OPINIÃO
   OPINIÃO

Benedita Enildes de Campos Corrêa

 

Violência interna: quem está olhando para ela?

É preocupante a crescente onda de violência que vemos acontecer nos dias atuais, principalmente nos centros urbanos. Constata-se que há uma expectativa e uma cobrança por parte da população para que as autoridades providenciem soluções do tipo “fast food”, como se fossem super heróis dos desenhos animados, que num passe de mágica pudessem resolver os problemas e restabelecer, imediatamente, a ordem um tanto quanto ameaçada. Enquanto isso, bem poucos assumem a responsabilidade individual na criação de uma sociedade mais saudável e pacífica.

A conclusão que se chega após análise do contexto atual é de que a sociedade, de forma geral, está doente. A explosão, já sem controle da violência, bem como a degradação do meio ambiente revelam essa verdade incontestável por quem quer que seja. Criticamos os políticos pelo descompromisso com a questão social, ambiental, da segurança, entre outras coisas, mas por outro lado, eles são reflexos dessa nossa sociedade desestruturada e desamorosa, que tem tido um perfil muito mais de inimiga do que amiga da vida.

Houve um grande avanço tecnológico no mundo contemporâneo, porém não foi seguido de uma elevação no nível de consciência da humanidade. A consciência ficou para trás. E os resultados estão ai: ódio crescente entre nações, intolerância religiosa, racismo, violência urbana e rural, degradação do meio ambiente, corrupção política e por aí vai. Exemplos não faltam...

A sociedade é composta pelas pessoas. O desequilíbrio que vemos fora é o resultado do desequilíbrio interno dos seres humanos que a compõe. Tudo na vida é contagioso, seja a vibração de paz ou de desarmonia de uma única pessoa. Se quisermos uma sociedade pacífica, um dos passos fundamentais tem que ser dado dentro de cada pessoa, na conquista da paz interior. Dessa forma, poderemos criar um ambiente que favoreça a expansão da paz ao invés da violência, como tem acontecido.

É muito simples e fácil ver a violência externa e apontar culpados lá fora e nos eximir de toda e qualquer responsabilidade nesse processo. A dificuldade maior é nos recolher, ter a disposição de ir para dentro de nós mesmos, olhar e investigar o caos interno. Infelizmente, quase ninguém tem interesse e coragem para olhar e assumir seus desequilíbrios, suas fraquezas e a violência, em maior ou menor grau, que carrega dentro de si, reprimida ou não. E sem assumir e aceitar o nosso desequilíbrio torna-se difícil um retorno ao estado de equilíbrio e harmonia. Se eu me negar a enxergar o meu descompasso não será possível intervir naquilo que está fora do prumo. Isso tem que ser compreendido.

O combate e prevenção à violência terão que ter, obrigatoriamente, mão dupla, uma via em nível externo e outra em nível interno. É preciso, por exemplo, desarmar a população? Isso é óbvio. Mas há que se procurar diminuir, também, o nível de agressividade dos indivíduos e desarmá-los internamente, caso contrário, recolhem-se as armas hoje e as pessoas vão se armar amanhã novamente, pois a causa do distúrbio não foi solucionada.

Para curar a sociedade será necessário tratar a parte mental das pessoas. Como controlar o desequilíbrio e a insanidade mental das pessoas, sendo que a nossa própria sociedade do jeito que é contribui para a formação desse quadro? Como e com quem fica esta parte, talvez a mais difícil de ser resolvida, do problema da violência?

A situação atual em relação à escalada da violência requer um olhar amplo e profundo em várias direções por parte das autoridades, como também de todos nós cidadãos comuns, começando por olhar, investigar, compreender e tratar a violência presente dentro de cada um de nós. Esta valiosa contribuição todo indivíduo pode e deveria dar a si mesmo, à família, à sociedade, à Vida.

* Administradora e Terapeuta Corporal e professora de massagem ayurvédica tradicional

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 21 de março de 2004
 COTIDIANO
 COLUNAS
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
P E S Q U I S A