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Rio Branco - Acre, terça-feira, 4 de fevereiro de 2003
Delegação acreana participa
do 3° Fórum Social Mundial

Representantes de diferentes entidades do Estado querem agora difundir as discussões do encontro

Entre os dias 23 e 27 de janeiro, Porto Alegre sediou a 3ª edição do Fórum Social Mundial, que reuniu cerca de 100 mil pessoas de todo o mundo. Do Acre, cerca de 120 participantes, ligados a diferentes entidades civis, viajaram para a capital gaúcha e representaram o Estado nesse encontro que promove o debate de idéias e a troca de experiências daqueles que se empenham na construção de uma sociedade planetária mais justa e igualitária.

O ônibus que saiu de Rio Branco na noite do dia 18 de janeiro, foi conduzido por representantes da Central de Movimentos Populares do Acre (CMP) e pela juventude da Rede Acreana de Jovens em Ação (Reaja). Segundo o coordenador estadual da CMP, Charles Vieira, a equipe do Acre esteve presente em vários eixos de discussão e troca de experiências, entre eles o desenvolvimento democrático sustentável, a democratização da democracia, meio ambiente e a história dos movimentos sociais.

“Foram vários encontros que nos trouxeram novas reflexões sobre as atividades da sociedade civil organizada”, afirmou o coordenador garantindo que as discussões serão trazidas para aqueles que não puderam participar do Fórum. “Estamos nos articulando para que possa haver essa democratização de informações com todos aqueles que por algum motivo não puderam viajar para Porto Alegre”.

Para isso, uma reunião de avaliação estará sendo organizada na próxima quinta-feira para traçar as metas e articular a proposta de ampliação das discussões do Fórum Social.

Para o representante do movimento comunitário do Acre, Antônio Cordovil, a participação da equipe acreana neste grande encontro mundial traz o fortalecimento para os movimentos da sociedade civil organizada, além de promover propostas e cobrar ações das administrações públicas para com a comunidade.

Acampamento Intercontinental
da Juventude: 25 mil participantes

Em 2001 foram pouco mais de dois mil participantes. Em 2002, o número aumentou para 12 mil e, neste ano, mais de 25 mil jovens armaram suas barracas no Acampamento Intercontinental da Juventude, localizado no Parque da Harmonia, no Centro de Porto Alegre. Este acampamento surgiu, inicialmente, como alternativa para a participação da juventude nas discussões do Fórum Social Mundial.

Da delegação acreana, cerca de 30 jovens ligados a diferentes atividades políticas e culturais participaram. No acampamento, ergueram a bandeira do Acre logo na entrada e ressaltara nomes históricos como o do líder seringueiro Chico Mendes e da senadora Marina Silva como grandes nomes que lutaram e lutam pela transformação social no Estado.

No acampamento, os participantes procuraram construir um território de convergência, construído pelas diversas vivências alternativas trazidos pelos movimentos, entidades, redes e indivíduos de todo o mundo. Reunindo milhares de pessoas, em 5 dias de intensas atividades, o espaço tornou-se referência não apenas para as organizações jovens, mas para o amplo conjunto de pessoas e grupos que foram a Porto Alegre, buscar e oferecer práticas de transformação do mundo e da ação política.

“Hoje partimos do princípio que um outro mundo é possível com a igualdade social que a gente tanto sonha, lutando pela educação, pela sobrevivência dos excluídos. Hoje o Acre tem referências mundiais e projetos políticos que vão de acordo com essa proposta, como o Adjunto da Solidariedade. E isso é importante ressaltar. As discussões do Fórum serão mantidas”, afirmou o acreano Edicarlos Lima da Costa, de 24 anos.

Juventude Acreana participa ativamente do Fórum

Da delegação acreana, se destacou o grande número de jovens que participaram das diversas oficinas e seminários promovidos durante os cinco dias de Fórum. Um dos eixos importantes levantados no encontro foi sobre protagonismo juvenil e contou com a participação de representantes de várias entidades voltadas para o movimento jovem e estudantil do país promovendo a troca de informações e experiências.

“A ascensão da juventude nesses encontros e discussões é muito importante. Eles são os grandes agentes transformadores da nossa sociedade”, afirmou o coordenador dos movimentos comunitários.

Para a estudante Tatiana Campos, o encontro no Fórum Social trouxe novas esperanças para os jovens.

“O Fórum tem uma atmosfera de confiança no futuro, transmite uma certeza de que as coisas podem mudar para melhor. São muitas pessoas, de todas as etnias, de todas as crenças, de várias idades, reunidas para trocar experiências e conhecimentos. A gente volta do Fórum acreditando que dá para ter justiça social, de que o abismo existente entre excluídos e incluídos socialmente pode ser destruído e que tudo isso não é uma simples utopia”.

Números do Fórum Social Mundial 2003

Reuniu cerca de 100 mil participantes;
Participaram representantes de 5.717 organizações;
Estiveram pessoas de 156 países;
O Acampamento da Juventude abrigou cerca de 25 mil pessoas;
Foram realizadas 1.286 oficinas.

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