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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Crachás identificarão mototaxistas credenciados na capital

Quem for pego sem o documento personalizado
levará multa e poderá ter a moto apreendida

Josafá Batista

O recrudescimento da violência no trânsito vem reprisando uma novela de proporções épicas: a regulamentação dos mototaxistas. Acossado, o discreto Departamento Municipal de Trânsito (RBTrans) bolou um crachá personalizado, que leva a placa da moto, o RG e o CPF do condutor e sua assinatura. Nas fiscalizações, a Companhia Estadual de Trânsito (Ciatran), que já foi contatada, deverá comparar esse documento com a carteira de identidade do abordado.

Outra novidade é que a categoria (que enfrentou uma verdadeira batalha nos tribunais para conseguir o direito de rodar na cidade), está dividida. Os dissidentes exigem a execração do atual presidente do Sindicato dos Mototaxistas (Sindmoto), Vicente Félix dos Santos, acusado de lutar apenas pelos cerca de 3 mil motoqueiros que circulam irregularmente em Rio Branco.

“Circulam irregularmente porque a prefeitura deu apenas 350 regulamentações. Isso, para uma categoria enorme como a nossa, é um absurdo sem nexo”, esbraveja Vicente, que, embora sindicalista, não exerce a profissão.

Pois é justamente a partir dessa subdivisão dos mototaxistas (regulamentados e não-regulamentados) que a novela promete mais alguns capítulos nos próximos dias. Capítulos dramáticos. Ontem, uma reunião na RBTrans decidiu que em quinze dias o novo crachá será substituído pelos atuais.

Aí começará a fiscalização da Ciatran, que vai multar quem for pego sem o documento. Segundo a legislação de trânsito, a infração é média. Por isso, apenas reincidentes na irregularidade terão a moto apreendida. Pelo histórico de ações e liminares conseguidas pelo Sindmoto, no que vai dar a partir disso, ninguém sabe.

Motoqueiros estão migrando do interior

Colonos vítimas da deficiência nos ramais, desempregados da zona urbana interiorana e ex-presidiários estão entre as três principais fontes formadoras de mototaxistas na capital. A informação é dos próprios mototaxistas e surgiu quase por acaso durante a reunião na sede do RBTrans, ontem pela manhã.

Segundo a categoria, as cidades “exportadoras” dessa mão-de-obra, geralmente desqualificada, são Porto Acre, Senador Guiomard e Plácido de Castro, além de Xapuri e Brasiléia e da própria capital.

É esse pessoal, que tem um perfil de escolaridade extremamente baixo (há queixas, ainda, de que alguns estariam comprando motos a prazo e usando o dinheiro para pagar as parcelas) que vem tirando o sono dos 350 recém-regulamentados pelo RBTrans.

Daí o pedido de expulsão de Vicente Félix, que vem reivindicando a extensão das permissões do município aos outros mototaxistas. E vai continuar assim, nem que seja por desencargo de consciência: o Sindmoto tem hoje cerca de 800 membros, todos contribuintes de uma taxa sindical.

No RBTrans a intenção é apenas disciplinar o trânsito, sem misericórdia para dissidentes ou sindicalizados.

“Até alguns mototáxis permissionários estão praticando coisas ilegais. Legalmente, os pontos de parada dos mototaxistas devem ter alguma distância em relação aos taxistas e ônibus, o que não acontece hoje. Pretendemos exigir isso. Se é para cumprir a lei, deve-se cumprir ela toda, não alguns artigos, apenas”, ressaltou o superintendente do RBTrans.

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