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Romerito Aquino *

 

Senha certa, na hora certa e no lugar certo

Em sua rápida passagem por Brasília na última terça-feira, o governador Jorge Viana deu a senha certa, na hora certa e no lugar certo para o presidente Lula e os ministros José Dirceu (Casa Civil), Antônio Palocci (Fazenda) e Guido Mantega (Planejamento) começarem a atuar para valer neste início de ano em favor do desenvolvimento do país.

A hora e o local transcorreram durante o almoço com Lula, na terça-feira, no Palácio do Planalto e a senha foi mostrar ao presidente que o seu governo precisa começar a liberar os recursos previstos no Orçamento da União para os empobrecidos estados e municípios brasileiros.

O governador demonstrou a Lula que o governo do PT só tem a ganhar se começar a fazer, desde já, os convênios com os estados e municípios para a liberação das emendas orçamentárias aprovadas pelas bancadas estaduais no Congresso. A época é propícia porque, segundo explicou o governador, o primeiro orçamento definido pelo governo petista é mais enxuto e mais próximo da realidade de arrecadação tributária. Afinal, segundo lembrou Jorge Viana, o governo só dispõe até junho para fazer os convênios devido à legislação, que em ano eleitoral suspende três meses antes do pleito os compromissos orçamentários com estados e municípios. Depois disso, assinaturas de convênios só em novembro e dezembro, que se encaixam na pressa natural de final de ano.

Ao começar a movimentar, com as mais diversas obras e ações, os estados e municípios, que quase nada receberam de ajuda orçamentária no ano passado, o governo federal, segundo deixou a entender nas entrelinhas o governador, vai dissipar as nuvens de incertezas e de crise política que passaram a pairar sobre Brasília nesse início de ano a partir da eclosão do escândalo do envolvimento do ex-assessor parlamentar do Planalto Waldomiro Diniz com propinas eleitorais.

“O governo precisa começar a construir uma agenda positiva nos estados e municípios. E podemos começar isso pelo Acre, que pode servir de exemplo para os demais estados do país”, sugeriu, também, o governador acreano ao presidente Lula e seus ministros considerados de ponta. Pelo que aconteceu depois disso, o governador parece ter conseguido convencer Lula de que o melhor caminho a ser trilhado a partir de agora pelo seu governo pode e deve ser esse. De pronto, Jorge foi convidado por Lula para acompanhá-lo no final da tarde numa viagem ao Rio de Janeiro, onde o presidente receberia o prêmio “Faz Diferença”, concedido pelo jornal carioca O Globo.

Começar a liberar recursos orçamentários para um estado pobre como o Acre, onde suas prefeituras estão vivendo à mingua desde o ano passado, pode mesmo, segundo deixou a entender o governador petista, dar ainda mais vazão ao slogan do prêmio carioca de que o governo petista Lula faz, mesmo, a diferença.

Colocando em prática uma agenda positiva nos estados e municípios, o presidente Lula, como deixou a entender o governador, poderá, de quebra, passar por cima de toda a rede de intrigas, de picuinhas, de disse-que-disse e de xingamentos que passaram a tomar conta da pauta política de Brasília, seja no Congresso ou nos corredores dos ministérios e do Palácio do Planalto. “O país precisa começar a trabalhar na execução orçamentária”, frisou bem Jorge Viana, ainda no clima de insatisfações reinante na capital federal, onde nos últimos dias ministros se xingaram, petistas se rebelaram contra a linha econômica do ministro Antônio Palocci e partidos de oposição, como PSDB e PFL, fizeram a festa em volta da fogueira com que pretendem, pelo menos, chamuscar a governabilidade da administração Lula.

No Acre, começar a trabalhar significa, afinal, o presidente Lula e seus ministros iniciarem a liberação de parte dos R$ 123 milhões escritos pela bancada federal no Orçamento Geral da União de 2004 para investimentos nos mais diversos setores da sociedade acreana. Como disse Jorge Viana, é preciso executar o orçamento para capitalizar as prefeituras e o governo do estado para melhorarem as condições de tráfego dos ramais agrícolas, para asfaltarem as ruas esburacadas nas cidades por cada inverno, elevar os níveis de saneamento básico para garantir a saúde da população, para melhorarem o atendimento em hospitais e postos de saúde e para avançarem cada vez mais com o trator revolucionário da educação do povo.

Também vão garantir a paz e a prosperidade política de Brasília e do Brasil se forem liberados recursos orçamentários para obras que se destinam a ampliar a renda e gerar mais empregos em estados pobres como o Acre. Tudo isso será conseguido, por exemplo, se Lula liberar dinheiro previsto no orçamento deste ano e nos restos a pagar dos anos anteriores para a construção da fábrica de preservativos em Xapuri, para a conclusão das fábricas de beneficiamento de castanha no Vale do Acre, para a ampliação do crédito agropecuário, para tocar os primeiros Projetos de Assentamento Florestal, para executar novos projetos agro-florestais, para construir armazéns, para garantir assistência técnica e para tantos outros projetos inclusos nas dezenas de milhões de reais garantidas pelos deputados e senadores acreanos na briga de foice em que se transforma anualmente no Congresso a distribuição dos recursos orçamentários.

Concretizadas tais ações, terá valido a pena, de fato, o governador Jorge Viana ter oferecido ao presidente Lula e a seus principais ministros a senha certa, na hora certa e no lugar certo.

* Jornalista

 

 
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Rio Branco-AC, 25 de março de 2004
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