COTIDIANO

Ciência solidária

Pesquisas da Funtac levam ao desenvolvimento de produtos e serviços que estão gerando emprego e renda para a população

Juracy Xangai
César Dotto: “São projetos de
resultado rápido para a população”


Juracy Xangai

Pequenos produtores rurais e seringueiros, bem como as marcenarias e cerâmicas de Rio Branco estão na lista dos principais beneficiados com a liberação de R$ 1,36 milhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para financiar pesquisas que já estão em andamento na Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac).

A boa notícia está sendo comemorada pelo diretor presidente da Funtac, César Dotto, sendo este o primeiro aprovado numa série de 24 pedidos de financiamento enviado por várias instituições do Acre ao BNDES.

“A aprovação de nosso projeto, sem que tenhamos de devolver o dinheiro, aconteceu porque seu resultado final se destina aos pequenos produtores que irão gerar emprego e renda em vários setores que beneficiam nossa matéria-prima local. Ou seja, esses são negócios de interesse social”, esclareceu Dotto. Tanto que esse dinheiro foi liberado através do Programa de Investimentos Coletivos Produtivos (Proinco) e faz parte de um pacote de R$ 2,8 milhões com o restante sendo repassados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, Finep e Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Para isto foram priorizados os setores madeireiro, moveleiro, cerâmico, os fitoterápticos e fitocosméticos, mais o geoprocessamento de dados do sensoriamento remoto via satélite.

“Cada projeto trabalha com pesquisas específicas, que no final se interligam pelos resultados sociais que vão beneficiar diretamente a população. No caso da madeira daremos continuidade a análise física desta matéria prima testando sua resistência e qualidades que determinam sua aplicação. Neste caso daremos preferência à produção de móveis com um desenho local. Também teremos um setor para fazer teste de resistência desses móveis para que possamos colocar no mercado produtos que conquistem a confiança dos consumidores”.

O desenho dos móveis, sempre com uma identidade regional, será desenvolvido pelo núcleo de design do Pólo Moveleiro e terá como foco a utilização de madeira certificada que é extraída através do manejo comunitário da floresta.

Saúde e beleza

No laboratório de produtos naturais é que estarão sendo pesquisadas as sementes nativas da floresta, como também os fitocosméticos e fitoterápticos. “Temos uma grande quantidade de essências e ervas já extraídos da floresta porque a cultura popular os consagrou como medicamentos ou como produtos de beleza. Neste caso nosso trabalho será o de testar a verdade contida nisso e, principalmente, garantir e certificar a qualidade dessa matéria prima e dos produtos que sejam feitos com ela”.

Para isso a Funtac estará investindo em equipamentos, treinamento de pessoal especializado, além de cadastrar seu laboratório junto às principais instituições certificadoras do país para que seus laudos, sobre os produtos, possam ser oficialmente reconhecidos. “Isto vai garantir a qualidade de nossos produtos, facilitará a organização da produção e vai oferecer mais confiabilidade aos consumidores agregando valor ao produto que deixará de ser comercializado como matéria prima bruta”.

Da terra

Numa parceria com o Serviço de Apoio Às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac) que vem trabalhando um arranjo produtivo local voltado ao setor cerâmico, a Funtac estará reforçando suas pesquisas nessa área. Isso começa pela localização e pesquisa da qualidade das jazidas de argila existentes na região, quais as de melhor acesso e menor impacto ambiental, combina coes dos vários tipos de terra, melhoria do tijolo e desenvolvimento de novos produtos como telhas, manilhas, pisos, revestimentos e objetos decorativos ou utilitários. “Este é um setor que se caracteriza pelo uso exclusivo de matérias-primas locais que geram uma grande quantidade de empregos e renda, mas precisam solucionar problemas que vão de questões ambientais até a necessidade de modernizar os equipamentos, melhorar o sistema de funcionamento das cerâmicas para economizar energia e tempo. Características fundamentais para que nossas empresas sejam mais eficientes e produtivas”.

Olhar via satélite

Em meados da década de 80, o Acre era um pioneiro no sensoriamento remoto que utilizava satélites para vigiar áreas de preservação ambiental e queimadas ilegais. Mas aquelas fotos e mapas servem para muito mais que isso, conforme explica Dotto: “O sensoriamento remoto oferece dados para que nosso setor de geoprocessamento produza informações mais precisas sobre todo o Acre. Isso é uma ferramenta muito importante para podermos fazer planejamentos e projetos de ramais, mapas de cidades, rios ou igarapés onde poderemos instalar mini-usinas para a geração de energia, ou o controle de queimadas, como está mais Dotto lembra que essas informações ficam disponíveis para o governo do Estado e o setor privado, tendo em vista que ela tanto serve para os interesses do setor público quanto privado com seus projetos econômicos agroflorestais e industriais que impulsionam o desenvolvimento regional.

Concluindo, César Dotto esclareceu que todos os projetos que estão sendo desenvolvidos pela Funtac nesta linha de recursos estão voltados ao desenvolvimento respeitando a vocação produtiva regional com foco na justiça social. “A idéia é desenvolver produtos e serviços capazes de produzir resultados que cheguem mais rapidamente à população ao gerar ocupação que democratiza a distribuição da renda com dignidade para as famílias”.

 

 
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Rio Branco-AC, 20 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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