
Fernando Melo e Cassiano Marques
tomam
posse prometendo trabalhar em favor dos excluídos
Tião Maia
O governador Jorge Viana empossou ontem, no Palácio Rio Branco, os dois secretários responsáveis pela condução dos órgãos mais espinhosos da administração estadual: as secretárias de Saúde e Saneamento e de Justiça e Segurança Pública. O advogado Cassiano Marques de Oliveira, que era secretário de Justiça e Segurança Pública até ontem, assumiu a Saúde, enquanto Fernando Melo, deputado estadual licenciado, foi empossado secretário de Justiça e Segurança Pública, cargo que havia ocupado do final de 2001 até abril de 2002, quando se desincompatibilizou para concorrer às eleições.
A posse dos dois secretários de áreas aparentemente distintas numa mesma solenidade, de acordo com o governador, é emblemática e foi marcada propositadamente.“Essas duas secretarias lidam diretamente com a vida e, nesse ato, queremos mostrar que vamos tratar os dois setores com igual importância para promover as mudanças nos problemas que teimam em nos desafiar”, disse Jorge Viana.
De acordo com o governador, tanto quanto investimentos materiais, o governo vai lutar para conseguir uma mudança de comportamento das pessoas envolvidas com o trabalho nos dois setores. “Um médico ou um policial que apenas cumpre seu horário de trabalho, esse não é o tipo de profissional que nós queremos. O que precisa ser feito é uma mudança de mentalidade. Quem faz uma opção em ser um agente público, não pode se omitir”, cobrou o governador, dando como exemplo o fato de seu telefone celular nunca ser desligado. “Às vezes, quem liga para o meu telefone, pode até não conseguir falar comigo, mas o telefone está ligado, na mão de um assessor ou de uma pessoa que vai me passar o recado. Isso é assim durante as 24 horas do dia”.
A declaração em relação ao telefone foi uma resposta ao secretário Fernando Melo, que ao assumir declarou que, a partir daquele instante, seu telefone celular estaria permanentemente ligado à disposição do sistema de segurança pública. “Essa postura é a de quem está realmente interessado em resolver os problemas. Para se omitir, para se esconder dos problemas, basta desligar o telefone”, disse Jorge Viana.
O governador também falou dos avanços conseguidos nas áreas de Segurança e de Saúde durante o primeiro mandato, mas lembrou que os resultados ainda não o satisfazem. Um dos avanços, segundo ele, foi ter conseguido a moralização do sistema penitenciário. “Acabamos com aquele negócio de presos saírem do presídio do jeito que queriam. Não faz muito tempo, havia motos para alugar no pátio do presídio. Motos que os presidiários pegavam para vir assaltar no centro e depois voltar para as celas apenas para comer e dormir às custas do contribuinte”.
Outro avanço, de acordo com Jorge Viana, é a capacidade da polícia acreana de desvendar crimes. Enquanto a polícia de São Paula desvenda uma média de 30% dos crimes ocorridos naquele Estado, a capacidade da polícia acreana, de acordo com dados do Governo, chega aos 90%. “Mas o que nós queremos é o que o crime não aconteça”, acrescentou.
O sistema de segurança é uma preocupação constante do governador. “Não nego a vocês que estou estudando o sistema de segurança de outros estados, de outros países. Estou lendo desesperadamente sobre o tema porque, sinceramente, quero aprender e conhecer esse problema. Já aprendi que em países como a Bolívia não se mata tanto quanto se mata aqui. Quero entender porque, basta cruzar o rio e chegar no Brasil, temos essa cultura de tantas mortes, de tantos assassinatos. Creio que isso é culpa do uso de drogas, dos bares que não fecham, da Polícia Militar que teima em não parar os carros nas barreiras. Mas isso vai ter que acabar”, acrescentou.
