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Andréa Zílio |
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O pedagogo que se rendeu ao teatro
Hoje, o ator e diretor executa um dos mais importantes projetos do Serviço Social do Comércio (Sesc), chamado “Dramaturgia Leituras em Cena”, com o qual viajou por 35 cidades de todas as regiões brasileiras, ministrando oficinas de dramatização, onde mostra que a arte de ler um texto é muito mais intensa que traduzir o que está escrito em um papel. No Acre, o projeto existe há três anos. Djalma acaba de ministrar a oficina com atores e diretores do Estado, que apresentarão na primeira quinzena de dezembro os textos. Em entrevista ao Página 20, ele fala de sua história e da importância da busca pelo conhecimento das artes cênicas. Quando você começou a estudar arte cênica? Sempre quis ser ator. Era minha paixão. Com 16 anos fiz faculdade de pedagogia, porque meu pai era muito conservador, não queria que eu fizesse teatro. Aos 21, estava formado e podia tomar algumas decisões, mesmo assim me inscrevi no vestibular, fiz a prova e só falei a ele depois que vi que tinha passado. Acho que fiz teatro em um período importante, apesar da paixão ser de muito tempo. E quando se interessou em dirigir? No quarto período da faculdade de artes cênicas que fiz na Unirio, houve um curso de direção, onde há apenas duas vagas por ano, e na época eu consegui uma delas. Fiz o curso de diretor porque queria ser ator. Queria entender como ele trabalhava, o que queria do ator para que eu fosse um bom profissional. Mas, então fui corrompido pela idéia de dirigir, de criar. Me encantei com a arte do diretor ser o elo entre o ator e o texto. Ser pedagogo, ator e diretor foi o casamento perfeito para meu trabalho. E essa constante busca pelo conhecimento? Desde os 16 anos sou um acadêmico. Eu conclui meu curso de pedagogia, fiz arte cênica, logo depois pós-graduação e agora estou fazendo meu doutorado. Nada do que fiz foi jogado fora. Nunca parei de estudar. Talento é uma conquista a duras penas. E o trabalho com textos da literatura brasileira? Queria dirigir peças com textos da literatura brasileira, mas precisava entender tudo a respeito, então fiz pós-graduação em literatura brasileira. Há quatro meses dou cursos na Universidade Fluminense, onde coloco o teatro como metodologia. As pessoas vêem a literatura como algo morto e o teatro tem o objetivo de dizer que ela está viva. E as oficinas que você ministra em todo o Brasil? A oficina dura três dias de aulas intensas para diretores e atores que vão apresentar o Leituras Dramatizadas, que é a interpretação de textos teatrais de diversos autores. Ela faz com que o ator não veja o texto somente pela ótica da leitura. O ator tem que fazer diferente de qualquer pessoa. Essa oficina é uma preparação e até preserva a profissão, que foi muito invadida. Hoje qualquer pessoa se julga ator. Um rosto bonito faz teatro e faz mal, mas é ator. É preciso estudar. Interpretar é dar vida, alma ao texto. Tem um diretor que fala que um texto de teatro é cheio de buracos e temos que preenchê-los. Sigo isto. Temos de ler o que não está escrito na hora de interpretar. Como foi a oficina no Acre? Eu vim aqui pela primeira vez em julho com o espetáculo “O Lustre”, do Palco Giratório, onde dei uma oficina. Agora, na oficina, senti a ausência da classe artística. Nessa, são outras pessoas. Todos que preparam atores, que fazem teatro, deveriam participar desse trabalho. |
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