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Rio Branco - Acre, terça-feira, 4 de fevereiro de 2003
A fórmula da cidadania

Nem só de gangorras políticas, discursos inflamados e ideários embevecidos (e embevecedores) vive um cidadão, no sentido mais amplo desse termo. O ideal mais nobre e mais alto de cidadania é conquistado através de atitudes, quase sempre com quebra e reformulação da noção que se tem de mundo.

Nessa base se construiu, por exemplo, a cultura ocidentalizada. Constantes quebras e reformulações de sistemas políticos (ditaduras, golpes militares), sociais (adaptações e criações de igrejas, ampliação do papel da mídia) criaram um Brasil pluralizado. E pluralizante, já que os apatetados e “tradicionalistas” continentes europeu e asiático, acossados com guerras e fragmentações internas tão grandes que impedem qualquer reforma, vêm se espelhando há algum tempo.

Deveriam? A fama da criatividade e “improvisação” do brasileiro (vide o futebol e as inacreditáveis acrobacias do Executivo para aprovar reformas simples no Congresso Nacional, só para citar um exemplo positivo e outro negativo) alastrou-se como rastilho de pólvora pelo mundo. Os gringos só não desconfiam é da maluca libertinagem a que essa dosagem cavalar de criatividade nos remeteu.

Libertinagem, sim. De tanto camaleonizar-se o brasileiro acostumou-se a quebrar paradigmas, tornando-se exatamente o que tanto combatia: um ideal, uma utopia. Ideal e utopia irrealizáveis, ressalte-se, já que a ordem é dizer “não” a qualquer mecanismo “dominador” e “neoliberal”.

É preciso mudar, sim, mas é preciso também contextualizar as mudanças com as transformações que o mundo, naturalmente e por própria dinâmica estrutural, atravessa. Isso não significa acomodar-se à globalização da economia, das culturas, do sistema financeiro, da política. Mas é ter a noção singular de que alguns ideais, em campos opostos, são parecidos e até iguais. Como, a título de único exemplo, a luta pela reforma agrária e a globalização da propriedade. Ou o sonho de Simon Bolívar e a luta do MST.

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