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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 30 de janeiro de 2003
Jorge e Isnard decidem trabalhar
em parceria pelo bem de Rio Branco

Governador e prefeito conversam durante duas horas
e aparam arestas deixadas pelas últimas eleições

Leonildo Rosas

Eram 10h13 quando o prefeito de Rio Branco, Isnard Leite (PPB), entrou no gabinete do governador Jorge Viana (PT), situado no piso superior do Palácio Rio Branco. Exatamente duas horas depois, os dois saíram sorridentes para anunciar os resultados da reunião que mantiveram a sós. De concreto, apenas a certeza de que o Estado vai repassar cerca de R$ 250 mil para o município providenciar instalações aos camelôs que devem deixar hoje a praça Eurico Dutra, no centro da capital. No mais, ficou o compromisso de os dois trabalharem no “estrito sentimento de cooperação”.

“Os resultados não poderiam ser melhores”, festejou o prefeito. “Vivemos num ambiente positivo para fazermos parcerias. Afinal, não estamos em ano político, quando os interesses ideológicos sempre acabam atrapalhando. Estou muito contente com os resultados obtidos”, fez coro o governador.

Um dos assuntos mais esperados na reunião, o do sistema de água é esgoto, ocupou parte significativa da conversa. Inicialmente, técnicos do município e do Estado vão se reunir, provavelmente na próxima semana, para tentar elaborar uma proposta que atenda as partes.

“O prefeito está pensando em fazer uma reestruturação no Sistema de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb). Acredito, no entanto, que o assunto somente terá uma decisão após a conclusão dos estudos técnicos feitos pelas nossas equipes”, disse Jorge Viana.

Indagado sobre a dívida de R$ 19 milhões que a diretoria do Saerb alega que o Estado tem com a autarquia municipal, Viana mudou o tom do discurso e foi duro: “Não podemos dar conotação política a esse assunto, porque não chegaremos a lugar nenhum. Estamos tentando resolver um problema grave e que atinge mais de 50% da população do Acre, que reside em Rio Branco”.

Afirmando que o sistema de abastecimento de água precisa de subsídio do governo por ser deficitário, Jorge Viana informou que o Estado não deve nada ao Saerb porque paga R$ 4,5 milhões mensais ao governo federal de dívida contraída por administrações anteriores, que usaram o dinheiro para tentar resolver a questão construindo torres elevadas e caixas d’água.

“No ano passado, pagamos mais de 47 milhões das obras de construção de caixa d’água, tubulação e aquelas torres elevadas. Tudo isso foi para o município no acordo de reversão feito pelo meu antecessor.”

COMPATILHADA - Observado por Isnard Leite e por assessores municipais e estaduais, Jorge Viana rechaçou a possibilidade de o sistema de água e esgoto da capital ser terceirizado, como vêm defendendo alguns setores. Ele declarou que, se isso de fato acontecer, o Estado pára, imediatamente, de pagar os R$ 4,5 milhões mensais.

“Mesmo apertando o cinto, estamos fazendo o pagamento mensal porque o sistema está sendo administrado pelo poder público. Se a situação mudar, pararemos o pagamento na hora.”

Finalizando o assunto, Viana deixou nas entrelinhas que pode surgir uma administração compartilhada entre Estado e município. Tudo, no entanto, vai depender dos resultados apresentados pelos técnicos.

SAÚDE - Isnard Leite e Jorge Viana também dialogaram sobre a municipalização definitiva da saúde. O governador lembrou que os primeiros passos foram dados no ano passado, quando o governo repassou sete centros de saúde na cidade e 31 postos na zona rural para o município.

A idéia, segundo os dois, é tentar consolidar o processo ainda este ano. Isso, no entanto, dependerá de estudos técnicos mais aprofundados.

INFRA-ESTRUTURA – Um dos problemas mais cruciais da capital, a infra-estrutura, também ganhou destaque especial na reunião. O prefeito e o governador disseram que foram delimitadas áreas de atuação e que um não atrapalhará o outro quando a proposta for a melhor para beneficiar a população.

“Ficou acertado que cada uma fará intervenção em locais determinados. Além disso, poderemos intervir coletivamente por meio de convênio. O importante é que houve uma aproximação entre as administrações para beneficiar a população”, comentou Isnard.

Jorge Viana afirmou que a relação extrapola o lado institucional, porque a população espera que haja esse espírito de cooperação permanentemente.

“Há uma disposição do prefeito de retirar os camelôs da frente do Palácio Rio Branco. Para isso, o primeiro convênio pode ser assinado ainda esta semana, quando liberaremos cerca de 250 mil para alojar os trabalhadores”, disse o governador.

Viana também negou que o recém-criado Departamento das Cidades e Habitação será um concorrente das administrações municipais. “O boato não procede. O Departamento servirá ajudar os prefeitos em tudo o que for possível.”

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