COTIDIANO

O peixe nosso de cada dia

Produtores do Bujari investem na piscicultura e esperam faturamento alto durante a Semana Santa

Juracy Xangai
Filhotes de melhor qualidade
são essenciais para o
desenvolvimento dos peixes


Juracy Xangai

Sob as cinzas da folia carnavalesca começa a Quaresma, período em que, de acordo com a tradição, todo cristão deveria abster-se de carne vermelha e comer peixe, especialmente na Sexta-feira Santa, dia da morte de Cristo, antecedendo a bonança festiva da ressurreição no domingo de Páscoa.

Apoiados pela prefeitura do Bujari, Serviço de apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AC) e a Fundação Banco do Brasil, os pequenos produtores do pólo agro-florestal dom Moacir acreditaram e investiram na piscicultura que está produzindo lucros e melhorando a qualidade de suas vidas.

Um dos exemplos desse sucesso é Elder Campos, 29 anos, pais de quatro filhos, morador do Rancho e Piscicultura Vitória, nome que celebra a realização de um sonho, o de ter seu pedacinho de chão.

Criado numa colônia, aos 17 anos foi servir ao Exército, ao fim do serviço sobreviveu de bicos e manteve à custa de muita luta e desilusões uma escolinha de futebol no Bujari. “Sempre gostei dos esportes, mas meu sonho era voltar para colônia, só que não tinha dinheiro para isso, quando consegui este lote vendi tudo o que eu tinha e investi aqui, não era muito, mas era o suficiente, nestes três anos suei muito para tirar dinheiro destes sete hectares, mas hoje vivo melhor e muito mais satisfeito do que vivia na cidade”.

Além do roçado, horta coberta e pomar, mais de 2,5 hectares o que equivale a quase metade de sua propriedade, está coberta pelas águas dos seis açudes onde cria oito variedades de peixes, sem contar com as traíras. “Depois da gente receber treinamentos oferecidos pelo pessoal do Sebrae, ganhei 20 horas de trator da Fundação Banco do Brasil e financiei outras 120 horas para construir os açudes. Isso nos ajudou muito, mas tivemos que aprender algumas coisas apanhando da natureza e do mercado”.

Dentre as “surras” a que se refere Elder, uma foi o fato de que ao alimentarem seus peixes com ração eles produzem uma carne muito mais sadia, firme e de melhor sabor, mas a um custo maior do que aqueles que criam oferecendo buchada e outros restos animais para seus peixes. “Na hora que a gente levava nosso produto para o mercado, as pessoas não pareciam estar muito preocupadas com a qualidade, mas apenas com o preço, isso foi triste pra nós, mas não desistimos e encontramos a farinha de carne como alternativa para baixar o custos e garantir a qualidade da carne que vendemos”.

Tradicionalmente, eles “peixam” seus açudes com alevinos (filhotes) do tamanho de uma chave. “O problema é que a gente não tem idéia da idade deles quando vemos aqueles peixinhos daquele tamanho todos parecem ser novos. Por causa disso, muitos tiveram prejuízos porque recebemos alevinos encruados, o que fez com que demorassem muito para crescer e engordar. Isso aumentou o gasto com ração e até deu prejuízo para algumas pessoas”, relata o piscicultor.

Questão de confiança

Para resolver este problema, Elder passou a comprar larvas (filhotes recém nascidos) do Júlio Vasconcelos da Piscicultura Nordeste e do “Goiano” dono da Boutique do Peixe. “Eu trago as larvas para cá e crio com todo cuidado. Desta maneira nós conseguimos saber qual é a idade exata dos alevinos. Os produtores confiam mais neste sistema porque os peixes novos crescem e engordam mais rápido”.

Neste momento, Elder está com 300 mil alevinos de tambaqui, curimatã, piau-açu, pacu, tambacu, pirapitinga e tilápia. “O pessoal está vendendo o milheiro de alevino de curimatá a R$ 500 e eu vendo de 300”. Neste momento está cuidando de mais de 500 mil larvas que logo estarão povoando os açudes da região. “Vendo os alevinos para quem quiser, atendo pelo telefone 9976-5648 e entrego em domicílio”. Tem ainda, mais de dois mil tambaquis com peso médio de um quilo cada um, prontos para serem saboreados nas mesas cristãs da Quaresma e Semana Santa.

 

 
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