VARIEDADES

A simpatia e irreverência de Regina Casé

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Regina Casé


Andréa Zílio

Ela está de volta ao Acre para mais uma etapa do programa "Um pé de quê?". Com sua conhecida irreverência Regina Casé, 50 anos, passou a manhã de ontem no parque Chico Mendes para gravar algumas cenas do programa que vai ao ar ainda este ano pelo Canal Futura e rede Globo.

Há quatro anos no ar, o programa que fala com humor e criatividade da origem de árvores brasileiras, se dedica este ano as espécies amazônicas. Serão exibidas mais de 20. Regina, que esteve no Estado para gravar sobre a seringueira e a castanheira, está de volta para falar do cupuaçu e sumaúma. Apaixonada por árvores ela diz que os bons resultados de "Um pé de quê?" possibilita uma integração entre os estados do Brasil que pouco se conhecem. Talvez seja exatamente esse o motivo da popularidade que a apresentadora e atriz ganhou ao exibir com muita simpatia na telinha a cara e o jeito do povo brasileiro.

Como surgiu a idéia de fazer "Um pé de quê?"

Foi uma idéia maluca onde todos diziam que era muito bonita, mas não passaria de dez programas por ser um assunto restrito, onde só quem gosta de botânica se interessaria. Em quatro anos passamos das 60 árvores e acho que ainda tem muito para fazer. Essa foi a primeira surpresa boa. E a idéia do programa é porque muitos que estão na equipe junto comigo e com o diretor Estevão Ciavatta, trabalharam no Brasil Legal e passamos por vários lugares diferentes e sempre gostei de árvores e aonde chegava perguntava qual era a espécie e as pessoas não sabiam. As vezes levava uma muda para o jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para descobrir o que era, de pé de quê.

Isso tudo foi me levando a querer fazer um programa sobre elas que fosse educativo e humorado, como sempre trabalhamos no Brasil Legal e nos quadros do Fantástico. Sempre uso a metáfora de que quando você começa a saber o nome das coisas, de conhecer é como se passasse a usar óculos. Não sabia que precisava e depois que usa enxerga tudo de outra maneira, nítido.

Amazônia entrou no roteiro do projeto pela sua rica biodiversidade?

As primeiras árvores que fizemos foram amazônicas, mas adaptamos para gravar no Rio de Janeiro por motivos óbvios. É uma equipe grande e fazemos o programa com muito capricho. Imagina se cada vez que fossemos filmar uma árvore viéssemos pra cá. Tínhamos que nos estruturar para fazer todas juntas em uma viagem grande. Temos agora o patrocínio do Banco da Amazônia, se não fosse isso acho que não seria possível isso aqui.

É importante que as empresas tenham essa visão social?

Sim. Eu achei maravilhoso que o Basa tenha se interessado. Essa parceria começou há dois anos quando estivemos aqui fazendo sobre a seringueira e a castanheira. Agora será o cupuaçu, a sumaúma. Da mesma maneira que um banco está ligado a vida das pessoas, as árvores, principalmente aqui, também. E o Basa teve essa percepção, a melhor maneira de preservar pra mim sempre foi conhecer. É aquela velha história de que se você coloca o nome a uma galinha é mais difícil ela ir para a panela. É a mesma coisa com árvore. Quanto mais conhece, sabe o nome e quanta coisa na vida depende dela, não vira uma abstração, a ecologia lá longe passa a ser algo do dia-a-dia.

O programa será exibido pelo canal Futura?

É, e também pela tevê Globo nas manhãs de sábado. Além de a cabo, o canal Futura al está em parabólica que justamente nos lugares do interior e em comunidades carentes sempre tem. Fomos também em escolas, comunidades gravar. Daqui a gente volta para o Rio e no início de Maio vamos ao Pará.

Os teus programas sempre buscam mostrar todo o povo brasileiro. Esse direcionamento na tua carreira foi espontâneo?

Acho que ninguém tem paciência de viajar o tanto que a gente viaja. Eu nunca gostei de ficar no estúdio, mesmo gostando de fazer novela, não gosto de ficar em lugar fechado. Prefiro estar andando nas ruas vendo as pessoas, o Brasil. Viajei muito pelo país com o grupo de teatro "Asdrúbal Trouxe o Trombone" e via um monte de coisa que estava acontecendo em um lugar que os outros não conheciam e a vontade foi aumentando. No Brasil Legal, "Um pé de quê?" já foi meio gestado. Tomara que a gente consiga fazer outras coisas que não seja só árvore. Quanto mais nos conhecermos, o Brasil se conhecer, a gente vai se relacionar melhor.

 

 
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Rio Branco-AC, 27 de abril de 2004
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