
E não deu outra. O desmatamento nas margens dos rios, algumas chuvas mais intensas e a total falta de políticas públicas voltadas à habitação popular começam a patrocinar, a partir de agora, um espetáculo bizarro de alagamento dos rios acreanos.
A capital, com seus mais de 250 mil moradores e 190 bairros, 40% deles localizados em áreas suscetíveis a enchentes, começa a se mobilizar, em espasmos descompassados, para abrigar - provisoriamente, como de costume - as centenas de famílias de desabrigados.
Como acontece em quase todos os anos, algumas dessas famílias perderão não apenas bens materiais, mas também a dignidade. As águas turbulentas varrerão o patrimônio que o trabalho árduo e sofrido levou anos para construir, mas o sofrimento maior está no amontoado humano nas escolas e parque de exposição, nos pedidos de comida e de água, e, depois, na prática expulsão dos abrigos provisórios.
Será que é tão difícil, contando com recursos e emendas ao Orçamento Geral da União, de convênios com bancos internacionais e a iniciativa privada, elaborar um cronograma estratégico, preventivo, para livrar as famílias acreanas desse verdadeiro pesadelo? Pode-se começar, por exemplo, tão logo as águas baixem.
Vale lembrar que Rio Branco tem, e de sobra, áreas devolutas que podem muito bem ser transformadas em bairros - principalmente se alguém se lembrar de convocar a população para um grande mutirão.
É isso mesmo. Um mutirão. A menos, é claro, que a expressão valha apenas para um certo programa social federal - cuja característica principal é a propaganda con$iderável na mídia nacional.