COTIDIANO

A poesia como arte de vida nas linhas de Walquíria Raizer

Ela lança o primeiro livro “O Segundo Ponto das Reticências”. E é convidada para a XX Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro

Cedida
Walquíria Raizer


Andréa Zílio

Ela sente e vive a poesia em tudo que faz, aliás, essa é a sua ferramenta para iniciar e concluir seus trabalhos. É jovem e recebe com timidez os elogios, que por sinal, são freqüentes, pois muitos acreditam que Walquiria Raízer, 26, é um talento nato. Depois de muito tempo trabalhando com os artistas na Fundação de Cultura Elias Mansour, ela finalmente apresenta ao público a arte que pratica desde a infância, que é escrever, principalmente poesias.

Walquíria está preparando seu primeiro livro “O Segundo Ponto das Reticências”, que será lançado em breve pela Editora da Universidade Federal do Acre (Ufac), mas antes mesmo de estar impresso ela já tem convite para apresentá-lo na XX Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro. A obra traz poemas, diálogos, textos e cartas de personagens.

Com cerca de cem páginas, o livro, assim como tudo o que já escreveu, é despretensioso. Poetisa, formada em Ciências Sociais pela Ufac e com especialização em Jornalismo Político pela Uninorte, Walquíria Raizer diz que, mesmo não sendo um livro propriamente de poesias em seu estilo convencional, cada texto expressa essa essência. “A poesia antecede a escrita. Poema não é apenas uma junção de palavras, é sentimento. Hoje nos comunicamos poeticamente através da escrita, mas a poesia não depende disso, ela não se amarra a nada”, comenta.

A jovem escritora mostra que sempre procurou aprender com todos a sua volta, e isso foi fundamental para o conhecimento que adquiriu. Muitas dessas pessoas que lhe propuseram aprender, conheceu através da FEM. “Na Fundação de Cultura tive a oportunidade de conhecer pessoas grandiosas no mundo cultural, que me ensinaram muito”, comenta.

Acostumada a ouvir de seus amigos que seus poemas eram bons, um dia decidiu apresentá-los a uma pessoa que poderia lhe dar uma opinião isenta de qualquer vínculo afetivo. Era Marcos Afonso, ativista cultural e professor de filosofia. Afonso viu em Walquíria talento e incentivou a continuar. “Acho que se ele dissesse que o que eu fazia não era bom, não me faria parar de escrever, mas certamente não mostraria para tanta gente”, diz a poetisa.

A poesia – Escrever é atividade comum na vida de Walquíria. Afirma que mesmo alimentando um forte encanto pelo jornalismo, sabe que é escritora e não jornalista. “Jornalista tem que escrever, eu, primeiro tenho que sentir”, comenta.

A poeta – Da militância política estudantil, onde foi presidente de Centro Acadêmico, participou de vários fóruns e congressos, foi monitora de sociologia, em 2003, Walquíria Raizer foi trabalhar na FEM, e foi nesta experiência que dura até hoje, que teve a oportunidade de realizar diferentes trabalhos, entre eles a produção local da 27° Bienal Internacional de São Paulo, que abordou Hélio Melo e o Acre.

Da parte mais administrativa, em que trabalhou na lei de incentivo a cultura, foi atuar no gabinete do presidente, e viveu a gestão de dois deles. Fez os programas de rádio “Se essa rua fosse minha”, na rádio Difusora, e “Almanaque Aldeia”, na rádio Aldeia FM, com Gregório Filho, o que rendeu um show no Teatrão, em que fez uma edição do programa no palco, com participações de diversos artistas.

No cotidiano dos artistas, a jovem passou a costurar melhor sua arte entre as artes dos artistas que conheceu. E é assim que ela promete ser o lançamento do livro “um momento em que cada expressão artística estará unida a outra através da poesia.”

Lançamento esse que já foi anunciado em matéria sobre o Acre na Revista Terra, que acaba de chegar nas bancas.

Mais de Raizer – Walquíria escreve para o site Overmundo (www.overmundo.com.br ), no Núcleo Acre do Projeto Identidade (www.desterro21.blogspot.com) e no seu blog Um caso poético (www.umcasopoetico.blospot.com.br). É também parceira do Circuito Fora do Eixo, um movimento entorno da música autoral e independente, que fará divulgação de seu livro em todo o país.


Olha, eu acompanho o movimento cultural no Acre desde 1977. Já se passaram trinta voltas ao redor do Sol. Mil plantas surgiram em nosso jardim e várias souberam florir. Por isso digo sem medo: a Walquíria Raizer é aquela flor que dá um tom, uma luminosidade terna e agradável aos nossos olhos quando, num fim de tarde, nos sentamos na cadeira de embalo para tomar café. Falo isso porque a gente se aquece quando lê os seus poemas e contos. Eles possuem uma combinação deliciosa: música, sofisticação e leveza, sempre com algum toque elegantemente mórbido. Ela diz que a sua poesia pode não inundar o mundo, mas há de nadar os peixes . Então, nesse jardim cultural acreano, existe também um aquário (ou um açude) e lá estamos nós nadando com as letras da Walquíria, que até tem nome de flor.

Marcos Afonso
Professor e Jornalista

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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   PORONGA
Da Redação
 
 
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