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Taumaturgo Lima * |
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Estão chegando os alienígenas Em meados dos anos 60, apareciam, aqui pelas bandas do vale do Acre, uns sujeitos louros, de cabelos e barbas grandes. Eles não diziam uma palavra em português e o que balbuciavam para nós, caboclos, era algo que o saudoso Professor Jofre Koury, de Xapuri, identificava como língua inglesa. Muito estranhos aqueles a quem nós denominávamos andarilhos. Desconfiávamos que estava se iniciando uma análise primária da biodiversidade amazônica, numa época em que nós seringueiros ainda não tínhamos ouvido falar em ecologia. Hoje, continuam a chegar por aqui alienígenas cobiçosos dos quatro cantos do mundo. Querem eles beber da nossa água para matar a sede desmesurada que têm por dólares. Analisemos quatro frases registradas no Parlamento Amazônico, há poucos dias, por um palestrante conhecedor da causa, oficial da reserva do Exército Brasileiro. “Os países em desenvolvimento, com imensas dívidas externas, devem pagá-las em terras, em riquezas. Vendam suas florestas tropicais.” (George W. Bush, candidato à presidência dos Estados Unidos, em debate com Al Gore, em 2000.) “A Amazônia deve ser intocável, pois se constitui no banco de reservas florestais da humanidade.” (Congresso de ecologistas alemães, Berlim, 1990.) “Só a internacionalização pode salvar a Amazônia.” (Grupos dos cem, Cidade do México, 1989.) “A Amazônia é patrimônio da humanidade. A posse desse imenso território pelo Brasil, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru e Equador é meramente circunstancial.” (Conselho mundial das igrejas cristãs evangélicas, Genebra, 1992.) Até os super-heróis de HQ estão mirando o nosso patrimônio. O homem-aranha, por exemplo, numa revista em quadrinhos, já organizou sua turma e lutou (claro que vencendo) contra posseiros, fazendeiros e contra o governo do Brasil. O super-homem, também em quadrinhos, em vez de voltar para Kripton, dedicou-se numa aventura inteira a enfrentar os madeireiros que destruíam a Amazônia. O robocop, esse assassino de metal, em episódio transmitido pela televisão, levou os dez minutos iniciais do filme desaparecido. Ao chegar, alguém perguntou onde estava ele. Então, respondeu com aquela voz das profundezas: “na guerrilha da Amazônia.” Ingênuos kits distribuídos nas cadeias mundiais de vender hambúrgueres mostraram dois meninos conversando sobre sanduíches. Um indaga: “Você sabe que o Brasil queima um campo de futebol por segundo?” Um restaurante de Londres estampa mensagens em toalhas descartáveis, uma delas recomendando: “lute pelas florestas! Queime um brasileiro!” Há propagandas institucionais transmitidas pela televisão do primeiro mundo, inclusive a CNN, onde a repórter Marina Mirabella mostra as maravilhas da fauna e da flora amazônicas para, em seguida, apresentar dezenas de cenas de devastação, sujeira e imundície, e concluir: “são os brasileiros que estão fazendo isso! Até quando? A Amazônia pertence à humanidade e o Brasil não tem competência para preservá-la.” Senhores deputados. Senhores senadores. Homens e mulheres do executivo e do judiciário brasileiros. A hora é chegada. Vamos à ação. Eles querem as nossas terras e suas imensas riquezas. Segundo podemos observar, nada aqui é nosso, mas do mundo, e o mundo pertence a eles há algum tempo. Está muito claro. Ou agimos agora - ontem - ou as estratégias serão colocadas em prática e, então, viveremos por aqui o Vietnã do terceiro milênio, com a única vantagem de sabermos já o que fazer numa possível guerra na selva. E não se trata de premonição. É realidade pura! * Deputado estadual do PT |
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