
José Antônio da Silva mora no bairro Bahia. Tem 22 anos. Completou o ensino médio. Seu pai saiu de casa. Sua mãe recebe menos de um salário mínimo. José tem cinco irmãos. O rapaz procura há um ano por trabalho.
Já a maioria de nossos deputados estaduais não trabalha. Estão empregados. Comparecem à Assembléia duas vezes por semana, oito vezes por mês. Em suas contas bancárias, R$ 6 mil são depositados todo mês.
Muito. Muito pouco.
Para piorar isso, existem os “auxílios”. É auxílio-moradia. É auxílio-transporte. É auxílio-telefone. É auxílio-alimentação. Pouco? Existe ainda a verba de gabinete.
Para esses auxílios, a conta mensal do nobre deputado pesa R$ 18 mil. Mas todo esse dinheiro tem uma justificativa regimental, pautada pela grandeza de defender os interesses do povo acreano. Assim, o deputado diz em plenário:
“Prometo desempenhar fielmente o mandato que me foi confiado, dentro das normas constitucionais e legais da República e do Estado, servindo com honra, lealdade e dedicação ao povo do Estado do Acre”.
Se José seguisse o Regimento Interno... Mas José não tem mandato. Não foi escolhido pelo povo. José é o povo. E, por causa disso, alguém já responde e recebe por ele. Coisas da democracia.
O difícil, o quase impossível, é exercer a cidadania com as coisas nesse pé. São desigualdades demais, que acabam financiando um estado de espírito onde tudo é revolta, evidenciada pelos registros das delegacias e pelas manchetes de jornais.
Não dá mais pra viver assim.