
Congresso sugere uma área
de livre comércio entre Acre e
Peru para expandir o turismo e o comércio bilateral
Os peruanos não estão brincando com a integração regional e se mostram mais interessados e ativos que os brasileiros. Por iniciativa do congressista Cesar Zumaeta Flores, presidente da Comissão de Comércio Exterior e Turismo do Congresso peruano, foi desenvolvido um plano de integração fronteiriça entre os Estados amazônicos brasileiros e o Peru, especialmente seus departamentos limítrofes, que traria grande resultado para o turismo e o comércio bilateral.
Segundo o plano, as trocas comerciais na região saltariam dos 600 mil dólares (dados de 2001) para mais de 8 milhões de dólares, sem estimar as vendas do Distrito Industrial de Manaus ao Peru. Executadas as ações necessárias seria garantido um crescimento comercial de 1.393% em atividades geradoras de empregos e serviços na Amazônia fronteiriça.
Pelo levantamento, a atividade mais incrementada imediatamente seria a do turismo, calculando-se que no total estaria gerando já em 2004 um volume de negócios da ordem de 6 milhões e 263 mil dólares, sendo 3 milhões e 600 mil relacionados à visita de brasileiros ao mercado de Cuzco e 2 milhões e 663 mil dólares com a vinda ao Brasil dos turistas estrangeiros que vão a Cuzco.
Outra vertente que sairia fortalecida seria o comércio bilateral que poderia atingir 2 milhões e 700 mil dólares.
O representante do dr. César Zumaeta Flores e executor do plano, Manuel Meza Bravo, está em Rio Branco para apresentar o plano ao governador Jorge Viana, convidando-o assim como ao Acre para participar do plano peruano que leva o nome Mega Projeto da Viabilidade da Integração Fronteiriça Amazônica Peru-Brasil.
A proposta será apresentada a todos os presidentes regionais fronteriços do Peru e aos governadores do Norte do Brasil, assim como as autoridades públicas e setor privado comprometido.
A proposta peruana é a criação da comunidade regional amazônica, tendo como objetivo a cooperação econômica e física, estabelecendo um espaço para a livre circulação de bens e serviços e a plena utilização dos fatores produtivos. No Peru este espaço compreenderia as regiões de Loreto, San Martin, Ucayali, Huanuco, Madre de Dios, Cuzco, Puno, Arequipa e no Brasil envolveria os estados do Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará. A participação de outros países amazônicos ficaria em aberto.
A proposta objetiva alcançar em conjunto o desenvolvimento harmônico da região, tomando em consideração a realidade derivada dos diferentes níveis de desenvolvimento econômico das partes, com atenção especial ao eco-sistema e a biodiversidade.
O plano prevê que os investimentos necessários sejam feitos conjuntamente pelos agentes econômicos da região nacionais e internacionais, oferecendo a estes investidores regras claras e previsíveis para o desenvolvimento dos serviços de comércio e a indústria.
Finalmente, os peruanos propõem a realização conjunta do IV Fórum Empresarial Peru-Brasil, na cidade amazônica de Iquitos, entre os dias 22 a 31 de julho e, paralelamente, desenvolver a I Feira de Integração Amazônica.
A médio prazo o plano prevê a formação de uma área de livre comércio em um praxo máximo de 10 anos, mediante a expansão e diversificação do intercâmbio comercial e a eliminação das restrições alfandegárias e não alfandegárias que afetam o comércio recíproco Peru-Brasil.
Incremento do turismo: primeira
vantagem da integração
Segundo o plano peruano, o turismo é a indústria que mais gera divisas no mundo e a região amazônica fronteiriça tem um grande potencial para a atividade, “é o destino natural obrigatório de aventureiros e amantes da natureza por sua paisagem, flora e fauna” com a vantagem de ter em sua cabeceira Machupichu, patrimônio mundial e oitava maravilha do mundo.
