| OPINIÃO | ||
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Diones Assis Salla * |
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| Trinômio do desaquecimento: manutenção da floresta amazônica/estoque de biocombustíveis/abandono da energia fóssil Seja pela perspectiva multidimensional, seja pelo senso do prioritário, seja pelo aguçamento do discernimento não há nada mais imprescindível, para sustar o aquecimento global, do que estocar carbono em quantidades superiores ao que está sendo emitido para a atmosfera. Já dispomos de cientificidade e de criticidade suficientes para propor novos enredos para a sustentabilidade: “desmatamentos nunca mais”. É preciso livrar-se da idéia de que necessitamos mais espaços para plantar, até porque estamos produzindo alimentos em quantidades superiores à capacidade de consumo. Se ainda existem pessoas passando fome no Brasil, morrendo de fome na África e morrendo de obesidade nos Estados Unidos, a causa é de outra natureza. A capacidade de produção e de consumo de energia em um determinado ecossistema não obedece, necessariamente, as valorações adotadas em economia. Seguir a lógica do balanço de carbono envolvido na produção ou síntese dos carboidratos é um caminho promissor. O carbono retirado da atmosfera pelo processo da fotossíntese, associado ao tempo em que ficará imobilizado nas biomassas ou nos biocombustíveis e a quantidade devolvida para a atmosfera durante o processo da oxidação (queimadas, fermentação etc), é que vai repercutir diretamente no desaquecimento global. A energia convertida pelas hidrelétricas, pelas placas solares, pelos parques eólicos e pelas usinas nucleares não envolve a emissão de carbono para a atmosfera, nem tampouco promovem sua retirada. É o que conhecemos como produção de energia limpa. Sendo assim, essas fontes não interferem diretamente no aquecimento ou no desaquecimento global, apenas repercutem significativamente quando utilizadas em substituição à energia de origem fóssil. Para trazer de volta os excessos de carbono da atmosfera, responsáveis pelo aumento da temperatura do planeta e, por conseqüência, pelas catástrofes ecológicas em curso, a obtenção de energia a partir da biomassa é uma alternativa inevitável. Evidentemente que esse processo estará associado à manutenção dos estoques de carbono das florestas e à suspensão do uso dos combustíveis de origem fóssil. São fragmentos que, mesmo desconexos, se interligam. Não há dúvidas, o próximo enredo a conduzir o desfile das ações humanas, capaz de levantar a arquibancada das futuras gerações, terá como refrão: “combustíveis fósseis nunca mais”. Além do mais, para que a quantidade de carbono retirada da atmosfera - produção da biomassa - seja maior do que aquela devolvida durante a combustão dos biocombustíveis se faz necessário estocar parte do produto obtido. Depositar ou deixar de utilizar um percentual dos biocombustíveis produzidos é o mesmo que reeditar o processo de formação do petróleo. Esses estoques, que a princípio tendem a crescer cada vez mais, podem ser mantidos por um mercado de ações, pois diante da necessidade urgente de reduzir as emissões de carbono serão enormemente valorizados. Pelo caminho dos biocombustíveis, o Brasil pode tornar-se a OPEP dos estoques de carbono, podendo dar início à era do pós-petróleo e provar que o etanol oriundo de biomassas é, no presente, o melhor combustível que o dinheiro pode comprar. No entanto, pelo modo como está sendo conduzido, dando exclusividade aos extensos monocultivos da cana-de-açúcar e virando as costas às pesquisas com a mandioca, produto de origem brasileira, certamente não logrará o êxito desejado. As barreiras que por ventura os países importadores terão em relação aos produtos brasileiros estarão orientadas à apresentação do “selo verde” e à responsabilidade social do segmento produtivo. Argumentos dessa natureza já são freqüentes na França, que pressiona a Comissão Européia para limitar a entrada do etanol brasileiro no mercado comunitário. Do mesmo modo, o Partido Verde da Suécia ao celebrar contratos de compra do etanol brasileiro, faz restrições às condições de trabalho e sugere que seja adotado um selo de certificação de que o etanol é produzido em condições ambientais e sociais aceitáveis. A queima do bagaço e da palha da cana-de-açúcar para produzir energia melhora enormemente o balanço energético em favor da cultura, mas cria distanciamentos a outros cultivos potenciais, a exemplo da mandioca. Tentar, a qualquer custo, viabilizar a produção de energia a partir da queima do bagaço e da palha da cana-de-açúcar é, antes de tudo, uma necessidade de justificar a grande massa vegetal que é transportada para a indústria, sem utilização objetiva, a qual, ao invés de ser queimada, deveria permanecer no agroecossistema, como é feito com a parte aérea da mandioca que é deixada no solo para proteção, estruturação, fertilização e manutenção das atividades biológicas. Queimar o bagaço e a palha da cana-de-açúcar pode melhorar a produção e o balanço de energia em favor da cultura, mas devolve por oxidação instantânea grande quantidade de carbono à atmosfera. Para concluir, a produção brasileira de álcool (etanol) a partir de biomassas não pode ficar restrita à cana-de-açúcar, pois esta, nos moldes atuais de produção, não apresenta sustentabilidade social e ambiental. O ingresso da mandioca na produção de etanol trás um novo entendimento com o meio onde vivemos, possibilita uma revisão das políticas setoriais para produção de biocombustíveis e faz a inclusão sócio-ambiental ainda ausente no segmento sucroalcoleiro. * Dontorando em Energia pela Unesp/Botucatu |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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