© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Estão patenteando o futuro

Já era de se esperar. Interesses econômicos internacionais esgueiram-se Amazônia com a sua velha cobiça, aquela mesma que destruiu as savanas africanas, reduziu a quase nada as estepes européias e agora vem ameaçando transformar o planeta num grande oceano, com o derretimento das calotas polares provocado pelo buraco na camada de ozônio.

Poucos perceberam, mas a espoliação do Acre vem de longa data. Começou com o látex da seringa. Anos depois, o açaí, recentemente a ayahuasca, o cupuaçu e agora - cúmulo de todos os absurdos - a garrafada do doutor Raízes.

Era só o que faltava? Não. Segundo os levantamentos do Sistema de Vigilância na Amazônia (Sivam) há no Acre cerca de 10 milhões de espécies animais e vegetais, grande parte ainda desconhecida da ciência e da economia multinacionais (caso não se trate da mesma coisa).

A simples menção desse dado deveria remeter o poder público, em todas as suas esferas e subdivisões, a criar um mecanismo prático de proibição, ou mesmo retardamento, desse galopante processo de registro de patentes. Até porque é absurdo, cômico se não fosse trágico, que o Japão consiga o registro do cupuaçu como seu, por exemplo.

É necessário também abolir o discurso vazio, aquele não seqüenciado por ações reais e imediatas. Causas suprapartidárias, como essa, urgem uma providência definitiva, não porque dizem respeito a todos os acreanos, mas porque tratam do futuro da humanidade.

A menos que tenham esquecido que a Amazônia é a última reserva natural do mundo.

Colunas
Cotidiano
Expediente
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal