
O rio Acre continuará enchendo, pelo menos nas próximas 72 horas. A constatação desolada é da Defesa Civil Estadual, que, para variar, às vésperas do carnaval, já vem deslocando famílias de desabrigados da periferia da capital para o Barracão do Quinze, no Segundo Distrito.
Em Rio Branco as atenções estão concentradas nos igarapés, causadores principais das enchentes porque represam a água do rio Acre e a escoam com lentidão. A baixa de 30 centímetros do leito, registrada entre terça e quarta-feira, levou alívio temporário a algumas famílias que teimaram em continuar em suas casas. Não devem continuar. Uma nova subida é questão de tempo.
“A população só não pode é entrar em desespero e muito menos descuidar da higiene pessoal e familiar, especialmente no período de vazante. As conseqüências principais são leptospirose, dengue e infecções de pele”, explica o comandante da Defesa Civil, coronel Sidney José Araújo.
No interior a situação é preocupante. Chuvas acompanhadas de ventanias desligaram redes de fiação elétrica. Foi o caso de Cruzeiro do Sul, onde uma pendenga jurídica entre a prefeitura e a Eletroacre deixou indefinida até hoje a responsabilidade sobre a iluminação pública nos bairros. Mesmo com a situação de emergência o cabo-de-guerra continua, deixando os moradores na péssima situação de não ter a quem recorrer durante e depois cada blecaute.
Como se não bastasse, o rio Juruá continua enchendo, devendo chegar na cota de emergência, a continuar no atual ritmo, em duas semanas.
Famílias atingidas pela enchente devem ser rápidas na desocupação, aproveitando, preferencialmente, a vazante. As autoridades aconselham quem tem parentes morando em regiões mais altas da cidade a procurá-las, em vez de depender da assistência do poder público.