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| ENTREVISTA | |
“Dentro de três meses, já queremos ter feito uns buraquinhos lá...” Diretor da ANP reafirma convicção de que há petróleo no Estado, diz que é possível haver exploração com respeito ao meio ambiente e lembra que caberá à sociedade acreana dizer se quer ou não o desenvolvimento |
![]() Engenheiro Newton Monteiro, da Petrobras, concedeu entrevista exclusiva ontem ao jornalista Tião Maia, no Rio de Janeiro |
Rio de Janeiro - Depois de uma longa carreira na Petrobras, o engenheiro mecânico Newton Reis Monteiro, um carioca de 60 anos, é o presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde 2004. Foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, como manda a Constituição, após a indicação, foi sabatinado pelo Senado Federal, através da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura, teve seu nome aprovado por unanimidade como um profissional que reúne os requisitos necessários para assumir a função e foi reconduzido para mais um mandato. Newton Reis Monteiro é o homem que, ao lado do senador Tião Viana (PT-AC), atual vice-presidente do Senado, suscitou o debate sobre a possibilidade de prospecção de petróleo e gás em território acreano. O senador é autor de emendas ao Orçamento Geral da União (OGU) no valor de R$ 75 milhões para que a ANP possa financiar pesquisas em busca de petróleo em território brasileiro. Desses R$ 75 milhões, pelo menos R$ 27 milhões estão destinados ao Acre para que essas pesquisas sejam realizadas no Estado, principalmente na região do Alto Juruá, onde há evidências da existência de petróleo - evidências atestadas pela Petrobras na década de 60, quando a empresa fez prospecções na região sem os recursos tecnológicos de que dispõe hoje. Monteiro diz que o senador Tião Viana está no caminho certo ao puxar o debate sobre a prospecção e que ele, particularmente, está convencido da existência de petróleo - e talvez gás - em território acreano. No Rio de Janeiro, onde está a sede da ANP, Newton Reis Monteiro, que já esteve no Acre na década de 60 como engenheiro da Petrobras e em abril deste ano para participar de um debate promovido pelo senador Tião Viana sobre o tema, revelou que, apesar da controvérsia, a exploração de petróleo no Estado é um processo irreversível. “Até o fim do ano, nós queremos já ter feito uns buraquinhos lá”, disse, ao revelar que, para concretizar as operações, falta apenas uma licença específica do presidente Lula. A licença é necessária por se tratar de uma região de fronteira. A seguir, os principais trechos da entrevista, feita na tarde de ontem, na sede da ANP. Como, de fato, começou esse interesse por pesquisas que podem apontar para a existência de petróleo no Acre? Newton Reis Monteiro – Primeiro não é algo específico em relação ao Acre. No Brasil inteiro, estamos sempre atrás de petróleo, principalmente de gás. O gás é um combustível do qual estamos correndo atrás aqui no Sul porque polui menos. O que está havendo é que temos agora um aliado como o senador Tião Viana [PT-AC], que veio em nosso auxílio para que pudéssemos melhor desenvolver nossas atividades. Como ele é senador do Acre e nós temos a convicção de que no Acre pode haver o que procuramos, houve uma reunião de interesses. O senador Tião Viana tem tido até aqui uma participação muito efetiva. Foi ele que nos deu a oportunidade de a gente discutir isso, inclusive indo ao Acre, tentando mostrar que o que a gente está tentando levar para lá é numa idéia e não quer dizer que sejamos os donos da verdade. Nós estamos abertos às discussões. Espero que até o fim deste ano a gente já tenha uma idéia da estrutura que teremos no Acre e sobre o que vamos de fato fazer. Os senhores tinham conhecimento de que isso suscitaria tanta discussão envolvendo ambientalistas e pessoas contrárias à prospecção? Newton Monteiro – Não há razões para reações tão apaixonadas. O que está acontecendo é a execução de um plano, que começamos antes mesmo desse debate. Trata-se do primeiro levantamento aerogeofísico no Acre feito pela ANP - nada tinha a ver com a Petrobras. Estamos numa fase em que foi feita a licitação e uma empresa ganhou a concorrência para realizar os primeiros levantamentos. O que falta então para começar o trabalho propriamente dito? Newton Monteiro – Nós estamos aguardando uma permissão do presidente da República porque se trata de levantamento em área de fronteira. Diz a lei que em área de fronteira, numa faixa de 150 quilômetros, é necessário uma autorização expressa do presidente da República. Nesse sentido, estamos tendo o auxílio do senador Tião Viana para que possamos agilizar isso. Esta é a primeira fase do processo. A ANP está