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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Os que chegam

A vontade popular expressa nas urnas de outubro volta a se cumprir amanhã com a posse dos novos deputados e senadores. O futuro do governo eleito no mesmo pleito depende em grande parte deles, delegados do eleitor para votar as novas leis, fiscalizar e acompanhar os atos do Executivo. Nos primeiros tempos, o presidente Lula contará com indulgência e boa vontade.

Este é um dos Congressos mais renovados (47,5%) das eleições recentes, ainda que boa parte dos “novos” não seja composta por estreantes, mas por profissionais da política que estavam em outras esferas da vida pública. Traz de volta caras e estilos conhecidos, como os senadores Antonio Carlos e Marco Maciel, e estrelas em ascensão meteórica, como as senadoras Patricia Gomes (PPS) , Serys (PT) e Ana Júlia (PT). Traz tipos caricatos como Enéas, do Prona, e veteranos que nunca tiveram mandato parlamentar, como Tasso Jereissati. Vasta e variada será a nova fauna, mas contra o velho diagnóstico de que a representação popular piora a cada legislatura, há sinais de que houve melhora na qualidade dos eleitos, embora só a prática dos próximos quatro anos possa confirmar ou desmentir esta percepção. Um destes sinais, a maior semelhança com a própria sociedade brasileira, inclusive na representação de gênero e cor. Haverá mais negros e mais mulheres. Os perfis individuais apontam melhora do padrão ético, com raros casos de deputados que já chegam com a “ficha suja”, até porque agora o mandato não propiciará imunidade para crimes comuns. Os estratos sociais aparentemente foram ampliados, com a garantia de assentos para empresários, sindicalistas, profissionais liberais, representantes de movimentos sociais e de corporações profissionais. Mas até onde a vista alcança, os lobbies organizados, que marcaram presença no Congresso desde a Constituinte (bancadas do tipo ruralista, financista, hospitalar etc.), perderão força para os partidos propriamente ditos, e assim é que deve ser. Mas isso também só a prática confirmará.

Ante um presidente altamente popular, e um governo com os índices elevados de aprovação, como é próprio desta fase inicial, o sinal de indulgência já foi dado na própria composição das Mesas do Congresso — por entendimento, e não através das disputadas sangrentas de dois anos atrás. Ou pelos discursos de boa vontade para com as reformas já enunciados pelos maiores partidos da oposição formal, como o PSDB, o PFL e o PPB. Em verdade, estão assuntando o vento, mas é enquanto o vento não muda que o presidente tem a grande oportunidade de aprovar suas reformas. Não pode errar nem perder tempo.

É de R$ 17 bilhões o corte no Orçamento que o governo está preparando para garantir o aumento do superávit. Prepare-se o Planalto para ouvir o primeiro arrulho do Congresso.

Ministro marginaliza informática

A “bomba atômica” foi apenas um factóide, mas agora o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, prepara um torpedo de repercussão negativa, a extinção da Sepin (Secretaria de Política de Informática), fundindo-a com a Secretaria de Política Tecnológica e Empresarial. O setor está perplexo e começará a reagir hoje mesmo, entregando ao ministro, em sua visita a Petrópolis, um documento de protesto.

Desde que o Brasil entendeu a importância estratégica da informática, nos anos 70, quando chegou a ser considerada assunto de segurança nacional, existiu sempre no aparelho governamental um órgão encarregado do assunto. Inicialmente a Capre, depois a SEI e o Conin, que implantaram a reserva de mercado, e finalmente a Sepin, com a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia no governo Sarney.

— É incompreensível que, numa hora em que se fala na retomada do desenvolvimento econômico e na formulação de uma nova política industrial, a informática seja relegada a um terceiro plano na hierarquia governamental, sob a alegação de que a atividade permeia as demais áreas de ação governamental. As ações sociais também são transversais e isso não impediu a existência de uma secretaria especial — diz Mauricio Mugnaini, presidente da Fenainfo (Federação Nacional das Empresas de Informática), uma das muitas entidades que subscrevem o documento.

O PPB elegeu ontem o deputado Pedro Henry como novo líder. Ele apoiou Lula desde o primeiro turno, o que deixa o partido à vontade para, em posição de independência, colaborar com a aprovação das reformas do governo. Depois de perder três deputados, o PPB ganhou três suplentes e manteve a bancada de 49. Foi o que menos perdeu, entre os grandes partidos. O troca-troca acaba hoje.

MAGALI, a personagem gulosa dos quadrinhos de Maurício de Souza, entrará na campanha contra a fome. Depois do lançamento do programa Fome Zero, o cartunista explicou pessoalmente ao presidente Lula seu plano. Arranjará patrocinadores para uma revista, tendo Magali como protagonista, que será distribuída nos postos de arrecadação do Fome Zero em troca de um quilo de alimento não-perecível.

LULA contou casos de Davos a amigos. No ano que vem, quer que lá discurse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Acha que ela fará o maior sucesso.

Tereza Cruvinel


cruvinel@bsb.oglobo.com.br
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