COTIDIANO

Famílias desabrigadas recorrem ao MPE

Regiclay Saady
Promotora Meri Cristina orienta as famílias. Menina exibe bolhas nas mãos


Renata Brasileiro

Ontem, cinco famílias do Bairro Conquista, que tiveram perda total de bens materiais com o transbordamento do Igarapé São Francisco, recorreram ao Ministério Público Estadual (MPE) em busca de orientações sobre como serem ressarcidas pelo poder municipal.

A dona de casa Maria Souza do Nascimento, 23, expôs a situação em que se em que ficou após o ocorrido, para a promotora do meio ambiente, Meri Cristina. Segundo ela, nem as roupas das três filhas pequenas foi possível salvar.

“Minha geladeira, que comprei há pouco tempo e custou R$ 350, não serve mais para nada. Já levei em uma oficina, assim como o fogão e a máquina de lavar, e me disseram que não há conserto. Nem casa eu tenho mais”, lamenta a mulher.

Além desse transtorno de ter perdido tudo e estar se abrigando na casa de pessoas que se solidarizam com a situação, Maria conta que tem uma grande preocupação com a saúde de sua família, que ela disse se encontrar em situação delicada, já que todos tiveram intenso contato com água poluída no dia do transbordamento.

Sua filha, Diana, de 8 anos, já apresentou as primeiras conseqüências. A menina está com as palmas das mãos e os pés cheios de bolhas e que, segundo a mãe, quando estouram sagram bastante.

“Já levei ela no médico e foi diagnosticado que ela está com um tipo de micose. Daí ela começou a usar uma pomada, mas a cada dia que passa as bolhas aumentam”, disse a mãe com preocupação.

Segundo a promotora, o MPE pode intervir no estado de saúde de sua filha, já que as doenças chegam a ser um problema coletivo, que afetou além de Diana, centenas de pessoas que entraram em contato com a água.

“Neste caso o MPE pode entrar com uma ação civil pública, pedindo que o município dê o mínimo de assistência as pessoas que estão apresentado qualquer tipo de enfermidade provocada pelo alagamento”, declara.

Porém, a promotora disse que nada poderá ser feito através do MPE, para que as pessoas sejam indenizadas pelas perdas materiais. Mas orientou as famílias quanto aos procedimentos que devem ser seguidos para correr atrás do prejuízo.

Orientação para os desabrigados

A promotora explicou que o lesado deve juntar todas as notas fiscais de utensílios danificados e comprovar a perda por meio de um laudo de oficina, o qual indica que o aparelho, eletrodoméstico ou imóvel, ficou imprestável por conta da alagação.

“Estes documento devem ser apresentados na Secretaria de Bem Estar Social. É ela que tem de resolver o problema”, completa a promotora ao salientar que o lesado deve ter um acompanhamento de um defensor público ou advogado para poder exigir uma indenização do prejuízo.

 

 
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