convencida de que há petróleo e gás no Acre? Newton Monteiro - No Acre há chance de ter gás, nós não sabemos. E se tiver? Se tiver e for explorado, é claro que melhora a vida das pessoas porque o gás não polui tanto. Qual será então a reclamação? Outra coisa é que o Acre tem uma bela alternativa: o Acre tanto pode exportar para o leste como para o oeste. Se for descoberto gás naquela região de Cruzeiro do Sul, temos condições de levar isso para Coari, no Amazonas. E se quisermos, também pode ser levado para o Peru. Ali nas redondezas, um pouco mais ao norte mas na mesma latitude, há uma refinaria. O petróleo é commodities, algo que você pode levar de um lado para o outro. E eu acredito muito que há petróleo lá. Na verdade, a gente só sabe depois que fura poço, mas tudo indica que aquela região tem petróleo. E se houver petróleo, o que vai acontecer? Newton Monteiro - O que a gente quer é dizer: existe esta possibilidade. Quem vai dizer se deve explorar ou não é a sociedade do Acre. É ela que vai dizer se quer ou não isso. Essa é uma discussão interna do Acre. O que eu posso dizer - e eu estou há muitos anos nessa vida - é que petróleo pode coexistir com preservação do meio ambiente. Não há dúvida disso. Eu já estive em vários locais onde Estados são essencialmente agrícolas e onde o petróleo é a terceira coisa na escala de exploração - a primeira é a agricultura, segundo a produção de implementos agrícolas e em terceiro vem o petróleo. Isso é uma coisa que não me assusta. Acho que há no Acre uma coisa muito emocional em relação a esse debates nessa discussão. O senhor sentiu isso naquele debate do qual participou, dia 12 de abril, lá em Rio Branco? Newton Monteiro – Senti. E conclui que há essa coisa emocional, meio irracional, por trás. Na realidade, a atividade de petróleo, quando bem conduzida e com as técnicas de que dispomos hoje em dia, pode trabalhar tranquilamente sem prejudicar o meio ambiente. O que as pessoas visam muito nesse debate emocional é o histórico da Petrobras dos anos 60, 70 e 80, dos quais eu inclusive faço parte, quando a gente realmente não tinha toda essa consciência de respeito ao meio ambiente, tampouco a tecnologia. Não tinha mesmo consciência ambiental. A gente estava pressionado pela produção. Naquele época, houve um momento que chegamos a importar um milhão de barris de petróleo por dia. Nós tínhamos então que achar todo óleo possível, imaginável, a qualquer custo e no menor espaço de tempo possível. É claro que não dava para pensar em meio ambiente. Era um tempo em que não se falava em camada de ozônio e em nada disso. Hoje, as coisas mudaram bastante, mas eu digo que o Brasil não pode prescindir de saber quais são os recursos de que dispõe no Acre. Até porque, na exploração, será ocupada uma parcela do território muito pequena. Será uma parcela muito menor do que aquela ocupada se o Estado partisse para o etanol ou para o processo de plantio e produção de mamona para o biodiesel. O que eu digo é o seguinte: ninguém - pelo menos do que conheço da história - saiu de uma ferramenta melhor para uma pior impunemente. Nós estamos procurando substituir o petróleo por uma outra coisa que não o substitui com a mesma eficiência. O álcool e o biodíesel, para mim, são paliativo. Vêm para resolver um problema americano, dos Estados Unidos, um país que nunca vai concentrar nas cidades para andar de metrô. Vão andar de carro, em viagens longas, gastando combustível... Concretamente, se for encontrado petróleo no Acre e em condições comerciais, em que isso proporcionaria de bem à população local? As populações seriam beneficiadas em quê? Newton Monteiro – A primeira coisa que o petróleo leva em benefício à população é a geração do que chamamos de emprego permanente. Não é um emprego flutuante. Quando uma pessoa começa a trabalhar para uma economia de petróleo, normalmente ele sabe que seu filho também vai trabalhar aí, no futuro. São empregos para 50 ou 60 anos em média. Começa pelo emprego permanente. Segundo, o desenvolvimento da área, porque você está trazendo riquezas e impostos. Depois, você traz uma indústria de serviços muito grande nas áreas de estradas, telecomunicações etc,, todas essas coisas são rigorosamente vitais para a exploração de petróleo. Depois,a comercialização disso. Eu diria que o Acre, na minha avaliação, é um local estratégico, por sua proximidade com o Oceano Pacífico. É um Estado que está dentro da cadeia do Pacífico, onde há muito petróleo. Ali, Colômbia Equador, Peru e Bolívia estão cheios de petróleo. Ali há mais de 100 empresas, inclusive a nossa Petrobras, trabalhando naquela região, enfrentando todas as dificuldades, como a guerrilha, o narcotráfico. Agora, imagine