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Empreender na calçada Ex-policial militar descobre na arte de fazer e revestir móveis um negócio que deu novo sentido à sua vida |
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Sobre a grama do jardim que está localizado na esquina onde o Parque da Maternidade cruza com a avenida Getúlio Vargas, Francisco Praciano, 35, aproveita a parada obrigatória do sinal para vender bandejas, armarinhos e até criados-mudos de madeira cuidadosamente revestidos com lâmina de PVC, ao melhor estilo industrial de qualidade e bom gosto.
A vocação para revestir móveis e objetos decorativos com PVC e lâminas de madeira só apareceu há pouco mais de quatro meses, quando resolveu aprender o novo ofício na marcenaria das Placas. Ali, cinco marceneiros se revezam no uso das máquinas, equipamentos e conhecimentos porque o que um não sabe o outro faz ou ensina e todos ganham. Foi nesse ambiente que Francisco, que nunca tinha pensado em mexer com madeira, teve as suas primeiras aulas práticas de movelaria. Aluno aplicado nos cortes e desenhos, logo manifestou uma queda maior para revestir com perfeição as peças trabalhadas pelos companheiros da marcenaria. Passou a dedicar a maior parte de seu tempo a atender os demais no acabamento do mobiliário. “Bendito o dia que entrei pela porta daquela marcenaria com a proposta de aprender o serviço. Sempre fui curioso, mas com madeira nunca tinha feito nada e agora já faço qualquer coisa que me pedirem. Às vezes dou uma volta pelas lojas, vejo alguma coisa interessante, reproduzo e até dou uns toques de aperfeiçoamento que a indústria não faz, mas que assim, feito à mão, a gente sempre pode caprichar mais um pouquinho”, destaca. Sobre a calçada do parque Praciano expõe criado mudo, armário para primeiros socorros, bandeja e outras peças cuidadosamente revestidas. “Aproveito as manhãs de domingo para vender pequenos objetos e pegar encomendas, pois faço qualquer móvel que a pessoa queira para atender uma necessidade específica ou compor um conjunto de acordo com o gosto de cada um”. Enquanto espera os fregueses que vão passando e parando, o ex-policial militar do Estado do Ceará, hoje na reserva, que há um ano mudou-se para Rio Branco acompanhando a mulher aprovada em concurso, aprendeu a dar novo sentido à vida transformando madeira e móveis com arte e bom gosto. Contatos pelo telefone 9976-7360. Atende em domicílio e, quanto à qualidade do trabalho, comenta: “O segredo está em você pegar apenas o trabalho que dê conta de fazer”. Tecnologia para exportação Artesã rondoniense aprendeu com o joalheiro César Farias os segredos das biojóias e aperfeiçoou-se na arte Juracy Xangai Márcia Marques, hoje mais que um nome, já uma marca de qualidade e bom gosto entre os joalheiros rondonienses que exportam para todo o Brasil, Europa e Ásia. Ela faz questão de dizer sempre que aprendeu com o joalheiro acreano César Farias os primeiros passos da arte de transformar sementes da floresta em biojóias, num curso promovido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ro) em parceria com a Federação da Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero). Até então, Márcia era funcionária da Secretaria Estadual de Educação, mas atuava como consultora do projeto de desenvolvimento ambiental de Rondônia, o Planafloro financiado pelo Banco Mundial. E foi justamente nesse trabalho que ela acabou “afinando” seu faro e gosto pelas coisas da natureza. “Tínhamos de visitar comunidades de produtores rurais, seringueiros, coletores de babaçu e aldeias indígenas. Foi nesses locais que passei a ter contato com a imensa diversidade de matérias primas oferecidas pela floresta na forma de sementes, madeiras, flores, folhas e muito mais”. A arte da valorização daqueles materiais viria então com o curso ministrado por César Farias. “Minha filha foi quem descobriu o curso, eu me interessei e fui junto com ela, foi como se eu finalmente tivesse encontrado a verdadeira porta do caminho que me levaria à satisfação profissional. Entendi que não queria mais voltar a trabalhar para o governo, pedi afastamento e desde então me dedico exclusivamente ao artesanato”. A partir dali, ela e a filha foram à luta por mais conhecimento, procuraram outros treinamentos em Rondônia e no centro sul do país em busca de novas técnicas e conhecimentos que pudessem aperfeiçoar seu trabalho que assim foi ganhando identidade própria e diversidade. “O artesanato com sementes tinha tudo a ver comigo, mas naquela época ainda não era um produto tão conhecido e por isso tive de ralar bastante para me estabelecer, mas valeu a pena. Um grande empurrão que tive foi a contratação pelo Sebrae para oferecer cursos em todo o Estado, com isso pude me capitalizar, comprar equipamentos e fazer novos treinamentos para aperfeiçoar novas técnicas”, recorda. Pelo Sebrae levou seus conhecimentos às mulheres da Associação de artesãos de Fortaleza no Ceará, a (Cemoart). “Lá foi maravilhoso porque conheci outras matérias primas como coco, osso, chifre, conchas e sementes típicas de lá. Algumas que eles nem usavam e agora transformam em peças que vendem para o mundo inteiro. Sempre gostei de misturar os diferentes materiais, as mulheres da Cemoart pegaram bem esse espírito e algumas até já ganharam prêmios nacionais por causa disso”. Explica Márcia antes de complementar: “Para mim é uma satisfação saber que colaborei com a elas, a exemplo do que aprendi com o César Farias, ou seja, a arte se multiplica, ganha qualidade e diversidade, só depende do interesse do próprio artesão e do apoio que ele receba para isso”. Ela esclarece que: “É importante saber que a gente ajudou pessoas a criar seus próprios negócios. O Sebrae e a Fiero têm me ajudado muito. Com eles fui à Feira Internacional de Santa Cruz na Bolívia; realizamos curso de lapidação e beneficiamento de pedras junto às mulheres de agricultores e garimpeiros em Ariquemes, outra e4m Porto Velho. Fiz o curso do Instituto Europeu de Design, em fim, tenho sido qualificada para o meu trabalho e tenho prazer em ensinar o que aprendi às outras pessoas”. Duas paixões - A partir das sementes, Márcia desenvolveu duas paixões. Uma é pelo aproveitamento da imensa diversidade de madeiras sem valor comercial que antes eram queimadas e agora ela transforma em jóias. Outra paixão é a multiplicidade de usos a que se permite o tão pouco aproveitado ouriço de castanha. “Pela madeira tenho uma paixão especial combinando cores, formas e texturas, já o ouriço de castanha têm uma beleza muito especial que acho mal aproveitada até agora. Tenho feito o possível para reverter isso mostrando sua beleza ao combina-lo com madeiras, pedras, metais em pingentes, pulseiras, anéis e brincos. O ouriço, por si só, já é uma jóia, pois tem a cara da Amazônia”. |
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