
Acre é o terceiro Estado do Brasil a implantar sistema digital que vai dar agilidade na impressão da Carteira de Identidade
Flaviano Schneider
A vida já está melhorando para quem precisa tirar sua carteira de identidade. O Instituto de Identificação da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) iniciou ontem, em período experimental, a implantação do novo sistema de identificação, denominado Sistema Automático de Identificação por Impressões Digitais, com tecnologia alemã. O sistema só existe atualmente no Rio de Janeiro e no Ceará, sendo o Acre o terceiro Estado brasileiro a implantá-lo.
São muitas as vantagens do novo sistema. O postulante a uma Carteira de Identidade não precisa mais sujar os dedos, pois as impressões são capturadas através de scanner. Também não precisa trazer a foto, que é feita na hora e posteriormente impressa no documento. Em breve, depois do período experimental, o prazo de entrega, que hoje é de 45 dias, vai diminuir para três dias. Para quem faz a C.I. pela primeira vez, o custo é zero, mas quem requer uma segunda via vai pagar 10,71 reais.
Para a segurança pública, o sistema também é mais eficiente e vai evitar fraudes, ou seja, o postulante pode falsificar uma Certidão de Nascimento para obter a C.I. mas não pode falsificar suas próprias impressões, que ficarão associadas à foto, tirada na hora.
O sistema abrange a identificação civil (documentos), no posto da Benjamin Constant, no centro da cidade, enquanto a identificação criminal será feita no Instituto de Identificação, onde também ficará centralizada a confecção de C.Is. provenientes de mais um posto de identificação a ser implantado em Rio Branco (provavelmente no Segundo Distrito ou na região do 6º DP, no bairro Sobral) e dos postos do interior, que ainda trabalham no método tradicional.
O detalhe é que os prontuários dos demais postos, ao chegarem ao Instituto de Identificação, são escaneados e a C.I. é impressa da mesma forma como aquelas feitas pelo processo digital.
Cruzeiro do Sul será a segunda cidade a ter implantado um posto de identificação totalmente digital, o que será feito depois do período experimental em Rio Branco.
Para o secretário de Segurança, Fernando Melo, o Acre é uma grande família e o novo sistema vai dar tranqüilidade e comodidade para o cidadão na hora de tirar seu documento de identidade e conferir mais eficiência na identificação criminal e no controle policial no Estado.
Acredita o secretário que, com ações dessa natureza, a Sejusp vai insistir no item justiça modificando para melhor o conceito vigente de que a secretaria trata apenas da repressão policial. Para Fernando Melo, a Sejusp entra em uma nova fase em que vai lutar para fazer a inclusão social e melhorar a qualidade de vida no setor que lhe toca. “Facilitar a documentação, de maneira totalmente gratuita, é uma forma de inclusão e de melhoria da qualidade de vida”, disse.
Investimento foi de R$ 1,4 milhão
Segundo o diretor do Instituto de Identificação, Gilvandro Soares de Assis, o Estado investiu R$ 1,4 milhão na compra e instalação dos equipamentos, adquiridos da empresa Montreal Informática, que no Brasil é representante exclusiva da empresa alemã Dermalog, fabricante do sistema.
Ao todo, foram adquiridos 15 computadores IBM e o sistema ainda abrange o live scanner de impressões digitais, o pad de assinatura - que captura a assinatura do postulante e a digitaliza para posterior impressão no prontuário e na C.I. - e ainda a máguina digital, que faz a foto que vai aparecer impressa no documento.
Ontem de manhã, aconteceram os últimos preparativos, as configurações necessárias e os cadastros dos agentes que deverão manusear as máquinas, tudo acompanhado pelo diretor da empresa fornecedora, Antoônio Carlos Censi, e pelos analistas de sistema Paulo, Sabóia e Wallace.
Antônio Carlos explica que, depois do treinamento dos agentes, o prazo médio para atendimento por pessoa será de aproximadamente dez minutos. Segundo ele, a tecnologia tem origem na Alemanha e nos Estados Unidos. No Acre está implantado o sistema alemão. Em inglês, o nome do sistema é Autentication Finger Identified System (Afis), sigla pelo qual o sistema é mais conhecido.
O diretor da Montreal conta ainda que depois do Acre o sistema será implantado em Roraima, Amazonas, Piauí, Alagoas e Pernambuco.
No Rio de Janeiro, o sistema existe desde 1999 e já conta com mais de 3 milhões de pessoas registradas na memória do sistema estadual. No Ceará, a implantação ocorreu em 2001. No Rio, a emissão das carteira leva aproximadamente duas semanas, já que o sistema de identificação de digitais ainda é feito manualmente e como no Estado existem 12 milhões de fichas, fica complicada a busca. Tal não vai ocorrer no Acre, onde o sistema de busca será eletrônico.
O sistema traz vários benefícios, lembra Antônio Carlos, sendo o principal o fortalecimento da cidadania, já que o cidadão é melhor atendido por esse sistema, com menos custo e menos trabalho. O outro benefício importante é que torna impossível a duplicação de carteiras, já que o indivíduo é identificado por suas impressões, de nada valendo aparecer com uma certidão de nascimento falsificada, pois as impressões já cadastradas ficam armazenadas na memória da rede e disponíveis on line.
A primeira carteira de identidade ninguém esquece
Valquíria Rezende da Silva tem 16 anos e saiu ontem de manhã, em companhia da mãe, do bairro Taquari, onde reside, disposta a tirar sua primeira Carteira de Identidade. Bela e vaidosa morena, ela havia tirado várias fotos para colar no seu documento mas nem imaginava que estava destinada a inaugurar o sistema no Acre e, mais ainda, que nem precisava ter se incomodado em fazer as fotos antes.
Depois de apresentar sua Certidão de Nascimento (o único documento necessário), passou para a fase seguinte, que é a digitalização da assinatura e captura das impressões digitais. Somente quando chegou em frente à máquina digital é que Valquíria ficou sabendo que as fotos que trouxera não seriam utilizadas e que seria feita outra foto na hora. Valquíria, zelosa de sua bela imagem, espoletou-se e pediu para ‘se produzir’ temendo que o cabelo estivesse desarrumado.
Depois que conseguiu um pente e um pouco de água para ajeitar os cabelos, aceitou submeter-se à digitalizaçâo de sua imagem, mas só se conformou depois da terceira tentativa, isso com um pé atrás, depois que todos os que estavam observando a cena terem afirmado que a foto ficara boa.
Valquíria, que nunca havia tirado uma C.I., depois que ficou sabendo que no processo anterior teria que sujar os dedos, ficou satisfeita em saber que a tecnologia havia evoluído. Mas feliz ainda, e surpresa, ficou com o fato de ter sido a primeira acreana a utilizar o sistema que de agora em diante será permanente e vai significar um capítulo a mais no desenvolvimento da cidadania no Estado do Acre.
Só que, pelo jeito, o diretor do instituto, Gil, como o é carinhosamente tratado pelos colegas e amigos, vai ter que instalar um espelho e alguns pentes no posto para que as belezas acreanas possam aparecer em seu documento da maneira que gostam.