explorar petróleo no Acre, no Brasil, sem esses problemas... E quem exploraria o petróleo no Acre? Newton Monteiro - O grande foco do desenvolvimento dos Estados Unidos na área petrolífera é o pequeno produtor. Outra coisa importante é que, nessa área, você não precisa ser um gigante. Pode ser um empresário local, um fazendeiro daquele oferecendo emprego e gerando renda porque nessa área você não pode trabalhar com biscate, com bóia fria. O primeiro ganho é em relação à qualificação, porque as pessoas têm que ser treinadas. Eu estive em Brasília segunda-feira passada. Nós estamos tentando incluir a Universidade Federal do Acre nos levantamentos sobre os estudos de petróleo na região amazônica, na parte do Acre. Mas, naquele seminário que houve no Acre, o senhor teve um enfrentamento com o reitor da Ufac, que se disse contra a possibilidade de prospecção porque, segundo ele, naquela região do Juruá não há petróleo. O senhor disse que torcia para que o reitor estivesse errado. O senhor mantém, mesmo assim, a posição? Newton Monteiro - Aquela foi uma forma de ser elegante com o professor. Não acho que há petróleo naquela região apenas por intuição. É que nós achamos que o Acre é uma continuação da bacia petrolífera do continente. Se você olhar fotos de satélite sobre a região, verá que não há diferença nenhuma tanto geológica ou geográfica em relação aos países produtores de petróleo. As bacias de Madre de Deus, no Peru, e a do Acre, no Brasil, são absolutamente iguais. É diferente quando olhamos o Amazonas em relação a Urucu, onde, embora relativamente perto do Acre, há uma diferença e uma divisão geológica muito grande. Então, o que acontece no Amazonas não aconteceria no Acre por causa dessa divisão geológica. É a mesma coisa da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e a de Santos, em São Paulo, que são diferentes. A gente acha óleo em Campos, e em Santos a gente acha gás. Há uma divisão bem nítida. Então, quando eu digo que o Acre é um Estado do Pacífico é porque o olhar tem que ser concentrado na geologia que está do outro lado, além da fronteira. A grande discussão que se trava no Acre é que, exatamente no ponto onde o senhor acha que existe petróleo, está também a região de maior biodiversidade do planeta, inclusive com a ocorrência de povos nunca antes contatados com a chamada civilização, os chamados índios isolados. Mesmo que esteja expressa na Constituição a proibição de exploração em reservas indígenas e biológicas, como administrar isso? Newton Monteiro – A exploração de petróleo consegue conviver com isso. É só não pensar que o petróleo vai matar. O petróleo não mata nada. Na Malásia o petróleo é explorado no meio da selva, desde 1917, e as coisas continuam lá. Há vários outros exemplos em outros países. Nos Estados Unidos, nos anos 60 - eu posso falar, porque trabalhei lá pela Petrobras -, vi reservas indígenas ainda com aquelas tendas de lonas típicas dos filmes que retratavam a conquista do território, aquelas tendas do Touro Sentado. Há uns dois anos, quando voltei à região, aqueles índios que viviam nas tendas agora são empresários. Eles têm companhia de petróleo, têm lucros por quê? Porque conseguiram fazer com que as áreas deles fossem objetos de exploração de petróleo e isso melhorou o padrão de vida deles. É fácil perceber que hoje em dia eles estão muito mais satisfeitos do que naquela época em que viviam sob as tendas de lonas só fazendo dança da chuva para turistas que iam lá eventualmente atrás de exotismo. Acho que, como nos Estados Unidos, será necessário que se pergunte para as pessoas interessadas e envolvidas com a questão se elas querem continuar na idade da pedra lascada ou se querem um futuro diferente preservando suas tradições. Isso aconteceu na África também. Na sua avaliação, o que está por trás então de toda a emoção desse debate? Newton Monteiro – Sinceramente, eu não sei. Mas se tivesse que fazer uma avaliação, eu diria que o nosso pessoal que trabalha na área ambiental é um pessoal muito radical. Mas isso é uma opinião muito pessoal. Eu acho que aqui no Brasil estamos seguindo as bandeiras de outros países que precisam que a gente tome essa posição aqui mas eles não tomaram nem estão dispostos a mudar. Nesse caso, nós temos que preservar nossas florestas para ajudá-los na emissão de gases, de efeito estufa e seqüestrar o carbono que eles, desses países, estão botando para cima. Acho que a coisa não pode ser assim. É preciso ser uma coisa combinada. Eles [os ambientalistas] precisam mudar um pouco seu posicionamento para que a gente possa também fazer a nossa parte. Caso contrário, nós vamos ficar presos ao subdesenvolvimento para que os outros possam manter o seu alto padrão