OPINIÃO
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Fátima Rúbia Messias Cadaxo

 

As diversas faces do poder e suas conseqüências na vida política

Maquiavel, pensador italiano do século XVI, já destacava que para um governante conquistar e manter o poder, é necessário observar dois conceitos distintos: fortuna, que quer dizer sorte, circunstâncias favoráveis, e virtù, que quer dizer habilidade em manter o poder, saber aproveitar as circunstâncias. Cada um desses conceitos aplicados isoladamente não terá eficácia, ou seja, quando algum dos dois conceitos é negligenciado, o governante está fadado ao fracasso. Maquiavel, assim como o pensador alemão Weber, chamou a atenção dos pretensos candidatos à carreira política para as agruras da vida política e suas conseqüências, quando alguns preceitos são negligenciados.

O homem que se dedica à vida política, precisa está consciente de que nem todas as pessoas aplaudirão suas idéias, mesmo as de cunho mais nobre, mas nem por isso ele precisa desistir delas. Deve levar em conta que há interesses inclusos em todas as decisões que são tomadas, não podendo dessa forma, levar para o lado pessoal. Assim como Maquiavel, Weber mostra a realidade nua e crua da política, ou seja, as inúmeras dificuldades que serão encontradas, os obstáculos, os constantes conflitos entre o senso de responsabilidade e a convicção. Qualquer um que queira dedicar-se a política em termos de “vocação”, Weber orienta que deva estar atento aos paradoxos éticos e da responsabilidade quanto ao que ele possa se transformar sob pressão desses mesmos paradoxos.

O poder é sedutor, envolvente, é preciso estar preparado para ele. Não é a toa que os noticiários estão cheios de denúncias de corrupção na política partidária. São na verdade, indivíduos que vêem a política, não como um instrumento para melhoria de vida da população, mas apenas para tirar vantagens pessoais, por status. Isso faz com que as pessoas de bem tenham certa “ojeriza” pela política partidária e se afastem, deixando o terreno propício para a proliferação desses indivíduos, que possuem uma vaidade descomunal.

Ter uma causa a defender, uma “convicção”, faz com que o governante não “se perca” no caminho. A convicção seria uma espécie de armadura, que faz com que o governante fique mais protegido de sua vaidade. Mas é necessário saber utilizar a “força”, em alguns momentos. Saber também quando e de que forma parar, através do senso de responsabilidade.

Como qualquer coisa utilizada sem bom senso e proporção, o poder torna-se um vício, ou seja, quanto mais tempo o governante passa no poder, mas ele sentirá falta, quando não mais puder tê-lo. Isso fará com que ele busque pelo “padrão” que lhe foi oferecido durante o tempo que permaneceu como governante e quando não consegue, é como se tivessem lhe retirado o chão. Não é a toa, que muitos se utilizam de estratagemas, como por exemplo, modificar a lei ou até mesmo dar um golpe de Estado, para permanecer no poder. Ele incorporou o “cargo” que ocupou e principalmente seus benefícios, de tal forma, que sua vida de certa forma perdeu o sentido, e esse vácuo existente precisa ser preenchido com algo semelhante, ou até maior. Esse é o preço que se paga, quando não há equilíbrio e discernimento no tocante ao que o poder representa na vida das pessoas. É um terreno bastante peculiar, que muito poucos conseguem atravessar sem sofrer conseqüências desastrosas.

É preciso estar atento às “mudanças” que o poder provoca na vida das pessoas, e a sensibilidade é uma característica que o governante deve cultivar, como mecanismo de proteção. Ser sensível, não é sinônimo de fraqueza como muitos pensam, mas estar atento aos “ânimos”, às necessidades de seus colaboradores e adversários, estando dessa forma muito mais à vontade para “construir alianças” mais sólidas e tomar decisões mais acertadas. É claro que não existe unanimidade nas decisões políticas, ou seja, sempre vão existir pessoas que pensam diferente, insatisfeitas com as decisões tomadas. O importante é pensar em interesse coletivo, que dependendo do objetivo, seja de curto, médio ou longo prazo, tragam oportunidades, benefícios ao maior número de pessoas, não exclusivamente a grupos políticos.

Cientista Social, Habilitação em Ciência Política/UFAC.

 
 
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Rio Branco-AC, 27 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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