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Enchente atinge dez bairros na capital

Pelo menos 700 famílias foram afetadas pela cheia dos igarapés São Francisco e Batista

Regiclay Saady
Volume das águas dos igarapés
Batista e São Francisco começou a crescer na manhã de terça-feira


Regiclay SaadyWhilley Araújo

Um repiquete sofrido pelos igarapés São Francisco e Batista causou a alagação de pelo menos dez bairros da capital. A enchente, que atingiu aproximadamente 700 famílias, teve início durante a tarde da última terça-feira. Se não bastasse o transbordamento dos igarapés, a situação preocupa ainda mais porque o nível das águas do rio Acre atingiu a maior cota do ano na manhã de ontem, chegando aos 12,26 metros, faltando menos de 1,5 metro para alcançar a cota de alerta.

Os moradores dos bairros Placas, Raimundo Melo e dos conjuntos Xavier Maia, Adalberto Sena e Wanderley Dantas que precisaram se deslocar para o centro da cidade tiveram que procurar atalhos ou enfrentar as águas do igarapé São Francisco, que transbordou e deixou a avenida Getúlio Vargas, no Procon, quase intrafegável.

O igarapé Batista, nas proximidades do bairro da Paz, encheu e obrigou vários moradores a abandonar suas residências. “O igarapé começou a subir no fim da manhã e por volta das 15 horas a água já tinha inundado todas as casas mais baixas do bairro”, contou a dona de casa Maria de Lourdes Souza.

Ela foi uma das pessoas que ficaram sem ter para onde ir após a subida das águas. A moradora afirmou que só restava esperar que os homens da prefeitura e da Defesa Civil fossem ao local para ajudar na retirada dos móveis que ainda resistiram à correnteza, já que a maioria da mobília não teria mais utilidade.

“Conseguimos suspender apenas o guarda-roupa e a geladeira, o restante não deverá servir mais. Agora vamos esperar que as autoridades disponibilizem um local para ficarmos enquanto as águas não vazam”, frisou Lourdes.

Enchente também atingiu bairros de classe média

O repiquete fez com que alguns dos moradores dos conjuntos Procon e Solar, na Vila Ivonete, tivessem suas casas tomadas pelas águas do igarapé São Francisco. As pessoas que residem nas proximidades da avenida Getúlio Vargas foram as que mais sofreram com a repentina cheia.

O administrador de empresas Marcelo Sampaio, morador do Procon, começou a suspender os móveis de sua residência por volta das 21 horas da terça-feira, temendo que as águas, que naquele momento estavam se aproximando da casa de seu vizinho, atingissem o local onde mora.

“Na última alagação tivemos um prejuízo de aproximadamente R$ 50 mil, já que a enchente nos pegou de surpresa. Agora estamos mais atentos e começamos a retirar a mobília e os veículos antes que a água se aproxime de nossa casa. Não conseguiremos retirar tudo, mas pelo menos o que há de mais importante iremos salvar”, falou o administrador.

O comerciante Luciano de Freitas Barbosa viu as águas do igarapé se aproximarem de seu estabelecimento comercial por volta das 11 horas da manhã. “A água subiu rapidamente e com bastante força, uma média de 20 centímetros por hora”, revelou.

Às 22 horas a água já tinha invadido boa parte do comércio, porém Luciano ainda tinha esperança de que a enchente recuasse, evitando que algo mais grave acontecesse. “Temos esperança de que a água não vai subir mais do que isso”, acrescentou.

Apesar da fé do comerciante, o volume das águas do São Francisco foi cada vez ganhando mais força, alagando vários pontos na avenida Getúlio Vargas durante a manhã de ontem, inclusive o comércio de Luciano.

Nível do rio Acre chega à maior cota do ano

Além das enchentes causadas pelos igarapés São Francisco e Batista, o nível das águas do rio Acre atingiu a maior cotação do ano na manhã de ontem, quando chegou aos 12,26 metros, faltando menos que 1,5 metro para atingir a cota de alerta - que é de 13,50 metros.

A noticia assusta os moradores do bairro Ayrton Senna, um dos primeiros a ser atingido quando o rio está cheio. De acordo com o autônomo Luiz Lima Pessoa, de terça para quarta-feira a água do rio Acre subiu mais de dois metros, invadindo o banheiro de sua residência, que fica no fundo do terreno.

“Vamos esperar pela vontade de Deus, orando a todo instante para que ele não permita que enfrentemos essa situação tão difícil mais uma vez”, ressaltou.

A preocupação de Luiz se dá não só por que a alagação poderá acabar com o pouco dos móveis que existe em sua casa, e sim pela falta de um lugar para o autônomo ficar com sua família caso a enchente atinja sua residência. “No ano passado eu fiquei na casa da minha mãe, mas ela se mudou para outra cidade, não sei para onde iremos se a alagação se confirmar.”

Secretário de Saúde alerta para os perigos da enchente

Mesmo sabendo que as águas que inundaram várias ruas em dez bairros da capital são oriundas de igarapés e esgotos e que se juntam com todo tipo de lixo que está pela rua, varias crianças e jovens aproveitam a alagação para se divertir tomando banho. A brincadeira é perigosa, já que a água contaminada pode causar uma série de males à saúde.

O secretário municipal de Saúde e vice-prefeito Eduardo Farias pede para que ninguém utilize a água da enchente para nenhum fim. “Os agentes comunitários estão nos bairros orientando as pessoas para que não usem a água da alagação para banho nem para diversão. Contato com o líquido contaminado somente se for inevitável”, adverte Farias.

Ele revela que várias doenças de veiculação hídrica podem ser causadas em decorrência da cheia. “Essas pessoas que estão usando a água da enchente estão com grande risco de ser contaminadas e atingidas por uma hepatite A, febre tifóide, leptospirose e outras doenças. Todos que tiveram qualquer uma dessas atitudes devem tomar banho com água potável e sabão para evitar doenças.”

 

 

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Rio Branco-AC, 25 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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