de vida, para que continuem suas estações de esqui com muita neve - na verdade, eu estou pouco me lixando se eles têm muita neve ou não... Quais são os passos daqui para frente nessa área? Newton Monteiro - Os próximos passos são concluir as pesquisas aéreas, acabar de voar [sobrevoar a região, tirando fotografias aeroespaciais], pegar o material coletado e trazer tudo para cá [para a sede da ANP] para a gente interpretar. Isso significa que, neste momento, enquanto conversamos aqui, a ANP está trabalhando em pesquisas no Acre? Newton Monteiro – No momento, não. Estamos aguardando só a autorização do presidente para começarmos a voar. É nesse momento que a importância política do senador Tião Viana se materializa. Ele vai tratar com o governo, com a Presidência da República, para termos a autorização para voar na área. Fazendo isso, nosso trabalho será muito rápido. Nós estamos falando de quanto tempo? Newton Monteiro - De algo muito rápido. Dentro de três meses, a gente voa e fotografa tudo aquilo ali e traz todas as informações para as análises, com todos os mapas. Aí a gente vai poder dizer: “Esta aqui é a área mais ‘quente’, nesta área não tem, nesta é preciso fazer mais análises”. Ao mesmo tempo, quando a gente acabar de fazer o trabalho aerofísico, vamos ter que fazer a geoquímica. Aí pode ser que surjam os primeiros problemas, porque vamos ter que cavar uns buraquinhos. São buracos pequenos - coisa de 40 centímetros no chão - para tirar algumas amostras de solo. Mas isso, naquela região, já foi feito. Os tais “buraquinhos” estão lá, na Serra do Divisor, devidamente tapados. O que aconteceu com os “buraquinhos” feitos pela Petrobras na década de 60? Newton Monteiro [rindo] – Aliás, foi isso o que disse para o reitor da Ufac, lá no debate. Na época, eu trabalhava na Petrobras e estive lá região. Tudo que a gente estava fazendo na época lá é isso que vamos fazer agora, só com mais tecnologia. Na época, fizemos fotos, os ditos buraquinhos, para saber o que podíamos ter de fato no Acre, mas foi algo que não foi feito para valer porque, logo em seguida, a gente encontrou outras bacias e abandonou o Acre. O que foi feito no Acre é o que estamos fazendo agora, só que, repito, com o que há de mais moderno e que não havia naqueles tempos. O que o senhor diria, por exemplo, dos impactos sociais causados em Macaé, aqui no Rio, com a chegada da Petrobras para explorar petróleo? Macaé se tornou, segundo as estatísticas, a cidade mais violenta do Rio, não é? Esses impactos não chegariam ao Acre? Esse é, aliás, o argumento dos ambientalistas. Newton Monteiro – O problema de Macaé que eu vejo é aquela coisa de receber uma quantidade muito grande de recursos, via royalties, o que atrai muita gente, e não investir suficiente os recursos para preparar aquela área para receber mais gente. A grande discussão é sobre os royalties. Nós distribuímos o royalties, mas não o controlamos. O governador, o prefeito gastam como quiserem os recursos. O controle tem que ser feito pelos tribunais de contas. Isso é um problema de gestores. O controle é dos órgãos competentes e não nosso. É um problema da sociedade do Acre. Não é a ANP ou o Ibama que têm que definir o que os acreanos querem. Se a sociedade do Acre disser que quer, aí nós vamos trabalhar. O fato é que hoje, no Brasil, ninguém consegue fazer nada, explorar uma área, sem ter licitação, licenciamento ambiental. Eu sonho que apareçam no Acre dez fazendeiros, dez empresários querendo furar em busca de petróleo. Só que, todos eles, rigorosamente todos, terão que ter licença, que obedecer à lei. Vejo o Acre como um local em que eu gostaria que fosse para lá uma grande companhia petrolífera, mas ficaria muito satisfeito se fosse para lá uma centena de pequenos empresários para trabalhar nessa área. Quem vai investir não somos nós. É o capitalista que vai lá, submetido a uma série de regras, explorar aquilo que nós vamos dizer que existe lá. O senhor teria uma mensagem à sociedade acreana em relação ao debate sobre a possibilidade de prospecção de petróleo no Acre? Newton Monteiro – Sinceramente, eu gostaria de que o debate prosseguisse, mas que a sociedade do Acre se informasse sobre como funcionam essas coisas e analisar o que o resto do mundo pode oferecer de exemplo para os acreanos. Olhar a experiência de exploração em vários países. Olhar, por exemplo, o progresso que aconteceu nos Estados Unidos com a presença do pequeno produtor na exploração de petróleo e como eles resolveram seus problemas ambientais e indígenas naqueles locais, e olhar, por fim, como era antes e agora. Mas, explorar ou não, é um problema da sociedade do Acre. |
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