas a equipe do Governo da Floresta passou o dia inteiro de quarta-feira reunida na Secretaria de Educação. A estratégia é definir o perfil do cidadão excluído (que, neste caso,nem pode ser considerado um cidadão) para planejar as ações que podem tirá-lo da situação.
Não é fácil identificar o excluído em todos os casos, por isso a equipe assumiu uma simplificação genérica. Por exemplo: “O excluído da Educação é aquele que não sabe ler e interpretar um bilhete”. E “o excluído da Moradia é aquele que não tem uma habitação saudável e segura”.
Algumas respostas foram obtidas com relativa facilidade pelos grupos de discussão. Outras, como a do excluído do esporte e do lazer, entraram pela noite esgotando a capacidade da turma de chegar a um consenso. A definição mais próxima do consenso seria a de que “é aquele que não tem acesso aos serviços públicos disponibilizados no setor”.
Escolhidas as tarjetas com as respostas, por área, a equipe pode chegar ao perfil do excluído total, ou seja, o pobre dos pobres para o qual terá que planejar ações integradas e urgentes.
O vice-governador Binho Marques estabeleceu um prazo até o dia 16 de fevereiro para que os grupos indiquem soluções. As propostas serão encaminhadas aos técnicos do planejamento que vão procurar implementá-las. A recomendação é para que isso seja feito logo garantindo ao excluído da educação, por exemplo, que receba o atendimento para aprender a ler e interpretar um bilhete.
O planejamento das ações das secretarias será concluído em março, informou o vice Binho Marques, ressaltando que as ações não vão beneficiar todo o Estado numa primeira etapa porque isso exigiria recursos que o governo não tem. A opção, portanto, é começar com as ações nas zonas de atendimento prioritário (ZAPs). E a escolha dessas zonas nas cinco regiões do Estado contará com a participação dos prefeitos. Nas cidades o critério é o seguinte: dos bairros pobres, escolhe-se o mais pobre.
O planejamento voltado para os excluídos do Acre acaba ganhando inspiração cubana. Isso porque o Governo da Floresta visitou há poucos dias a terra de Fidel Castro, vendo como uma população pobre consegue resolver problemas complexos e ser feliz trabalhando com auto-estima e amor pela terra.
O governador Jorge Viana já fala, abertamente, que o seu governo é fruto de um movimento popular muito forte e que “a sociedade da floresta tem que avançar agora dentro do governo”.
Por sua vez, o secretário de comunicação,Aníbal Diniz, foi incisivo no encontro de quarta-feira. Ele que trouxe de Cuba charutos, boinas e bonés de Che Guevara, além de livros sobre José Marti, o grande inspirador da revolução cubana, solicitou dos colegas mais sentimento, ousadia e criatividade arrematando: “Precisamos fazer um grande movimento de sentimento, como os revolucionários cubanos”.
Nada mal para um secretário que formou consciência política, nos anos oitenta, sob as bênçãos do Bispo D. Moacyr Grechi.