
Eles ainda não chegaram ao Acre, mas é questão de tempo. Os progressos da engenharia genética poderão ser fundamentais para a melhoria da qualidade da vida no planeta. Como potencial produtor e exportador de matéria-prima, como os outros Estados amazônicos, para o resto do mundo, o Acre deve iniciar o debate desde agora.
A verdade é que o conhecimento produzido até o momento ainda é muito restrito frente à complexidade dos seres vivos.
A título de exemplo: a soja contém entre 100 mil e 200 mil genes. Segundo a Embrapa, os cientistas estudaram talvez 20 desses genes, isto é, 0,02%. Isso significa que é conhecido apenas 0,02% do que há para saber do genoma desse organismo.
Mesmo assim, com esse conhecimento mínimo, algumas empresas de biotecnologia desenvolvem plantas cultivadas comercialmente, interagindo com o meio ambiente e consumidas por seres humanos e animais. No mínimo uma irresponsabilidade, que pede a participação de Estados potencialmente fornecedores de matéria-prima para outras cidades, em diversas regiões do país.
O certo seria mapear todos os genes, decifrando a função de cada um, para que se pudesse fazer alterações controladas. Os cientistas, na verdade, não sabem o que estão fazendo, podem estar modificando mais de uma característica do organismo.
Foi o que aconteceu no Japão, que protagonizou a maior catástrofe decorrente da utilização de organismos geneticamente modificados. Em 1989, 5 mil pessoas ficaram doentes, 1,5 mil se tornaram permanentemente inválidas e 37 morreram devido ao consumo de um suplemento alimentar, o triptofano.
A empresa Showa Denko alterou geneticamente uma bactéria natural visando a produção mais eficiente de triptofano. A manipulação fez a bactéria produzir uma substância altamente tóxica, que só foi detectada quando o produto já estava no mercado. Por essas e outras o Acre deve inserir-se, até como mecanismo de prevenção, no debate sobre viabilização dos transgênicos. E já!