
Presidente da Umamrb quer “ver para crer” acordo entre governo e prefeitura
Gustavo Lima
Presidente da União Municipal das Associações de Moradores de Rio Branco (Umamrb) desde 11 de novembro de 2001, Gilson Albuquerque, 37, assumiu o cargo na condição de 2º vice-presidente em fevereiro do mesmo ano. Como o presidente e o 1º vice foram afastados, ele assumiu o cargo automaticamente.
Segundo o presidente, a entidade tem como objetivos assessorar suas afiliadas nas reivindicações, fazer acompanhamentos, participar das reuniões de comunidades dos bairros, promover cursos sobre orçamento participativo, estatuto da cidade, controle social e participação popular.
Gilson disse que no ano passado foi realizado o 1º curso de Polícia Comunitária para presidente e líderes de associações de bairros. Na semana passada aconteceu o término de 2º curso, onde participaram 23 bairros. Esses cursos são feitos através de uma parceria com as polícias Civil e Militar.
Quando começou a presidir a Umamrb, Gilson afirmou que passou por várias dificuldades, chegando a trabalhar, inclusive, no porão do Palácio das Secretarias. Segundo ele, quando entrou havia apenas cinco associações legalizadas, hoje são mais de 100.
No final de 2001, ficou acertado que o governo do Estado construiria a nova sede da Umamrb, que hoje funciona no Parque da Maternidade. No mesmo prédio estão instalados ainda a Central de Movimentos Populares (CMP), a Federação das Associações dos Moradores do Acre (Famac) e federações esportivas. Há ainda um auditório com capacidade para 60 pessoas sentadas.
Foi feito um convênio com o governo do Estado, no ano passado, no valor de 25 mil reais, visando a melhoria da entidade através da aquisição de equipamentos.
Afirmando que a Umamrb está sempre em contato direto com o governo, ouvindo e dando sugestões, o presidente Gilson Albuquerque cedeu entrevista ao Página 20.
Qual a sua opinião a respeito do acordo assinado entre o prefeito de Rio Branco Isnard Leite e o governador Jorge Viana?
O governo tinha repassado à prefeitura, no ano de 2001, 540 toneladas de asfalto para que ela pudesse fazer um trabalho em parceria com as associações dos bairros mais carentes e de difícil acesso. Acontece que o prefeito não fez nenhum acordo com agente, mesmo com a nossa insistência, e tivemos que esperar mais de um ano para podermos conseguir uma reunião. Somente em outubro do ano passado é que o prefeito Isnard Leite se comprometeu em votar o orçamento de 2001, que não foi aprovado até hoje. Nenhuma melhoria foi feita nos bairros carentes como reformas de ruas, construção de praças, nem o essencial que é a pavimentação de ruas. E o orçamento de 2002 já foi aprovado na Câmara de Vereadores. No meu ponto de vista o prefeito só procurou o governo porque a prefeitura está falida. Eu acho muito válida a idéia do governo de criar a Secretaria das Cidades que atuará nos bairros, mas nem por isso a prefeitura deverá se omitir mais ainda.
Para o senhor quais as prioridades dessa parceria repentina após uma rivalidade tão grande vivida nas eleições de 2002?
Como eu já disse a maior reivindicação hoje é a pavimentação das ruas dos bairros da periferia. A violência em Rio Branco já passou dos limites e essa questão é da alçada da Secretaria de Segurança Pública, mas como a polícia vai agir na periferia se não há acesso para entrar nos bairros? O indivíduo paga impostos, paga taxas, mas infelizmente os benefícios não são repassados à população. Nós temos que nos conscientizarmos dos nossos direitos de cidadãos. O governador sempre quis uma parceria com a prefeitura, mas ela nunca se interessou. Agora que passa por dificuldades, procura ajuda. Por isso nós vamos procurar o governo para nos interarmos a respeito dessa parceria sua com a prefeitura de Rio Branco.
Quer dizer então que a prefeitura não tem recursos para viabilizar projetos sociais, pelo menos por enquanto?
Eu acredito que ela não tem recursos para executar o orçamento que foi votado em 2001. Inclusive o orçamento de 2002 já foi aprovado e tem que começar a ser executado agora no verão. Eu tenho conhecimento de obras de 300 mil reais que não foram executadas. O prefeito disse em outubro de 2002 havia disponibilidade de arranjar recursos, mas até agora, nada. O que se vê pela capital são buracos, ruas em péssimas condições, falta de iluminação pública, entre outros. Portanto, para mim, esse dinheiro não existe mais.
Há problemas demais e recursos de menos... Isso quer dizer que a população dos bairros periféricos fica à mercê de acordos políticos?
Bem, a situação de milhares de rio-branquenses está muito complicada, agora eu não sei se a solução seria esse tipo de parceria, uma vez em que o governo se já havia se disponibilizado a entrar num acordo e a prefeitura se recusou. O carro chefe é a pavimentação, mas há também a falta de iluminação pública, alagação durante o inverno e mais uma série de transtornos que o cidadão que paga seus impostos é obrigado a passar no seu dia a dia. De 142 bairros inseridos no orçamento de 2001, apenas 44 foram contemplados com pavimentação, abertura de ruas, construção de pontes, abrigos de ônibus, reformas de escolas, além de outras benfeitorias.
O senhor disse que o orçamento de 2002 já foi aprovado. Será que haverá o repasse, ou acontecerá o mesmo que no ano passado?
Aprovado ele foi, agora nós estamos esperando ele ser executado. A gente tem que acreditar, mesmo sendo difícil, que as coisas vão melhorar aqui na capital, senão nossa luta perde o sentido. O orçamento de 2001 foi de 5,5 milhões de reais, o de 2002 é de 6,5 milhões previstos. O prefeito Isnard Leite disse que após o 2º turno das eleições o governo federal iria liberar uma verba, que até agora ninguém sabe onde está. Fora os 5,5 milhões aprovados no ano passado, mais 16 milhões, provenientes de emendas, foram repassados pelo governo federal à prefeitura da capital.
A Umamrb já pressionou a prefeitura para retirar as pessoas dos locais condenados pela Defesa Civil?
Não precisa nem da gente pressionar, desde 1978 essas pessoas são retiradas de suas casas e deslocadas para outros locais. Porém acontece que não há um controle da situação após a solução momentânea do problema, ou seja, sem assistência, essas famílias retornam aos seus antigos endereços após passar o perigo das alagações. Ao meu ver, deveria haver uma fiscalização maior quanto a isso, já que o problema acontece quase todos os anos.
Quais suas expectativas para as eleições para prefeito de 2004?
Eu tenho conversado muito com o pessoal e o que tenho notado é a insatisfação das pessoas com a Câmara de Vereadores. Só para citar um exemplo, o aumento da tarifa de ônibus que revoltou a população, os vereadores deixaram isso acontecer. Há uns dois ou três que se prestam a manifestar em defesa dos menos favorecidos, mas o resto fica omisso. Como administrador o prefeito Isnard Leite deixou a desejar. Para mim, ele ainda não assumiu a prefeitura, já que não mudou sua assessoria. O Mauri Sérgio foi o pior prefeito que Rio Branco já teve, e o Isnard está indo para o mesmo rumo.