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Elisângela Pontes * |
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O bom exemplo do Acre no ano da mulher O ano de 2004 é um ano de grandes decisões para as mulheres do Acre e do Brasil. Instituído pelo presidente Lula como o ano da mulher, 2004 está sendo um marco diferencial na nossa luta, porque nós estamos discutindo e elaborando políticas públicas para serem implementadas pelos governos municipal, estadual e federal. Políticas essas de afirmação da mulher dentro dessa nova dinâmica da vida social e de fortalecimento da reflexão sobre gênero, que tem ganhado cada vez mais espaço institucional em nosso Estado. Aqui no Acre, essa discussão e formulação de políticas está sendo feita pela Secretaria Extraordinária da Mulher e o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM). Para isso, estamos realizando Plenárias em todos os 22 municípios do Etado durante os meses de março e abril, com o objetivo de ouvir todos os segmentos e organizações de mulheres existentes no Estado. O resultado tem sido surpreendente em todos os sentidos. Mulheres indígenas, mulheres da floresta, seringueiras, camponesas, servidoras públicas, trabalhadoras rurais, professoras, profissionais liberais, grupos de mulheres que produzem artesanato, bijuterias, domésticas, parlamentares, sindicalistas, grupo de mulheres da melhor idade e religiosas. Enfim, todas as mulheres que, de uma forma ou de outra, estão dando sua contribuição para melhorar as relações sociais nos vários níveis de sua atuação, estão participando desse debate e têm contribuído de forma significativa para o fortalecimento do trabalho em defesa dos direitos e em defesa de relações solidárias e harmônicas entre homens e mulheres. Para realizar as plenárias, a Secretaria da Mulher buscou parcerias junto a várias instituições, organizações e administrações municipais e, aonde foi possível a realização dessas parcerias, as plenárias superaram as expectativas, tanto em relação ao número de participantes quanto ao nível dos debates. As dificuldades existem, mas o empenho e a conscientização dessas mulheres vêm deixando as equipes da Secretaria Extraordinária da Mulher e do Conselho dos Direitos da Mulher muito felizes. Essas plenárias já foram realizadas em 14 municípios. O fato é que as mulheres do Acre estão dispostas a serem autoras e intérpretes da sua própria história. A escrever um capítulo especial nesse momento tão bonito vivido pelo povo acreano, desde a comemoração do centenário da Revolução Acreana e do Tratado de Petrópolis, até os festejos do centenário dos municípios de Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, que também acontecem neste ano de 2004. Nós, mulheres, não estamos mais naquela de sermos apenas coadjuvantes. Queremos partilhar cada desafio e cada conquista no processo de construção da sociedade dos nossos sonhos. A programação do 8 de março mostrou um pouco do que o Governo do Estado e a Secretaria da Mulher está pensando e executando no sentido de ampliar os espaços de atuação das mulheres. Foram palestras educativas, lançamento de programas que buscam conscientizar os homens sobre a sua responsabilidade paterna, debates sobre sexualidade e relações de gênero, saúde da mulher e vários outros assuntos de interesse comum aos homens e mulheres. Num olhar mais profundo e atento, ao analisar a determinação da Secretaria da Mulher em realizar as plenárias Municipais e a I Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres, num espaço tão curto de tempo, podemos perceber claramente que a sua criação pelo Governo do Estado foi muito importante. Foi, aliás, um grande passo do movimento de mulheres do Acre. Uma conquista que precisa ser cuidada com muito carinho por todos nós, homens e mulheres, que sonhamos e lutamos por um Acre melhor. Os primeiros passos foram dados. O nosso desafio agora é continuar dando bom exemplo. * Socióloga e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher |
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