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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Patente de garrafada medicinal
acreana é registrada em Santa Catarina

Medicamento é o mais recente produto pirateado do Estado desde o látex, por ineficácia da lei de patentes

Como não é novidade para ninguém, são vários os produtos do Estado patenteados por espertalhões estrangeiros, e até mesmo brasileiros, que simplesmente aqui chegaram e levaram o que existia de melhor. O látex da seringa e a ayahuasca são os exemplos mais conhecidos. Agora, o último tesouro levado pelos biopiratas foi a Garrafada Natural de Fortalecimento do Ser Humano.

O medicamento, que serve para estimular o apetite e a potência sexual, foi patenteado por um laboratório catarinense. O criador da poção (quem já provou diz que provoca milagres) é Raimundo Nonato Pereira da Silva, que desde 1988 trabalha com o remédio e dá uma pista: “O ladrão chega como quem não quer nada, disfarçado de cliente”.

“Vendo para várias pessoas durante o dia”, continua ele. “É natural várias delas me perguntarem sobre como são feitos alguns medicamentos.Não fazia a mínima idéia de que alguém chegaria a fazer isso.”

Raimundo diz que ficou surpreso com a visita de um homem de aparentemente 32 anos, nessa última quarta-feira em seu ponto comercial, localizado na Praça da Bandeira, alegando que dentro de poucos dias receberá um documento impedindo-o de vender a garrafada sem autorização do laboratório.

“É um absurdo. Temos que pagar pelo que é nosso? Negativo. Assim que receber essa documentação vou denunciar. Há muito tempo trabalho com o remédio, tenho autorização para vender livremente e chega um estranho querendo decidir o que podemos ou não com o que nos pertence?”, desabafa.

Ele disse ainda que o estranho afirmou que a garrafada já está sendo exportada para outros países.

Situação desestimula mercado farmacêutico acreano

Raimundo, 36, é natural de Xapuri e diz que desde criança trabalha, pois como sua família não tinha boas condições financeiras, teve que ajudar nas despesas de casa. Hoje é casado e pai de seis filhos, que segundo ele, são todos saudáveis graças aos medicamentos naturais.

“Desde que eu era mais novo, aprendi a dar valor ao que ganho através do trabalho. Tento passar isso para meus filhos, tanto que os estimulo a trabalhar comigo quando não têm mais o que fazer. Todos cresceram muito saudáveis por usarem somente remédios naturais. Não só eles, mas também meus netos também já estão usando. Nunca permiti que qualquer um deles usassem remédios de farmácias que na maioria dos casos, só traz prejuízo.”

Ele ainda afirma que conheceu os benefícios dos remédios naturais, quando teve um problema de coluna e foi curado através deles. Depois disso resolveu estudar a fundo os benefícios de cada planta. Hoje tem um stand, a Casa das Plantas Medicinais Milagre da Floresta, onde só vende remédios naturais.

Por eles, diz o doutor Raízes, depois que Jorge Viana assumiu o governo, as pessoas começaram a se interessar mais. Pelo episódio que aconteceu esta semana, ele ficou parcialmente desestimulado.

“Isso foi algo que mexeu muito comigo. Nunca me imaginei diante dessa situação, agora fico só na expectativa. Esperar o que pode acontecer daqui pra frente”, ressalta.

Raimundo explica que 30% dos medicamentos que vende são de laboratórios regionais, e os 70 são de comprados diretamente de colonos e cooperativas da capital.

População reconhece benefícios de remédios naturais

Além de ser benéfico para a saúde, outra vantagem dos remédios naturais é que são muito mais baratos.

“Além de não ter qualquer produto químico, os remédios são bem mais baratos, diferente dos que são vendidos na farmácia que têm embalagens bonitinhas mas não resolvem o nosso problema”, disse a compradora Maria Antônia de Souza.

Segundo Josilene de Lima Ferreira, cliente assídua de Raimundo, sempre que está doente compra os remédios naturais.

“Os remédios de farmácias são muito caros, em sua maioria e só servem para aliviar a dor ou quando não, piora. Compro aqui há mais de três anos e todos os remédios que compro resolvem definitivamente o meu problema ou de minha família.”

O reconhecimento das pessoas é tanto, que Raimundo diz que as vezes o box fica muito cheio. “Fui obrigado a contratar um funcionário para me ajudar, já estava dando conta do atendimento.”

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