VARIEDADES

Profissão de Risco

Ele trabalha a charge como uma forma de criticar com humor e irreverência. Braga faz exposição dia 30, no Mira Shopping

Marcos Vicentti
Dois anos longe dos jornais, Braga
volta com a exposição
“Profissão de Risco”, que vai até maio


Andréa Zílio

A profissão requer um crítico aguçado, que consiga expor o cômico e a sátira dos fatos atuais, para isso a informação é imprescindível. Ele tem mostrado ao longo dos sete anos de carreira que sabe exercer a função com maestria.

Há dois anos longe dos jornais, o chargista Francisco Braga, 40, decidiu dividir alguns de seus trabalhos com o público de uma outra maneira. Diz que é para mostrar que ainda está vivo. É com o talento de um bom profissional que ele expõe, a partir do dia 30 até o mês de maio, 40 charges intituladas no Mira Shopping.

Charges que remontam momentos importantes da história, principalmente do cotidiano do Acre, do Brasil e do mundo, serão exibidas em “Profissão de Risco”, como Braga intitulou a exposição. Sempre trabalhando na área de publicidade, ele descobriu na charge um outro prazer, além de poder satirizar diversos temas e explorar o humor como seu principal objetivo. “Tento sempre buscar o riso em todas as charges por meio da crítica, principalmente do cotidiano. É graça de graça. É uma forma de ter coisas agradáveis na notícia”, diz.

Da publicidade à charge

Braga começou a trabalhar com publicidade há onze anos, em Fortaleza, sua cidade de origem. Atuou como diretor de arte de uma empresa de propaganda. O desenho começou a exercitar em pequenos rabiscos ainda na infância e desde então não parou. Depois decidiu ir para o Piauí, onde atuou com propaganda política. Encontrou no lugar um tio que mora no Acre e o convidou para vir pra cá. Convite aceito. “Saí de Fortaleza e comecei a viajar. Quando fui para Piauí o Brasil vivia a era Collor e nem precisa dizer como as coisas estavam. Cheguei aqui e depois de dois dias estava empregado no jornal. Era o paraíso.”

Durante um ano, Braga emprestou seu talento ao jornal O Rio Branco, ainda atuando na área de publicidade. Foi nessa atividade que também iniciou no Página 20. Mas foi depois de dois anos e com o incentivo do jornalista Antonio Stélio que começou a fazer charge. Modesto, ainda nega o talento: “Apenas treino”.

Projeto futuro

Braga diz que tem muitas idéias e as troca com rapidez. A atual é transformar algumas de suas charges em livro e que a exposição é uma mostra do que ele terá. O projeto é para o próximo ano. O chargista fará um coquetel de abertura da exposição, no dia 30, às 20 horas, no Mira Shopping. Todas as charges expostas estarão à venda.

O apoio para a realização da exposição é da empresa MundoBR Comunicação, Acre Publicidade, InforGraf Design, Fotocenter M&M, Calango Produções, Imperador Galvez Hotel, Drogaria Leblon, Pizzaria e Choperia Bolota, André Kamai, jornal O Bicho e jornal Página 20.

Chargista é profissão

Mesmo gostando muito de charge, Braga comenta que a não valorização da profissão é desestimulante a qualquer um. Diz que o chargista precisa ser tratado como profissional. “Eles querem um diagramador desenhista e não um chargista. Sempre dão outras funções. O chargista precisa de tempo só para sua atividade para se informar e fazer um bom trabalho. Diversas pessoas colecionam minha charge porque gostam. A charge não pode ser bairrista, ela precisa falar da cidade, do Estado, do país e do mundo. E, dentro desse universo, não ter partido e abordar diversos assuntos.”

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de março de 2004
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