A questão é analisada por dois lados: o turismo brasileiro a Cusco e o turismo para o Brasil dos estrangeiros que visitam Cusco.
De São Paulo a Lima existe vôo direto com reembarque para Cusco, mas como não existe nenhuma conexão direta entre o Brasil e Cusco a viabilização do turismo se daria implantando-se pontes aéreas amazônicas. A primeira, entre Cuiabá e Cusco, atenderia o sul e o centro do Brasil bem como parte do Mercosul; a segunda ligaria Manaus a Cusco, atendendo o Norte do Brasil e Venezuela. Uma terceira opção seriam os vôos charter a Cusco de qualquer cidade do Brasil.
Com a implantação destas pontes aéreas, o custo das viagens cairia para 40% do custo original, estimando-se em 12 mil visitantes no primeiro ano.
Cerca de 400 mil turistas visitam Cusco todos os anos; destes 80 mil visitam Machu Pichu pelo caminho inca (três dias a pé), 32 mil visitam o programa ecoturístico de Porto Maldonado enquanto 16 mil continuam a viagem no Brasil.
A proposta peruana é desenvolver um segundo projeto turístico bilateral Peru-Brasil, que se desenvolveria nas margens do rio Purus, por Porto Esperança e Santa Rosa ou na margem do rio Acre por Inampari e Assis Brasil,proejto que conta com a opinião favorável do Inrena, órgão oficial peruano que regulamenta o uso da floresta.
Pelo projeto, 2,92% dos turistas a Cusco (11.711) seriam trasladados a esse mercado proposto, gerando um ingresso de 2 milhões 663 mil dólares e a criação de 732 postos de trabalho, num território de extrema pobreza e falta de oportunidade de trabalho, com a vantagem de não alterar o eco-sistema existente.
Comércio bilateral vai aumentar muito
Para aumentar o comércio bilateral, o plano peruano prevê um conjunto de objetivos para dar um marco legislativo e institucional para a integração fronteiriça e orientar o desenvolvimento das exportações comum enfoque descentralista deixando prontas as normas que tornem possível a produção bilateral, para a demanda da região e outros mercados.
Isto envolveria três estratégias: a integração comercial fronteiriça, a integração comercial regional e a integração comercial bilateral.
A integração comercial fronteiriça é considerado pelo plano peruano um dos instrumentos essenciais para que os povoados vizinhos e distantes das capitais avancem no seu desenvolvimento econômico e social, assegurando uma melhor qualidade de vida e permitindo o uso compartido dos seus serviços.
Com nossa realidade é distinta é necessário garantir transportes regulares para seu desenvolvimento. O plano sugere a ligação aérea entre Iquitos e Tabatinga, ligação aérea entre Pucallpa e Cruzeiro do Sul, ligação aérea e fluvial entre Pucallpa/Pto Esperança a Santa Rosa, ligação aérea e fluvial entre Pucallpa/Breu até Marechal Thaumaturgo . Por esta via sugere o plano que os peruanos poderiam vender produtos agrícolas e confecções enquanto os brasileiros ofereceriam óleos vegetais e artigos de limpeza.
Estrada do Pacífico
Com a integração rodoviária ente o Peru e o Brasil, pelas localidades de Assis Brasil e Inampari ficou facilitado o comércio regional entre o Sul do Peru e o Acre-Rondônia, permitindo ainda o estabelecimento de indústrias de confecções, fábricas de ração para animais, fabricação de produtos agro industriais par consumo humano. Também vai se expandir os setores de serviços, estocagem e transporte.
O plano prevê que haverá vendas superiores a 5 mil toneladas de produtos do Acre-Rondônia para o Peru e montante semelhante no sentido inverso.
Os dois estados venderiam ao Peru carne de gado, lácteos e subprodutos, grãos, milho e feijão, miúdos de bovinos, enquanto o Peru venderia vegetais e agroindustriais, frutas polpas e sucos, peixes frutos do mar e conservas, farinha de peixe, cimento Portland, etc.