COTIDIANO

Recuperação das água do Judia

Binho anuncia início das obras de revitalização de igarapé ameaçado pela poluição

Secom
Binho Marques assinou decreto
de criação do Grupo de Trabalho encarregado de aplicar a lei nº 1.500/2003


Juracy Xangai

A liberação de R$ 500 mil para a revitalização do igarapé Judia faz dele o piloto das ações que serão realizadas para recuperar as nascentes e margens do Rio Acre e demais bacias do Estado, conforme anunciou o governador Binho Marques.

O anuncio aconteceu durante as comemorações do Dia Mundial da Água, logo depois da assinatura do decreto de criação do Grupo de Trabalho encarregado de elaborar em 90 dias o Plano Estadual de Recursos Hídricos que será submetido ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cema), que irá normatizar a aplicação da lei número 1.500, pendente desde 2003.

Além de ordenar o uso dos recursos hídricos do Estado, ele irá orientar o programa de recuperação e conservação de nascentes e matas ciliares tendo como ação estratégica o envolvimento das prefeituras e a mobilização de toda a comunidade para que produza resultados efetivos nos próximos quatro anos.

“Nosso objetivo é conseguir fazer do Acre o melhor lugar para se viver na Amazônia, por espero que esse dia permita que a gente chegue a 2010 tendo feito o bastante pela recuperação e preservação de nossos mananciais de água. Mas, para que isso se torne realidade, precisaremos contar com mobilização de cada pessoa de nossa comunidade”, esclareceu Binho.

Quanto à escolha do igarapé da Judia como piloto desse trabalho que irá se estender por todos os municípios, ele esclareceu que, em primeiro lugar, por meio dos projetos de saneamento apresentados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) através da Funasa, foi aprovado recurso da ordem de R$ 189,2 mil, aos quais o governo do Estado acrescentou mais R$ 300 mil para que os trabalhos sejam realizados ao longo deste ano de 2007.

Ele será o laboratório por se tratar de um curso d’água que têm diferentes nascentes, corre por diferentes municípios, em diferentes ambientes e sob condições diferentes para chegar com suas águas em condições precárias ao Rio Acre.

“Isso permitirá testar a eficiência de nossos trabalhos e adaptá-los às diferentes situações existentes em nossa região. Mas o grande desafio mesmo,será promover todo esse trabalho de revitalização de nossas nascentes e igarapés envolvendo sempre toda a comunidade, especialmente os jovens, para a questão ambiental com propostas alternativas para a criação de atividades que ocupem e gerem renda”.

A presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Cleísa Cartaxo foi enfática. “Com a criação do Grupo de Trabalho, estaremos colocando em prática a lei 1.500/2003, dando origem a um plano estadual de proteção e conservação dos nossos recursos hídricos. Começaremos trabalhando no igarapé Judia e, ao mesmo tempo, iremos desenvolvendo nossas ações para proteger e recuperar os demais tributários do Rio Acre, sempre por meio de pactos com a comunidade”, disse.

Já o secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Leite, afirmou que a liberação desses recursos para trabalhar a recuperação e a preservação do igarapé da Judia é uma boa notícia.

“Mas, para isso, é preciso mais que cuidar do igarapé, pois sua qualidade depende de oferecer a orientação correta às várias atividades produtivas e à ocupação desordenada que acontece ao longo de suas margens. Já ao longo da bacia do Rio Acre, um dos problemas mais graves é que a maioria dos açudes represa igarapés, impedindo que a água possa chegar até o rio, que vai minguando a cada ano”, afirmou.

Binho, Cleísa e Arthur deixaram claro que tão ou mais importante que as técnicas e o dinheiro para promover a recuperação das nascentes e margens dos rios e igarapés é a educação ambiental para a conscientização das pessoas de que a água é um recurso vital para todos e que não é infinito, como até há bem pouco tempo se pensava.

Comunidade em ação

Exemplo prático dessa convocação que está sendo feita por Binho é a Associação Vertente, uma Organização Social Comunitária de Interesse Público (Oscipe) que vem atuando em duas áreas distintas e tem como foco a preservação ambiental.

Estudante do curso de direito da Uninorte, Rodrigo Cunha é um dos militantes da Vertente. “Estamos atuando há três anos na Área de Proteção Ambiental do Lago do Amapá, onde trabalhamos o plano de manejo começando pelo fortalecimento da associação dos moradores e para a melhoria da qualidade de vida da comunidade, reforçando o espírito cooperativo e orientado a geração de renda para dar sustentabilidade à proposta ambiental”, afirmou.

A segunda ação está voltada às atividades lúdicas desenvolvidas junto ao Som da Floresta, que, entre outras atividades, mantém uma orquestra de crianças que, em coro de voz e instrumentos feitos com os mais diversos frutos, sementes e madeiras naturais, realiza verdadeiros concertos musicais, ao mesmo tempo em que trabalha a conscientização da necessidade de preservar o meio ambiente.

 

 
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