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Tião Maia * |
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Márcio Bittar e os exemplos que vêm de Rondônia Queria ter visto ou ouvido o ex-deputado federal Márcio Bittar, virtual candidato a prefeito de Rio Branco, comentado os últimos episódios ocorridos no Estado de Rondônia. Aliás, foi difícil assistir às cenas de barbarismos no presídio Urso Branco, em Porto Velho, e não estabelecer, de imediato, um paralelo entre os estados de Rondônia e do Acre. A propósito, no mesmo dia em que presos amotinados exibiam, como autênticos troféus de guerra, cabeças e outros membros decapitados de colegas que haviam acabado de assassinar e esquartejar durante a rebelião que assombrou o país, não longe dali, no município de Espigão D’Oeste, a polícia se deparava com outro encontro macabro: 29 cadáveres de garimpeiros executados provavelmente por índios da tribo Cinta Larga, um povo que vive no fio da navalha entre os invasores nativos, brasileiros aventureiros que chafurdam e destroem a terra em busca da riqueza fácil e rápida, e traficantes internacionais de pedras preciosas. Enquanto isso, no Acre, no mesmo dia em que os Cinta Larga assumiam publicamente terem sido eles os executores dos garimpeiros, precisamente em Cruzeiro do Sul, o governador do Estado, Jorge Viana, participava da abertura do IV Encontro Indígena do Acre e Sul do Amazonas. Era o encontro de velhos amigos. Os índios discursavam, faziam reivindicações, cobravam mais participação no Governo. O governador ouvia, anotava, chamava assessores, entre os quais um legítimo membro da tribo Ashaninka, para garantir que os reclamos dos índios, além de oficialmente registrados, teriam desdobramentos. Ao final, bem à moda índia, com suas cores e desenhos na pele, todos cantaram e dançaram festejando a harmonia entre os povos das cidades e eles, o da floresta. Em Rio Branco, no mesmo período, o secretário de Segurança, Fernando Melo, debelava mais uma tentativa de motim na unidade de recuperação de menores infratores. Neste setor há, claro, insatisfação (e não seria diferente, já que a privação da liberdade não é aceitável por ninguém, muito menos por criminosos), mas a situação no Acre está sob controle, positivamente diferente em tudo aquilo em que foi transformado o Estado de Rondônia. Os dois exemplos deixam claro que há uma situação favorável ao Acre em relação a Rondônia. Não é preciso nem citar indicadores sociais, nem falar de produção. Basta se comparar os dois episódios citados acima. Pois o ex-deputado Márcio Bittar, antes tão falante, calou-se, sumiu do debate. Seu silêncio tem explicação: é que ele é o chefe, o dirigente de um grupo composto por políticos, jornalistas e outros ditos pensadores que saem por aí citando Rondônia como exemplo de desenvolvimento, como o eldorado no qual o Acre deveria se inspirar. Não é à toa que o ex-deputado – e não só pelo fato de não ser acreano e viver cercado do que há de pior na política e na pecuária do Estado – freqüentemente é confundido como tal ou apontado como o sucessor das idéias do também ex-deputado Rubem Branquinho, aquele que não escondia de ninguém que pretendia ser governador do Estado para transformar o Acre num imenso campo de pastagem. Não é à toa também que Bittar quer ser prefeito de Rio Branco. Sonha chegar à Prefeitura para daí fazer trampolim para o Governo e, enfim, executar o projeto que Rubem Branquinho foi impedido pela população local. É hora, outra vez, dos acreanos se levantarem e dizer que o exemplo que temos logo ali adiante não é o que queremos. O Acre não quer mais voltar ao tempo de contar mortos e de encontrar cadáveres mutilados nas esquinas nem tampouco voltar a época das “correrias” contra as populações tradicionais. Portanto, que o ex-deputado Márcio Bittar e suas idéias de desenvolvimento se mudem para Rondônia. * Jornalista |
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