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Hoje é o Dia Mundial da Água

Acreanos assistem às transformações de seus mananciais hídricos. Mas o que fazer para mudar a ação destruidora nos rios e igarapés?

Marcos Vicentti
Grande quantidade de água é desperdiçada em ações como
lavar calçadas e ruas


Val Sales

Enquanto uns defendem com afinco a preservação dos mananciais hídricos do Estado, outros se mantêm na contramão e preferem assistir indiferentes ao desperdício de água potável e poluição dos rios e igarapés, que se tornaram cenas comuns do cotidiano.

Apesar do alerta dos especialistas sobre o efeito da destruição desses recursos para a humanidade, uma parcela significativa da população ainda ignora o perigo da escassez dos mananciais e fecha os olhos para o estrago da água que derrama das torneiras e reservatórios domiciliares.

Para comprovar essas afirmações não precisa se embrenhar pela periferia de Rio Branco. Basta observar a quantidade de lixo jogado nas margens dos igarapés e o desperdício de água nos domicílios. No entanto, muitos grupos se levantam em defesa da preservação do meio ambiente e da conscientização geral em relação à importância da água como fonte de vida.

Para provar que a conscientização ainda é possível, um grupo de ambientalistas se levanta em defesa da preservação e realiza hoje uma “barqueata” envolvendo os produtores rurais do Catuaba e Belo Jardim. A caravana marítima subirá o rio colhendo o lixo jogado nas margens do manancial e encerrará a atividade às 16 horas, com uma manifestação no Calçadão da Gameleira. Eles contam com o apoio do Imac, Ibama, Semeia, Secretaria de Estado de Educação, Caixa Econômica Federal e gabinete do senador Tião Viana e Nilson Mourão, além da Associação dos Amigos do Rio Acre.

O articulista político e árduo defensor do meio ambiente Abrahim Farhat, o Lhé, lembrou que o objetivo da “barqueata” é difundir os conceitos e práticas ambientais para uma conscientização sobre a importância da água para o ser humano. Segundo ele, a população está observando o rio Acre com olhar de filho pródigo. “Somos ingratos. Foi ele que trouxe os nossos antepassados e é o único que comanda a vida no Vale do Acre. Ele é internacional e revolucionário”, completou.

Outro evento alusivo à data vai acontecer às 19 horas, no hall da biblioteca da Uninorte. Trata-se do pré-lançamento do livro “O Deslizamento dos Barrancos do Rio Acre: Causas e Efeitos”, escrito pelo geógrafo Thaumaturgo Peres de Almeida, pós-graduado em perícia ambiental. Na oportunidade, ele estará ministrando uma palestra sobre o conteúdo da obra e abordando a lei nº 9.433\97 de Política  Nacional  de Recursos Hídricos, Gestão  ambiental, Diagnóstico, Planejamento Ambiental  e  monitoramento.
Uma segunda palestra será proferida pelo engenheiro sanitarista e ambiental Júlio César Matos. Ele falará sobre a contaminação das bacias
hidrográficas, saneamento   ambiental e Programa de Combate ao Desperdício de Águas. O evento é realizado pelo Departamento Estadual de Águas e Saneamento (Deas), Uninorte e gabinete do senador Tião Viana.
Segundo Thaumaturgo, a água representa uma parcela mais importante para o consumo humano, e mesmo assim vem se deteriorando progressivamente em conseqüência da degradação ambiental causada principalmente pela desordenada ocupação do solo. Para ele, será necessária a busca de modelos de gestão dos recursos hídricos, levando em consideração cada vez mais sua interação e integração com os demais recursos ambientais. “O manancial superficial é a fonte para o suprimento de água, sendo que os mananciais superficiais são geralmente constituídos pelos córregos, rios, lagos e represas”, explica em sua palestra.

Fatores que alteram a qualidade dos mananciais

Urbanização, crescimento demográfico ou aceleração de ocupação urbana, erosão e assoreamento, recreação e lazer, indústrias e minerações, resíduos sólidos, córregos e águas pluviais, resíduos agrícolas e esgotos domésticos.

“Os mananciais, de um modo geral, vêm sofrendo degradações em suas bacias hidrográficas, principalmente devido ao avanço da malha urbana, com um desenvolvimento desordenado associado à carência de coleta e tratamento de esgoto”, ressalta o geógrafo. Com isso, segundo ele, aumenta a deterioração da qualidade de água bruta, trazendo como conseqüência o aumento do consumo dos produtos químicos utilizados para o tratamento de água, com reflexos na qualidade do produto tratado. “Para os casos mais graves, há necessidade de tratamento avançado das águas ou até mesmo ocasionando a inviabilidade técnico-econômica da utilização do manancial para o abastecimento público”, assegurou.

Medidas de caráter preventivo

- Zoneamento: definição de usos para as diversas áreas de uma bacia hidrográfica, compatível com infra-estrutura sanitária e com a capacidade do meio de absorver as cargas poluidoras.

- Definição de áreas especiais de proteção: estabelecimento de restrições quanto à ocupação, como por exemplo matas ciliares, áreas de vegetação abundante, encostas, áreas de recarga de aquíferos, alagados e pântanos.

- Estabelecimento de faixas sanitárias de proteção: disciplinamento dos usos do solo localizados às margens dos mananciais, visando a sua preservação.

Ações de proteção dos mananciais

Ordenamento conceitual para o aproveitamento dos recursos hídricos e dos mananciais.
Avaliação dos recursos hídricos e dos mananciais.
Proteção dos recursos hídricos, da qualidade das águas e dos ecossistemas aquáticos.
Saneamento ambiental e reabilitação dos mananciais.
Desenvolvimento urbano sustentável.
Aperfeiçoamento e atualização da capacidade técnico-gerencial.
Fiscalização integrada.

Veja a tabela


 

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Rio Branco-AC, 22 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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