Problemática - Jorge Viana também apontou que, no sistema de saúde, o governo do Acre avançou muito mas lembrou que a missão de Cassiano Oliveira será árdua. “Nós conseguimos repatriar para o Acre pelo menos 60 acreanos que viviam exilados de seu Estado e de sua família, fazendo hemodiálise em várias cidades. Isso agora é feito aqui. Conseguimos fazer com que o Acre seja detentor de um dos menores índices de internação de pacientes mentais. Mas ainda não podemos aceitar os indicadores da área de saúde”, afirmou.
O governador lembrou que tanto Fernando Melo como Cassiano Oliveira fazem parte de uma nova geração de políticos e administradores públicos que chegaram ao poder no Acre. “O Cassiano foi colega de escola do meu irmão Tião. Eu fui colega do Fernando Melo. Estudamos, brincamos, crescemos e sonhamos juntos com este Acre que está acontecendo. Tenho certeza de que eles não vão deixar escapar essa oportunidade de realizar tudo aquilo que sonhamos.”
Fernando Melo diz que segurança é apenas uma secretaria de polícia e isso precisa mudar
O deputado estadual licenciado Fernando Melo assumiu a secretária de Justiça e Segurança Pública com a preocupação de fazer com que o órgão faça jus ao nome e deixe de ser uma espécie de secretaria de polícia. “Não há nenhum demérito nisso, já que a polícia, tanto civil como militar, tem trabalho de forma eficaz ao desvendar crimes aparentemente bem engendrados. Mas o que a gente percebe é que a sociedade não quer só isso”, disse o novo secretário.
De acordo com Fernando Melo, a secretaria de Justiça e Segurança Pública precisa ter a preocupação de não apenas trabalhar para prender. “Temos que nos adiantar ao crime e às suas causas”, afirmou.
Para isso, segundo o secretário, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública precisa trabalhar em parceria com os órgãos de inclusão social do Estado. Segundo Fernando Melo, não é possível que um jovem que tenha cometido um pequeno delito, seja preso e execrado como um bandido e nunca mais tenha chance de reabilitação. “Infelizmente, é isso que ocorre. O cidadão comete um crime menor, uma besteira mesmo, é preso e logo em seguida taxado de bandido. Sai nos jornais e em toda a imprensa como uma pessoa perigosa e aí acaba qualquer chance de recuperação”, disse.
No entendimento do novo secretário, pessoas assim precisam ser acompanhadas por vários órgãos do Estado. “Eu compreendo que o infrator, o delinqüente primário precisa ser acompanhado pelos órgãos de assistência social para que ele tenha alguma esperança e não volte a incorrer em crimes”.
Fernando Melo lembrou ainda que, dos 1.100 presos atualmente recolhidos ao presídio estadual na capital, pelo menos 326 deles têm idade entre 18 e 23 anos. “Acho que isso retrata a nossa preocupação em fazer com que a Secretaria de Justiça e Segurança Pública seja, além de uma secretaria de polícia, que combate o crime com a prisão, um órgão que promova a esperança, em parceria com os órgãos de inclusão social. Nós temos que mudar esse paradigma de que a segurança pública é feita apenas com a repressão, com a prisão”, definiu. “Nós já temos a experiência de quatro anos e creio que isso nos credencia a promover essas mudanças.”
Novo secretário afirma que sistema
de
saúde precisa de ética e de amor ao paciente
O novo secretário de Saúde, Cassiano Marques de Oliveira, prescreveu ontem, ao tomar posse no cargo, a receita para melhoria do sistema. Segundo ele, a melhoria passa pela atenção aos excluídos, com uma medicina voltada para a vida e não para a morte. “Nós temos que pensar uma saúde baseada na ética e no amor ao paciente”, afirmou.
O novo secretário disse que o fato de não ser um profissional da área de saúde (ele é advogado) não o impedirá de fazer uma boa administração, já que seus propósitos estão baseados em princípios éticos e de respeito à vida. “Eu acho que o médico não deve ser apenas o profissional que prescreve remédios. Ele tem ser mais abrangente. Pelo que tenho visto, os problemas na área de saúde persistem porque, muita vezes, saímos fora do foco, que é o respeito à vida, ao paciente”, definiu.