COTIDIANO

Ibama começa a multar donos de madeireiras

Tem início a nova fase da operação que visa combater desmates

Regiclay Saady
Forneck disse que fiscais estão
atuando na Ponta do Abunã


Renata Brasileiro

O Instituto de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começou a multar todos os responsáveis pelos desmates descobertos em uma operação desencadeada pelo órgão em dezembro do ano passado.

Ao todo, foram 22 mil metros cúbicos de madeira apreendidos, todos em pátio de madeireiras que ou não tinham autorização para a derrubada ou não possuíam documento que comprovasse a origem do produto.

Somente agora, depois de uma minuciosa investigação da Polícia Federal, foram identificados os verdadeiros infratores, e todos pagarão caro pelo prejuízo florestal.

“Nossa equipe esteve em Boca do Acre desde o dia 12 deste mês multando todos os responsáveis. Agora, foram para Ponta do Abunã concluírem esta fase da operação”, destacou o superintendente do Ibama, Anselmo Forneck.

A maior multa aplicada naquele município é equivalente a R$ 7 milhões e 300 mil. O valor exorbitante é exigido pela própria legislação, que diz que para cada hectare desmatado o infrator deverá pagar 1,5 mil. Segundo Forneck, foram identificados em Boca do Acre 723 hectares desmatados, sendo 679 de mata primária e apenas 44 de mata secundária.

Em Vista Alegre do Abunã o quadro não é diferente. Só naquela região, que é comparada a uma vila, há 42 madeireiras, e a maioria sequer está autorizada a trabalhar. A conseqüência desta clandestinidade renderá pelo menos R$ 22 milhões em multas, estima Forneck.

“Apesar de todo esse trabalho de fiscalização realizado pelo Ibama, os proprietários de madeireiras não se intimidaram. A ultima informação que tivemos é de algumas, que nem poderiam, estão funcionando normalmente”, reforçou.

A região de Vista Alegre do Abunã está sob a responsabilidade do Ibama do Acre há dois anos e é considerada uma área difícil para a realização de ações. Por isso, em vez de trabalhar fiscalizações duas vezes por ano, como normalmente faz, o Ibama tem um trabalho contínuo, que só teve data para começar mas não para terminar, segundo o superintendente.

As ações acontecem sempre em conjunto com a Polícia Federal e o Ibama do Amazonas. Forneck disse que o Ibama de Rondônia em nada tem contribuído para que o trabalho da equipe funcione.

“Esta semana, o senador de Rondônia Waldir Raupp disse em um discurso que essa fiscalização acabaria e que os madeireiros não seriam mais perseguidos pelo Ibama. Queremos dizer que isso não é perseguição e que a fiscalização, ao contrário do que ele diz, continua”, completou.

 

 
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