Val Sales
Os grupos de Alcoólicos Anônimos (AA) estão espalhados pelos vários bairros e centro da cidade. Neles se reúnem diariamente dezenas de membros que têm uma história em comum: a doença do alcoolismo. Eles usam o espaço para dividir as experiências que tiveram durante o alcoolismo ativo e ressaltar a forma como conseguiram se livrar da compulsão pela bebida.
A maioria diz que precisou de tempo para aceitar que havia perdido o controle sobre o álcool e sobre suas próprias vidas. Além da doença do alcoolismo, essas pessoas têm em comum a luta pela reformulação dos valores e a conquista dos bens que haviam perdido, como a confiança da família, o emprego e os amigos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o alcoolismo como doença progressiva e os AAs, por suas próprias experiências, afirmam que ela não tem cura, já que o indivíduo que perdeu o controle sobre sua forma de beber não consegue mais faze-lo normalmente. “Eu passava de seis meses ou até mais tempo sem beber, mas cada vez que eu tomava um ‘trago’ não conseguia parar depois do primeiro”, lembra o mecânico V. S. W., membro do AA.
Para ele, alcoólatra era somente aquele indivíduo embriagado e “caído na beira do mercado”. “Quando conheci outros alcoólatras que não bebem, passei a observar meu próprio comportamento e vi que também já havia comprometido muitos bens, como a minha família, por exemplo. Eu tinha ‘porres’ constantes, mesmo permanecendo no meio da sociedade”, explica.
Em suas reuniões, os AAs deixam claro que não dão diagnósticos à respeito do alcoolismo e que para pertencer à irmandade não há necessidade de taxas ou mensalidades, além de não estarem ligados a nenhuma seita ou religião. Cabe ao novo ingressado ter apenas a vontade de parar de beber. Em um dos panfletos informativos da entidade, há um conjunto de perguntas que aguçam a curiosidade daqueles que bebem muito ou que conhecem um parente ou vizinho com o problema. Leia-o e confira os resultados.
O texto do panfleto informativo (na seqüência) sugere que a pessoa responda SIM ou NÃO a um conjunto de doze perguntas que foram respondidas por eles próprios e que lhes serviram de reforço na decisão de buscarem ajuda.
Você deve procurar o AA?
1. Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), sem conseguir atingir seu objetivo?
2. Ressente-se com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo parar de beber?
3. Já tentou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra?
4. Tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses?
5. Inveja as pessoas que podem beber sem criar problemas?
6. Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses?
7. A bebida já criou problemas no seu lar?
8. Nas reuniões sociais onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras?
9. Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe quando quer e pára quando quer?
10. Faltou ao serviço, durante os últimos doze meses, por causa da bebida? 11. Já experimentou alguma vez “apagamento” durante uma bebedeira?
12. Já pensou alguma vez que poderia aproveitar muito mais a vida, se não bebesse?
Qual foi a contagem?
Respondeu SIM quatro vezes ou mais? Em caso positivo, é provável que tenha um problema sério de bebida, ou poderá tê-lo no futuro.
Por que dizemos isto? Somente porque a experiência de milhares de alcoólicos recuperados ensinou algumas verdades básicas a respeito dos sintomas do alcoolismo - e de nós mesmos.
Você é a única pessoa que poderá dizer, com certeza, se deve ou não procurar o A.A. Se a resposta for sim, teremos satisfação em mostrar-lhe como conseguimos parar de beber. Se ainda não puder admitir que você tem um problema de bebida, não faz mal.
Apenas sugerimos que você encare sempre a questão com mentalidade aberta. Se algum dia precisar de ajuda, teremos satisfação em recebê-lo em nossa Irmandade.
O escritório de AA está localizado na rua Coronel José Galdino, Bosque, ao lado da Igreja Santa Inês. Mais informações pelo telefone: 3224-9449.
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