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VARIEDADES

José de Abreu revive história do Acre

Ator conta como é fazer parte de momentos tão acentuados da história brasileira e poder revivê-los por meio da profissão

Marcos Vicentti


Renata Brasileiro

Em 1946, um ano depois de a Guerra Mundial chegar ao fim, nascia José de Abreu, um menino entre outros de Santa Rita do Passa Quatro, no interior paulista, que acabou se diferenciando dos demais por acompanhar e viver momentos tão importantes da história do Brasil e do mundo.

Como estudante revolucionário na época da ditadura e como ator nos dias de hoje, aonde José de Abreu for, a história parece insistir em tê-lo como fiel contador.

Na peça estreada no Acre “Fala, Zé!”, ele relata em uma autobiografia a trajetória de um jovem brasileiro na década de 60 que viu o Brasil atravessando o momento mais acentuado de sua história: da ditadura à democracia.

Já na minissérie “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes”, Abreu se infiltra em uma nova história. Dessa vez, história que ele antes só conhecia por livros e que agora vivencia através de seu personagem, o endinheirado coronel Firmino. A missão de José de Abreu hoje é fazer essa história chegar ao conhecimento de milhões de brasileiros.

“O redescobrimento do Brasil começa assim, quando a história começa a ser passada em cinemas, novelas, peças teatrais e minisséries. O Acre começa a ser redescoberto agora”, destacou.

Cinco coronéis estão na minissérie, mas Firmino é o que possui vida própria, com domínio sob os demais. É rico, dono de um grande seringal localizado em Capixaba e de uma casa em Manaus. Tem mulher e dois filhos, dos quais um mora em Paris e outro na capital amazonense. Ostenta alguns luxos, apesar de ter um jeito durão, típico de seringalista acreano da época de Galvez.

Para adaptar um perfil ao personagem de Abreu, a Globo levou para o Rio de Janeiro dois seringueiros acreanos, aposentados como soldados da borracha, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o historiador Marcos Vinícius Neves e o governador Jorge Viana. Todos lhe deram uma noção geral sobre a história local, bem como a luta do povo acreano para ser brasileiro.

“Resumidamente, Firmino é um ambicioso, que traz nordestinos para o Acre com a promessa de vida boa e quando os nordestinos chegam aqui a realidade é outra. Eles vão ser escravos cortadores de borracha”, reforçou.

O ator já gravou 19 capítulos da primeira fase da minissérie. A direção deu uma pausa nas gravações com o seu personagem e retoma dia 2, com a trama reforçada. “Firmino é um sujeito de grande expressão na minissérie. Ele apronta bastante, até com as meninas filhas de seringueiro”, soltou o ator.

Menção ao amor do acreano

Abreu aborda que não teve nenhuma dificuldade ao trabalhar no Acre. Apesar de não ter conhecido o Estado antes do papel na minissérie, disse que de certa forma se sentiu familiarizado com o local.

“O Acre tem uma semelhança muito grande com Rio Grande do Sul, onde morei por muito tempo. Além de serem Estados de fronteira, são os dois únicos do país que têm uma população tão orgulhosa de ser onde é. Esse gesto de usar bandeiras do Estado nos carros eu só vi nesses dois lugares. É um gesto de amor”, complementa.

Quando indagado para fazer um paradoxo entre o Acre que ele está conhecendo através da minissérie e o Acre que ele vê hoje, Abreu define a existência de uma diferença extraordinária.

“Naquela época não havia civilização entre o povo, havia dois grupos: o que mandava e o que obedecia. Hoje o Acre é um Estado que tem a sua cidadania totalmente resgatada, tem uma capital bonita, moderna, e um grande simbolismo pelo Brasil afora. Quando o assunto é Acre, fala-se muito bem”, frisou.

 

 
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Rio Branco-AC, 24 de setembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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