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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003
O DNA de Silveirinha é Garotinho

Tião Maia *

Ao que tudo indica, os senadores Geraldo Gurgel de Mesquita Júnior e João Alberto Capiberibe, do PSB do Acre e do Amapá, não têm lá muito com o que se preocupar em relação ao ex-presidenciável Antony Garotinho. Os dois senadores, ajudados por um colega do Sergipe, antes mesmo de assumirem, já vinham batendo de frente com o grupo ligado à Garotinho. O acreano Geraldo Mesquita Júnior, por exemplo, apareceu na Folha de S. Paulo, na semana passada, dizendo que o marido da governadora Rosinha Mateus, desde que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, passou a tratar o PSB como uma espécie de clube particular.

O que havia por trás das denúncias dos senadores seria o seguinte: Garotinho vinha trabalhando para se apossar da máquina partidária do PSB para, logo após às eleições municipais, iniciar sua campanha na tentativa de chegar ao Planalto, em 2006. A estratégia incluiria o uso da máquina partidária pelo próprio Garotinho para constranger o presidente Lula com jogadas demagógicas, como, por exemplo, o salário mínimo a R$ 1 mil e outras coisas do gênero. Como o governo Lula não poderia atender a propostas e medidas inexeqüíveis, Garotinho, com o PSB sob cabresto, romperia com o governo e ele, na condição de candidato, iria se colocar à esquerda de Lula com promessas mirabolantes para tentar chegar ao Palácio do Planalto.

A armação foi percebida muito cedo. Aliás, os três senadores socialistas não ficaram sós na queda-de-braço com Garotinho porque a grande maioria dos democratas brasileiros soube identificar, e bem cedo, que o ex-candidato a presidente é uma dessas fraudes políticas cujo último exemplo ainda está bem vivo na memória dos brasileiros. E identificaram porque é fácil perceber que Garotinho, além de não ter história para ser presidente do Brasil, por desconhecer quase por completa a realidade e a geografia nacional, tem fortes pendores ao fascismo.

Mas o que parecia uma luta árdua a ser travada pelos senadores, parece que está se definindo mais cedo do que se pensa. Afinal, já não há mais nenhuma dúvida de que Antony Garotinho está envolvido até a medula com os escândalos de envio de dinheiro para contas secretas na Suíça. Ninguém, com um mínimo de boa fé, tem dúvida de que o ex-subsecretário que atende pelo sugestivo nome de Silveirinha, que seria o responsável pelo envio da dinheirama para o exterior, é testa-de-ferro do casal Garotinho/Rosinha.

Todo o Brasil lembra que, mais ou menos em agosto do ano passado, no auge da campanha eleitoral, o então candidato Antony Garotinho passou a denunciar, em seu programa de TV, que não dispunha de dinheiro para tocar a campanha. Dizia, sem cerimônia, que era o candidato mais pobre daquele pleito. Pois bem. Foi exatamente em agosto que o governo da Suíça deixou vazar as informações do dinheiro enviado as contas secretas de seus bancos. Está tudo gravado.

Então, a CPI da Assembléia do Rio de Janeiro não terá muito trabalho. É só recolher as fitas dos programas de Garotinho e compará-las com as primeiras informações sobre a existência do dinheiro. Bastaria também analisar o tal Silveirinha de perto para constatar que, no que diz respeito à fraude, ele tem o DNA do governador que o nomeou para o cargo.

Outro detalhe que não deve passar desapercebido é que, até agora, o único dirigente do PSB a ter coragem de vir a público defender o ex-governador foi ninguém menos que o deputado Eduardo Campos, do Pernambuco. O deputado é sobrinho do lendário Miguel Arraes, mas sua história é bem diferente. Ele está envolvido nos escândalos dos precatórios do governo pernambucano e sua prática política seria bem diferente daquilo a que se propõem os autênticos socialistas.

É por tudo isso que os senadores anti-Garotinho não têm com o que se preocupar. Ele está caindo de podre porque, quando a política é feita com decência, também vale a máxima de que o mau por se destrói.

PS.: só me falta agora o diretório local do PSB sair em defesa de Garotinho.

* Jornalista

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