
Se todo poder emana do povo e só por ele pode ser constituído, a Assembléia Legislativa do Estado do Acre aprendeu a lição iluminista ditada há mais de 200 anos. A eleição da nova mesa diretora da Aleac foi um bom exemplo de como os processos democráticos têm sido respeitados em todos os aspectos.
Se no Brasil não se pode mais raciocinar a atuação das instituições sem o respeito à democracia, no Acre esse raciocínio é levado ao extremo. Pela primeira vez em cem anos de história do Acre, a eleição da atual mesa diretora foi feita em articulação direta com os partidos que compõem a base de apoio do Executivo ou que demonstraram interesse em aproximar relações.
Antes, todo o trâmite era estabelecido com cada deputado em particular. Isso viciava a Casa de uma tal maneira que enfraquecia não só a democracia no Estado, mas as bases partidárias como um todo, sem contar que tornavam a Aleac um balcão de negócios que em nada lembrava a defesa dos interesses do coletivo.
Não foram poucas as vezes que esse periódico registrou as reuniões em que se concretizavam as articulações políticas em torno da mesa diretora da Assembléia e das Câmaras Municipais de todo o Estado. Um dos principais pivôs do processo, Francisco Nepomuceno se destaca não só pela discrição na condução dos assuntos em pauta, como também pela firmeza e credibilidade nele depositadas por todos os partidos políticos.
Alguns entendem que essas articulações nivelam por baixo todos os políticos, classificando-os de “farinha do mesmo saco”. Nada mais enganoso. E a população soube reconhecer isso. As imagens da posse da nova safra de deputados mostram uma proximidade difícil de ser vista entre o povo e o poder. Uma aproximação que compromete mais ainda a inter-relação formadora do tripé cidadão, voto e quem o representa.